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A ONU insta investigações sobre os ataques aéreos mortais na Nigéria e no Chade

O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos exigiu investigações independentes sobre ataques aéreos conduzidos por forças da Nigéria e do Chade que deixaram mais de 100 civis mortos no norte nigeriano. A denúncia foi apresentada nesta quarta-feira (13) pelo alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, após operações militares realizadas no estado de Zamfara e na região do Lago Chade. Os ataques ocorreram em meio à expansão da militarização no Sahel e ao aprofundamento da presença de operações armadas apoiadas por potências estrangeiras na África Ocidental.


Soldados chadianos em barco da Força-Tarefa Conjunta Multinacional em uma base militar na província do Lago Chade, 6 de maio de 2026. | Foto: Joris Bolomey / AFP via Getty Images
Soldados chadianos em barco da Força-Tarefa Conjunta Multinacional em uma base militar na província do Lago Chade, 6 de maio de 2026. | Foto: Joris Bolomey / AFP via Getty Images

Em comunicado divulgado pela ONU, Volker Türk afirmou estar “chocado” com informações sobre bombardeios do exército nigeriano que atingiram um mercado no estado de Zamfara em 10 de maio. Segundo o alto comissário, ao menos 100 civis morreram e dezenas ficaram feridos.


“Estou chocado com as notícias de que ataques aéreos do exército nigeriano a um mercado no estado de Zamfara mataram pelo menos 100 civis em 10 de maio e feriram muitos outros”, declarou Türk.

O representante das Nações Unidas também afirmou estar “alarmado e entristecido” com relatos de vítimas civis em operações conduzidas pela força aérea do Chade contra áreas controladas pelo Boko Haram em ilhas da região do Lago Chade, território compartilhado entre Nigéria, Níger, Camarões e Chade.


Segundo informações divulgadas pela Anistia Internacional, forças militares nigerianas e grupos armados classificados pelo governo como “bandidos” participaram de episódios que resultaram na morte de pelo menos 100 civis no domingo (11), em uma das jornadas com maior número de mortos desde o início da guerra interna travada pelo Estado nigeriano contra grupos armados no norte do país.


A organização afirmou, com base em relatos de testemunhas, que mulheres e crianças estavam entre os mortos no bombardeio contra um mercado na vila de Tumfa. A Anistia Internacional cobrou abertura imediata de investigação sobre o ataque.


As forças armadas da Nigéria mantêm operações militares há anos no noroeste do país contra grupos armados classificados oficialmente como “terroristas”. Paralelamente, o Estado nigeriano conduz há 17 anos operações militares no nordeste contra o Boko Haram e outros grupos insurgentes ligados à região do Lago Chade.


Na região fronteiriça entre Nigéria, Chade, Níger e Camarões, ataques aéreos conduzidos por aviões militares chadianos atingiram ilhas ocupadas por pescadores nigerianos submetidos ao pagamento de taxas ao Boko Haram para continuar trabalhando na área.


Imagens verificadas pela agência AFP mostraram pescadores com queimaduras sendo atendidos em um hospital na cidade de Bosso, no Níger. Segundo os relatos, dezenas de pescadores morreram durante os bombardeios.


Volker Türk afirmou que as autoridades da Nigéria e do Chade precisam realizar “investigações rápidas, minuciosas, independentes e imparciais” sobre os ataques. O alto comissário declarou ainda que as operações militares devem respeitar o direito internacional humanitário e as normas internacionais de direitos humanos.


“Suas operações militares, incluindo contra o Boko Haram e o chamado ‘Estado Islâmico da Província da África Ocidental’, devem ser conduzidas em total conformidade com o direito internacional humanitário e o direito internacional dos direitos humanos”, afirmou Türk.

O representante da ONU acrescentou que “civis e bens civis jamais devem ser alvo de ataques”.


Apesar das denúncias, os militares nigerianos rejeitaram nesta quarta-feira (13) a existência de provas sobre mortes de civis em Zamfara. Em comunicado oficial, o porta-voz do quartel-general da defesa da Nigéria, major-general Michael Onoja, declarou que “nenhuma evidência credível e substantiva de baixas civis foi estabelecida por meio de qualquer avaliação oficial ou verificação independente”.


Segundo Onoja, o bombardeio teve como alvo uma “reunião de alto nível confirmada” em uma aldeia onde “vários terroristas foram neutralizados”. O porta-voz afirmou que a operação militar foi conduzida de acordo com o direito internacional humanitário.

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