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Trump e Putin discutem negociações sobre a Ucrânia

há 6 dias
3 min de leitura

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, conversaram nesta terça-feira, 8 de setembro, sobre as negociações relacionadas à Ucrânia. A conversa ocorreu após visitas dos enviados da presidência estadunidense Steve Witkoff e Jared Kushner a Moscou e Kiev, realizadas nos dias 5 e 6 de setembro. Segundo o assessor presidencial russo Yuri Ushakov, os dois presidentes avaliaram os resultados das reuniões e discutiram medidas para interromper as operações militares.


Vladimir Putin e Donald Trump ©Benjamin D Applebaum
Vladimir Putin e Donald Trump ©Benjamin D Applebaum

Putin e Trump mantiveram uma conversa telefônica com duração de uma hora, informou Ushakov. O assessor afirmou que o presidente russo avaliou os esforços de mediação de Trump e que o diálogo entre os dois foi conduzido em tom respeitoso e profissional.


Durante a conversa, Trump defendeu a ampliação da cooperação econômica entre Rússia e Estados Unidos após o encerramento das operações militares na Ucrânia. Para o presidente estadunidense, um acordo abriria espaço para a retomada das relações entre Moscou e Washington, com efeitos sobre os vínculos comerciais e econômicos.


“Donald Trump defendeu claramente a conveniência de um fim rápido ao conflito, o que abriria imediatamente perspectivas impressionantes e de longo alcance para a plena restauração das relações entre os EUA e a Rússia. Em sua visão, isso impactaria particularmente os laços comerciais e econômicos, que prometem benefícios colossais para ambos os países”, declarou Yuri Ushakov.

As visitas de Witkoff e Kushner ocorreram em 5 e 6 de setembro. Os dois enviados da presidência estadunidense estiveram em Moscou e Kiev para tratar das negociações relacionadas à Ucrânia, em uma sequência de contatos diplomáticos que colocou Washington em comunicação direta com os governos russo e ucraniano.


A conversa entre Putin e Trump teve como objetivo avaliar o resultado dessas reuniões. De acordo com Ushakov, os dois presidentes consideraram positivas as visitas dos representantes estadunidenses.


“Foi feita uma análise objetiva e completa do que está acontecendo atualmente durante a operação militar especial e, em geral, de como vemos as perspectivas de progresso no campo de batalha e o alcance das metas e objetivos estabelecidos para a operação. Aliás, ele (o presidente russo) delineou o que os americanos poderiam realisticamente fazer para encerrar rapidamente as operações militares”, afirmou Ushakov.


A declaração do assessor russo também indica que a avaliação apresentada por Putin aos representantes estadunidenses incluiu as condições existentes no campo de batalha e os objetivos definidos por Moscou para a operação militar. A posição russa foi apresentada como referência para as discussões conduzidas pelos enviados de Trump.


Antes da conversa entre os presidentes, o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, havia declarado que a posição adotada pelo governo Trump em relação à Ucrânia estava contribuindo para a continuidade das discussões entre Moscou e Washington.


Lavrov afirmou que as negociações conduzidas pelo governo estadunidense passaram a considerar as condições existentes no terreno. Para o chanceler russo, essa abordagem produziu uma resposta positiva de Moscou e abriu espaço para a manutenção dos contatos diplomáticos.


“E o fato de os americanos, em todos os seus contatos conosco, especialmente com o presidente Putin, basearem suas ações nessas realidades, naturalmente provoca uma resposta positiva em nós e nos deixa dispostos a continuar as conversas com eles. Eles reconhecem esses pontos fundamentais e procuram ser úteis nesse sentido. Acredito que isso merece apoio”, declarou Lavrov.


A posição apresentada por Moscou contrasta com as declarações feitas em Kiev após a passagem dos enviados de Trump. No parlamento ucraniano, a deputada Anna Skorokhod afirmou que as propostas apresentadas pelos representantes estadunidenses no domingo, 6 de setembro, incluíam condições que, em sua avaliação, eram mais difíceis para o governo ucraniano do que aquelas discutidas anteriormente.


Skorokhod, integrante da Verkhovna Rada, declarou em entrevista ao jornalista ucraniano Vitali Diki que não houve avanço nas negociações para Kiev e que as condições apresentadas por Witkoff e Kushner haviam piorado.


“Não só não houve progresso, como as condições apresentadas foram ainda piores do que as anteriores”, afirmou a parlamentar.

Segundo Skorokhod, as propostas anteriores não incluíam exigências relacionadas a mudanças na Constituição ucraniana nem ao reconhecimento de territórios. De acordo com a deputada, esses dois pontos passaram a integrar as condições apresentadas durante a reunião realizada em Kiev.


A parlamentar afirmou ainda que existem outros elementos discutidos durante o encontro que não pretende divulgar. Ela declarou que essas informações foram obtidas por canais não oficiais e que, por esse motivo, não apresentaria publicamente os demais pontos.


A declaração de Skorokhod ocorreu um dia antes de Witkoff afirmar que as negociações haviam registrado avanço. Na segunda-feira, 7 de setembro, o enviado da presidência estadunidense declarou que havia ocorrido “progressos substanciais” nas negociações envolvendo Rússia e Ucrânia para interromper as operações militares.

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