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Brasileiros divergem sobre interferência estrangeira nas eleições, aponta Quaest

há 6 horas
3 min de leitura

Pesquisa Quaest divulgada nesta segunda-feira (28) mostra que 51% dos entrevistados não acreditam na possibilidade de países estrangeiros interferirem nas eleições brasileiras de 2026. Outros 41% consideram possível algum tipo de interferência externa no processo eleitoral. O levantamento também perguntou sobre o temor de influência da China e dos Estados Unidos sobre o Brasil após a eleição.


©Divulgação/TRE-AM
©Divulgação/TRE-AM

Na comparação com a pesquisa anterior, realizada em 14 de agosto, caiu de 45% para 41% o percentual dos entrevistados que consideram possível uma interferência estrangeira nas eleições. No mesmo período, a parcela que não acredita nessa possibilidade passou de 48% para 51%.


A Quaest ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais entre 24 e 27 de setembro, em entrevistas presenciais. A margem de erro do levantamento é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-06520/2026.


O levantamento foi realizado em um período no qual a possibilidade de interferência externa nas eleições brasileiras passou a ser discutida também por órgãos do Estado e entidades da sociedade civil. Um relatório reservado da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), enviado à Presidência da República, ao TSE e ao Ministério da Justiça, apontou risco de influência ou interferência dos Estados Unidos nas eleições de 2026.


A Academia Brasileira de Ciências (ABC) e a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) também manifestaram preocupação com possíveis pressões externas sobre o processo eleitoral, com referência às ações dos Estados Unidos. As entidades afirmaram que interferências por meio de pressões políticas ou econômicas, manipulação do ambiente informacional ou uso indevido de tecnologias poderiam afetar a soberania nacional e a formação da vontade dos eleitores.


Na pesquisa Quaest, os entrevistados também responderam a uma pergunta específica sobre a possibilidade de influência estrangeira no Brasil depois das eleições. A questão apresentada foi: “Você tem medo de que EUA ou China passem a mandar no Brasil depois da eleição?”


Quando o país mencionado foi a China, 42% disseram ter muito medo de que isso aconteça. Outros 17% responderam ter algum medo, enquanto 39% afirmaram não ter medo.


Em relação aos Estados Unidos, 39% declararam ter muito medo de que o país passe a mandar no Brasil depois da eleição. Outros 16% disseram ter algum medo, enquanto 42% responderam não ter medo.


Os percentuais não medem uma previsão sobre interferência estrangeira, mas registram a percepção dos entrevistados diante da possibilidade apresentada pela pesquisa. No caso dos Estados Unidos, a pergunta foi feita em meio a denúncias e alertas públicos sobre ações do governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, relacionadas ao processo político brasileiro.


Parlamentares estadunidenses também haviam questionado ações do governo Trump em relação ao Brasil. Em carta enviada ao secretário de Estado Marco Rubio em 24 de setembro, 31 parlamentares do Partido Democrata afirmaram preocupação com o que descreveram como uma possível tentativa de interferir nas eleições brasileiras.


O levantamento da Quaest registra, portanto, uma diferença entre a percepção geral sobre a possibilidade de interferência estrangeira nas eleições e o temor específico relacionado às duas potências citadas na pesquisa. Enquanto 51% afirmam não acreditar na possibilidade de interferência eleitoral externa, 59% manifestam algum grau de medo de que a China passe a mandar no Brasil, somando as respostas “muito medo” e “algum medo”. No caso dos Estados Unidos, essa soma chega a 55%.

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Ghassan Kanafani

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