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Agosto iguala recorde de calor global registrado em julho de 2023

10 de set.
2 min de leitura

Agosto de 2026 registrou a maior temperatura média global do ar já medida, igualando o recorde de julho de 2023. O Serviço Copernicus de Mudança Climática divulgou os dados nesta quinta-feira (10) e relacionou a continuidade do aquecimento às emissões de combustíveis fósseis. O mês também registrou recordes de temperatura na superfície de diferentes regiões oceânicas.


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A temperatura média global do ar chegou a 16,96 ºC em agosto, apenas 0,01 ºC acima dos 16,95 ºC registrados em julho de 2023. A diferença levou o observatório europeu a considerar os dois meses empatados no topo da série histórica, iniciada em 1940.


Os registros do Copernicus indicam que a elevação das temperaturas não se restringiu à atmosfera. As superfícies dos oceanos Atlântico, Mediterrâneo e Pacífico tropical alcançaram os maiores valores já registrados para um mês de agosto, enquanto o fenômeno El Niño ganhou intensidade no Pacífico tropical.


Mais de 90% do excesso de calor produzido pelas emissões de gases de efeito estufa é absorvido pelos oceanos. Em agosto, as águas do planeta completaram três meses consecutivos com temperaturas sem precedentes, ampliando os impactos sobre os sistemas marinhos e sobre o equilíbrio climático.


A dimensão do aquecimento atual também aparece quando os dados instrumentais são comparados com evidências paleoclimáticas. Análises realizadas em núcleos de gelo e anéis de árvores indicam que a humanidade não enfrentava temperaturas desse nível havia pelo menos 100 mil anos.


O período entre junho e agosto de 2026 também foi o verão mais quente já registrado na Europa Ocidental. A temperatura superou o recorde estabelecido em 2003, enquanto ondas de calor atingiram cerca de 1,3 bilhão de pessoas em diferentes regiões do mundo.


Relatórios de saúde produzidos em oito países europeus contabilizaram pelo menos 35 mil mortes associadas às altas temperaturas durante a estação. O número evidencia o impacto humano produzido pela elevação das temperaturas e pela exposição de populações a períodos de calor extremo.


No Rio de Janeiro, por exemplo, o protocolo municipal considera configurado um período de calor extremo quando a temperatura alcança 40 ºC. A referência ilustra como governos locais passaram a estabelecer protocolos específicos diante de episódios de temperaturas elevadas.


Após a divulgação dos dados do Copernicus, Simon Stiell, chefe de clima da Organização das Nações Unidas (ONU), relacionou os números à dependência mundial de carvão, petróleo e gás. Para Stiell, os registros demonstram os efeitos dessa estrutura energética sobre o aquecimento do planeta.


A ONU também ressaltou que as emissões globais de gases causadores do efeito estufa atingiram níveis recordes em 2025, mantendo a pressão sobre o sistema climático enquanto a utilização de combustíveis fósseis permanece no centro da matriz energética mundial.

 
 
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