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Agências contestam declarações de Trump na Assembleia Geral da ONU

há 1 hora
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Uma análise publicada em 23 de setembro de 2026 apontou discrepâncias entre declarações feitas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na 81ª Assembleia Geral da ONU e dados disponíveis sobre guerras, clima, investimentos, armamentos e criminalidade. O discurso ocorreu em 22 de setembro e apresentou números e resultados que foram contestados por verificações baseadas em registros oficiais. Entre as afirmações questionadas estão a suposta resolução de oito guerras, US$ 21 trilhões em investimentos e uma queda de 87% na criminalidade em Washington, D.C.


Donald Trump ©ONU/Loey Felipe
Donald Trump ©ONU/Loey Felipe

Em seu discurso, Trump afirmou ter encerrado oito guerras ou disputas desde o início de seu mandato, citando situações envolvendo Camboja e Tailândia, Kosovo e Sérvia, Ruanda e República Democrática do Congo, Índia e Paquistão, Armênia e Azerbaijão, Egito e Etiópia, Israel e Irã e o genocídio em Gaza. A Casa Branca também apresentou essa relação em material publicado após o discurso.


A análise apontou que a lista reúne situações de naturezas distintas. No caso de Kosovo e Sérvia, a disputa mencionada por Trump não correspondia a uma guerra ativa durante o período apresentado, enquanto a questão entre Egito e Etiópia estava relacionada a uma disputa sobre recursos hídricos, e não a uma guerra entre os dois países.


Também foram questionadas as afirmações sobre Ruanda e República Democrática do Congo e sobre o genocídio em Gaza. Os processos diplomáticos citados por Trump não significaram, nos casos apresentados, o encerramento das hostilidades e da violência, segundo a análise reproduzida pela Telesur.


O discurso também apresentou uma afirmação sobre mudanças climáticas. Trump declarou que a expressão “aquecimento global” teria sido substituída por “mudanças climáticas” porque, segundo ele, o planeta estaria esfriando e ninguém teria morrido em consequência desse fenômeno.


Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) e de organizações meteorológicas internacionais contradizem essa descrição. Registros científicos indicam aumento das temperaturas globais e relacionam eventos extremos e ondas de calor a mortes em diferentes regiões do planeta. Uma verificação publicada após o discurso também apontou que os últimos 11 anos estão entre os mais quentes já registrados, com 2023, 2024 e 2025 entre os anos de maior temperatura.


Trump também fez referência à ideia de que a humanidade estaria diante de um prazo de 12 anos para evitar uma catástrofe. A formulação, porém, distorce o conteúdo de um relatório científico de 2018, que tratava do período disponível para reduzir emissões e limitar o aumento da temperatura média global a 1,5 °C, e não de um prazo para a extinção da humanidade.


Na área econômica, Trump afirmou durante o discurso que seu governo havia garantido compromissos de US$ 21 trilhões em novos investimentos nos Estados Unidos. “Garantimos compromissos de US$ 21 trilhões em novos investimentos de todos os lados do planeta”, declarou.


Os próprios registros divulgados pela Casa Branca apresentam uma cifra inferior. A página oficial dedicada aos anúncios de investimentos contabilizava cerca de US$ 11,2 trilhões, valor que inclui anúncios de empresas estadunidenses e estrangeiras, projetos previstos para períodos longos e compromissos que não correspondem necessariamente a investimentos já realizados.


A diferença entre os US$ 21 trilhões citados por Trump e os US$ 11,2 trilhões registrados pela Casa Branca foi apontada em verificações publicadas antes e depois do discurso. A análise também observou que anúncios de investimentos não equivalem necessariamente a capital efetivamente aplicado, pois parte dos valores corresponde a planos futuros, projeções ou compromissos sem garantia de execução.


Outro ponto contestado foi a declaração de Trump sobre os estoques de munições dos Estados Unidos. O presidente afirmou que aqueles que dizem que os Estados Unidos estão ficando sem munição seriam “covardes e traidores” e declarou: “Temos mais munição do que jamais poderíamos imaginar usar e estamos construindo-as em níveis que nunca alcançamos antes”.


Trump também afirmou que 18 grandes fábricas de munições estão em construção e que a expansão da capacidade industrial permitirá aumentar o fornecimento de mísseis e munições aos aliados. A declaração foi feita em meio às operações militares estadunidenses no Oriente Médio e às discussões sobre o nível dos estoques disponíveis.


Relatórios citados na análise, incluindo documentos do Inspetor-Geral do Departamento de Guerra e do Escritório de Orçamento do Congresso, apontaram pressão sobre determinados estoques militares e dificuldades relacionadas à reposição de componentes. Entre os setores mencionados estão motores de combustível sólido, propelentes e mísseis interceptores, áreas nas quais a ampliação da produção exige tempo.


A criminalidade em Washington, D.C., também apareceu entre as afirmações contestadas. Trump declarou que, desde sua chegada à presidência, os índices de criminalidade na capital estadunidense haviam caído 87%.


“Quando cheguei, em 20 de janeiro do ano passado, Washington, D.C., havia sido tomada pelo crime, e agora o crime diminuiu 87% e estamos chegando a 100%”, afirmou Trump durante a Assembleia Geral da ONU.


Registros oficiais do Departamento de Polícia Metropolitana de Washington, D.C., apresentados na análise, indicaram uma redução inferior à cifra anunciada pelo presidente. Os dados citados apontaram cerca de 15 mil ocorrências até setembro de 2026, representando queda de aproximadamente 23% em relação ao mesmo período de 2024, distante dos 87% mencionados por Trump.


A discrepância entre as declarações e os registros oficiais também aparece em outras partes do discurso de 22 de setembro. Trump utilizou a tribuna da ONU para apresentar resultados de sua política externa, econômica e militar, enquanto dados e verificações publicados após a intervenção presidencial questionaram parte dos números e das caracterizações utilizadas pelo presidente dos Estados Unidos.

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