"A mais antipática de todas": jornalista dos EUA afirma que Copa de 2026 "não abre portas"
- www.jornalclandestino.org

- 11 de jun.
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A Copa do Mundo de 2026 começa marcada por restrições migratórias, aumento de custos e limitações de infraestrutura nas cidades-sede nos Estados Unidos, segundo análise da jornalista Zoe Alexandra. A avaliação foi feita em entrevista ao videocast O Estrangeiro, do Brasil de Fato. O evento também ocorre em meio a denúncias de deportações e dificuldades de mobilidade para torcedores e equipes.

A jornalista Zoe Alexandra, diretora de notícias do site estadunidense BreakThrough News, afirmou que o torneio apresenta um padrão distinto em relação a edições anteriores. “Tem essa sensação de que essa é uma Copa diferente das outras. Não é uma Copa que abre as portas“, disse.
Ela comparou a atual situação com a Copa do Catar, realizada em 2022, citando diferenças no tratamento a visitantes. “Lembro que mesmo no Catar, onde teve muitas contradições, sobretudo relacionadas à construção dos estádios e todo o trabalho escravo que foi utilizado, o acolhimento das pessoas que viajaram até lá, os benefícios que eles ofereceram para as pessoas que chegaram lá foi outra coisa.”
Segundo Alexandra, o controle migratório nos Estados Unidos afeta torcedores de diferentes países. “Hoje você chega nos Estados Unidos e primeiro vai ser interrogado, tem que passar pela migração… Eu vi que alguém que queria viajar da Escócia foi deportado e retiraram o visto dela. Então não é nem só o Sul Global, todo mundo vai ter esse tratamento.”
A jornalista também apontou aumento generalizado de preços em hospedagem e transporte nas cidades-sede. “Depois, os preços dos hotéis subiram bastante. Não é só que o país anfitrião está numa guerra com um país participante, mas o efeito dessa guerra é que todos os preços são mais altos”, afirmou. Ela citou ainda custos elevados em aluguel de carros e serviços turísticos.
De acordo com sua avaliação, parte da estrutura urbana não foi adaptada para receber o volume de público previsto. “Você não pode chegar no estádio de futebol, por exemplo, em Massachusetts, que não é na cidade, não tem uma infraestrutura para ajudar as pessoas a chegar aos estádios, não tem esse acolhimento.”
Zoe Alexandra comparou a recepção de seleções no México e nos Estados Unidos. Segundo ela, vídeos de chegada de equipes no México mostraram bandas em aeroportos, enquanto nos Estados Unidos não houve ações semelhantes. Ela afirmou que o contexto do torneio inclui “uma guerra e também numa operação massiva de deportação e tratamento cruel aos migrantes”.
A jornalista também relatou percepção de frustração em cidades-sede pela ausência de planejamento de mobilidade e serviços. “Há uma sensação de frustração porque nas cidades e nos estados onde têm estádios realmente não teve uma preparação para receber tanta gente, não tem a infraestrutura.”
Ela citou ainda variação de tarifas de transporte em áreas metropolitanas. “O trem de Nova York para o estádio de New Jersey custava 15 dólares; agora vai subir até 75 dólares para você ir 15 minutos de trem.”
Segundo Alexandra, a combinação de restrições migratórias, custos elevados e infraestrutura limitada produz um cenário de tensão logística para o evento. “Em muitas cidades a sensação realmente é de confusão e frustração, e as pessoas também sabem que as equipes que estão chegando recebem o mesmo tratamento que muitos migrantes que moram nos Estados Unidos ou que tentam entrar nos Estados Unidos estão recebendo.”












































