A Polícia Federal investiga o financiamento de Eduardo Bolsonaro nos EUA
- www.jornalclandestino.org

- 18 de mai.
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A Polícia Federal investiga uma estrutura financeira montada no Texas para apurar suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão patrimonial ligadas ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro. O foco da investigação é a compra de uma residência em Arlington, avaliada em 3,6 milhões de reais, realizada por meio de um fundo privado administrado por aliados do filho de Jair Bolsonaro. Segundo documentos analisados pela PF e informações publicadas pelo Brasil de Fato e reproduzidas pela teleSUR em 17 de maio de 2026, os recursos podem ter sido desviados de uma produção cinematográfica usada como fachada para sustentar a permanência de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos e contornar decisões do Supremo Tribunal Federal (STF).

A investigação concentra-se na aquisição do imóvel feita em fevereiro de 2025 pela Mercury Legacy Trust, entidade privada controlada por Paulo Calixto, advogado de imigração e parceiro de negócios de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, onde o ex-deputado reside desde que passou a ser alvo de investigações no Brasil. A PF busca determinar se o imóvel foi comprado com recursos desviados de operações financeiras vinculadas ao Fundo de Desenvolvimento Havengate.
Segundo os investigadores, o Havengate recebeu parte dos 61 milhões de reais transferidos entre fevereiro e maio de 2025 pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. As transferências ocorreram por meio da empresa Entre Investimentos e Participações. O senador Flávio Bolsonaro admitiu ter atuado na intermediação junto a Vorcaro para viabilizar os repasses financeiros.
De acordo com os depoimentos reunidos pela PF, a justificativa apresentada para a movimentação milionária foi o financiamento de uma produção cinematográfica concebida por Mario Frias, ex-secretário especial da Cultura do governo Jair Bolsonaro. A polícia apura se o projeto audiovisual serviu para mascarar o desvio de recursos destinados à manutenção patrimonial e logística de Eduardo Bolsonaro em território estadunidense.
A investigação aponta que parte do dinheiro teria sido usada para evitar o alcance de medidas judiciais impostas pelo STF. A suspeita dos investigadores é de que a estrutura financeira foi organizada para manter ativos fora do alcance das autoridades brasileiras enquanto Eduardo Bolsonaro permanece nos Estados Unidos.
Os documentos de compra do imóvel em Arlington também registram o nome de André Porciúncula, ex-oficial da Polícia Militar e ex-assessor de Mario Frias no antigo Ministério da Cultura. Segundo aliados políticos do grupo bolsonarista ouvidos pelos investigadores, Porciúncula coordena atividades operacionais e logísticas relacionadas à permanência de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.
Em depoimento, Flávio Bolsonaro confirmou que solicitou os recursos ao proprietário do Banco Master, mas negou que o dinheiro tenha sido usado para sustentar seu irmão fora do Brasil. O senador afirmou que os repasses estavam vinculados ao projeto cinematográfico ligado a Mario Frias.
Eduardo Bolsonaro classificou a investigação como uma “farsa” e declarou que as regras de seu visto e de sua situação migratória impediriam o recebimento de recursos de investimento. O ex-deputado também afirmou que a produção audiovisual foi registrada como projeto estadunidense para evitar, segundo suas palavras, “perseguição política no Brasil”.
Paulo Calixto foi citado pela defesa de Eduardo Bolsonaro como responsável pela administração jurídica e empresarial das operações realizadas nos Estados Unidos. A PF analisa contratos, registros de transferência bancária e documentos imobiliários relacionados ao Mercury Legacy Trust e ao Fundo de Desenvolvimento Havengate.
André Porciúncula negou ligação entre a casa em Arlington, Eduardo Bolsonaro e o Banco Master. Em declaração reproduzida pelo Brasil de Fato, afirmou que informações sobre o verdadeiro beneficiário do imóvel “não são de interesse público”.
A investigação ocorre em meio ao aprofundamento das disputas entre setores do bolsonarismo e o STF, após anos de operações financeiras, articulações internacionais e campanhas políticas construídas em torno da aproximação com redes da extrema direita estadunidense. O caso amplia a pressão sobre o núcleo político ligado a Jair Bolsonaro e adiciona novos elementos às apurações sobre circulação internacional de recursos, uso de estruturas privadas no exterior e tentativa de blindagem patrimonial fora da jurisdição brasileira.



































