Trump ataca Netanyahu: "Se não fosse por mim, você estaria na cadeia, todo o mundo te odeia"
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, teria protagonizado uma das conversas mais tensas de seu atual mandato com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, ao tentar impedir uma nova escalada militar contra o Líbano. Segundo informações divulgadas pelo Axios em 2 de junho de 2026, Trump acusou Netanyahu de colocar em risco o cessar-fogo regional e as negociações em curso com o Irã. A discussão ocorreu após autoridades iranianas advertirem que um bombardeio israelense contra Beirute provocaria respostas militares e poderia encerrar a trégua estabelecida desde abril.

De acordo com dois funcionários estadunidenses citados pelo Axios, Trump dirigiu duras palavras ao primeiro-ministro israelense durante uma ligação telefônica realizada na segunda-feira. Segundo os relatos, o presidente estadunidense afirmou: “Você está completamente louco. Você estaria na cadeia se não fosse por mim. Estou salvando a sua pele. Agora o mundo inteiro te odeia. O mundo inteiro odeia Israel por causa disso”.
A conversa ocorreu em meio ao aumento das operações militares israelenses no Líbano e ao risco de ampliação do confronto para outras frentes da região. Segundo uma das fontes ouvidas pelo Axios, Trump também gritou com Netanyahu durante a ligação. “Que diabos você está fazendo?”, teria dito o presidente estadunidense ao líder israelense enquanto avaliava os impactos da ofensiva sobre as negociações conduzidas entre Washington e Teerã.
As informações indicam que Trump interveio para impedir um plano israelense de bombardear Beirute. Segundo os relatos, dirigentes políticos e militares iranianos transmitiram advertências diretas de que qualquer ataque israelense à capital libanesa resultaria no fim do cessar-fogo e das negociações diplomáticas em andamento.
As mesmas fontes afirmaram que representantes iranianos comunicaram que as Forças Armadas da República Islâmica responderiam com ataques de mísseis contra Israel caso fossem realizados bombardeios contra Dahiyeh, área localizada no sul de Beirute e considerada um dos principais redutos do Hezbollah.
As advertências iranianas foram acompanhadas de declarações públicas de autoridades da República Islâmica. Em diferentes manifestações, Teerã acusou Israel de ampliar as operações militares no território libanês e sustentou que qualquer violação do cessar-fogo teria repercussões em toda a região. Autoridades iranianas também declararam que novas ações israelenses poderiam desencadear respostas em múltiplas frentes de resistência.
Segundo uma fonte citada pelo Axios, a conversa entre Trump e Netanyahu foi uma das mais tensas desde o retorno do republicano à Casa Branca. A deterioração do diálogo ocorreu em um momento em que Washington busca preservar os entendimentos alcançados após meses de confrontos entre Estados Unidos, Israel e Irã.
Horas depois da ligação, Trump publicou uma mensagem em sua plataforma Truth Social. O presidente afirmou que a conversa com Netanyahu havia sido “muito produtiva” e declarou que Israel e o Hezbollah concordaram em interromper ataques mútuos. “Nenhuma tropa será enviada a Beirute”, escreveu.
O gabinete de Netanyahu divulgou posteriormente um comunicado sobre a conversa. Segundo a nota, o primeiro-ministro informou a Trump que Israel realizaria ataques contra alvos na capital libanesa caso o Hezbollah não interrompesse suas ações militares.
A escalada militar no Líbano ocorre após meses de confrontos envolvendo Israel e o Hezbollah. Dados mencionados pela HispanTV apontam que mais de 3.300 pessoas morreram desde o início de março. O número de feridos alcançou aproximadamente 10.400 pessoas, enquanto mais de 1,6 milhão de habitantes foram deslocados de suas residências.
As operações israelenses continuaram produzindo vítimas. Relatos mencionados pela emissora indicam que 12 pessoas foram mortas e outras 35 ficaram feridas em apenas um dia de ataques no território libanês.
O cessar-fogo entre Irã e Estados Unidos entrou em vigor no início de abril após mediação do Paquistão. Desde então, autoridades iranianas passaram a defender que qualquer acordo de trégua deveria abranger também o território libanês, argumentando que a continuidade das operações israelenses comprometeria a estabilidade do entendimento alcançado.
A posição iraniana reflete a percepção de Teerã de que os acordos regionais não podem ser separados das ações militares conduzidas por Israel no Líbano. Ao mesmo tempo, autoridades da República Islâmica mantêm desconfiança em relação aos compromissos assumidos por Washington, apontando episódios anteriores de ruptura de acordos e apoio político, diplomático e militar estadunidense às campanhas israelenses na Ásia Ocidental.
No Líbano, o Hezbollah rejeitou propostas de cessar-fogo limitado. O movimento declarou que qualquer acordo deverá incluir o fim das operações militares israelenses, a retirada das forças israelenses do território libanês e o retorno da população deslocada às áreas atingidas pelos ataques.



































