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Venezuela: 4 em 10 deslocados por terremotos estão nas ruas

As operações de busca e resgate continuam na Venezuela seis dias após os terremotos de magnitudes 7,2 e 7,5 registrados em 24 de junho, enquanto milhares de pessoas permanecem sem moradia. Dados confirmados pelas autoridades venezuelanas na segunda-feira (29) apontam 1.719 mortos, pelo menos 5.034 feridos e 15.866 pessoas afetadas ou deslocadas pelos tremores. Agências das Nações Unidas alertam para falta de alimentos, colapso parcial dos serviços de saúde, risco de surtos de doenças e condições precárias nos abrigos improvisados.


Dados confirmados pelas autoridades venezuelanas na segunda-feira (29) apontam 1.719 mortos, pelo menos 5.034 feridos e 15.866 pessoas afetadas ou deslocadas pelos tremores.
Dados confirmados pelas autoridades venezuelanas na segunda-feira (29) apontam 1.719 mortos, pelo menos 5.034 feridos e 15.866 pessoas afetadas ou deslocadas pelos tremores.
Segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur), a situação no estado de La Guaira, região mais atingida pelos terremotos, continua marcada pela interrupção de serviços essenciais e pelo agravamento das necessidades da população deslocada. A porta-voz da agência, Carlotta Wolf, afirmou nesta terça-feira (30) que "a escassez de alimentos é generalizada" e declarou que "os serviços básicos entraram em colapso e a conectividade foi amplamente interrompida".

De acordo com o Acnur, a limitação do acesso à assistência humanitária tem provocado aumento das tensões entre moradores das áreas afetadas, enquanto equipes de resgate seguem procurando sobreviventes entre os escombros de edifícios destruídos.


Uma avaliação rápida conduzida pelo Acnur nos estados de La Guaira, Distrito Capital, Miranda, Aragua e Carabobo mostrou que aproximadamente metade das pessoas entrevistadas encontrou abrigo temporário em casas de familiares ou vizinhos. O levantamento também identificou que quase quatro em cada dez deslocados permanecem vivendo em ruas e espaços públicos, enquanto outros ocupam igrejas, escolas e instalações improvisadas.


Carlotta Wolf advertiu que "esses abrigos improvisados não atendem aos padrões mínimos de proteção", apontando deficiências relacionadas à privacidade, existência de espaços seguros, higiene e condições básicas de permanência. A representante do Acnur também informou haver preocupação com crianças desacompanhadas ou separadas de suas famílias após os terremotos.


Na área da saúde, a Organização Mundial da Saúde (OMS) informou que os hospitais e unidades médicas operam acima de sua capacidade. O porta-voz da organização, Christian Lindmeier, declarou que "os serviços de saúde estão sob extrema pressão neste momento", acrescentando que o volume de pacientes vítimas de traumas ultrapassa a capacidade disponível nas unidades de atendimento.


Dados avaliados pela OMS no sábado abrangendo 21 unidades de saúde localizadas em Caracas, La Guaira, Miranda e Falcón indicam que três hospitais encontram-se em estado crítico. Outros seis apresentam danos estruturais ou funcionam apenas parcialmente, enquanto as unidades restantes continuam atendendo pacientes sob elevada demanda.


Lindmeier relatou que a prestação dos serviços de saúde tornou-se "caótica", com superlotação, aumento das filas para procedimentos cirúrgicos, comprometimento das medidas de biossegurança e equipes submetidas a jornadas prolongadas.


A OMS também informou que existem "lacunas críticas" na assistência médica em consequência do colapso dos serviços forenses e dos necrotérios, além de dificuldades no registro de vítimas fatais e de pessoas desaparecidas.


Outro fator apontado pela organização é o risco de disseminação de doenças infecciosas. Segundo a OMS, a combinação entre deslocamento populacional, baixa cobertura vacinal anterior aos terremotos e dificuldades de acesso às campanhas de imunização aumenta a possibilidade de surtos de doenças preveníveis por vacinação, entre elas sarampo, difteria, coqueluche e febre amarela.


A entidade também monitora a possibilidade de aumento de doenças transmitidas por mosquitos ou pela água, incluindo dengue, chikungunya, zika, oropouche e malária.


Christian Lindmeier acrescentou que diversos profissionais da saúde permanecem desaparecidos em La Guaira, entre eles equipes responsáveis pelos serviços maternos, situação que reduziu a capacidade de atendimento obstétrico na região.


Enquanto as operações de emergência prosseguem, o sistema das Nações Unidas ampliou sua resposta humanitária. A organização informou ter liberado US$ 15 milhões do Fundo Central de Resposta a Emergências para apoiar as ações de assistência.


As Nações Unidas também instalaram três centros de atendimento em La Guaira destinados às famílias que perderam suas residências durante os terremotos.


O Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (Ocha) coordena a mobilização de recursos enviados por 27 países, além da atuação de mais de 40 equipes internacionais de busca e salvamento.


O Programa Mundial de Alimentos (WFP) informou possuir mais de 3 mil toneladas de alimentos armazenadas na Venezuela, volume considerado suficiente para abastecer aproximadamente 10 mil famílias durante dois meses.


O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) mobilizou equipes adicionais e suprimentos para atender cerca de 650 mil pessoas, entre elas 234 mil crianças. Para financiar a resposta inicial, a agência destinou US$ 1,5 milhão de recursos próprios e recebeu mais US$ 1 milhão do Fundo Temático Humanitário Global.


A Organização Internacional para as Migrações (OIM) informou que prepara a distribuição de estoques humanitários nas áreas identificadas com maior necessidade.


A Organização Mundial da Saúde, por meio da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), concluiu avaliações em sete unidades de saúde para identificar demandas por medicamentos, oxigênio, combustível e outros insumos essenciais, ao mesmo tempo em que mobiliza equipes médicas especializadas para reforçar o atendimento às vítimas.

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