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BRICS se oferece como ponte entre Irã e Emirados Árabes Unidos

há 11 minutos
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O BRICS pode servir como uma plataforma adicional para a normalização das relações entre Irã e Emirados Árabes Unidos, afirmou Viktoria Panova, chefe do Conselho de Especialistas BRICS-Rússia, durante uma coletiva de imprensa da agência TASS, em Moscou, em 14 de setembro. Para Panova, a recente cúpula do bloco demonstrou unidade e solidariedade entre seus integrantes, apesar das tensões existentes entre alguns Estados-membros. A dirigente afirmou que o encontro também evidenciou a capacidade de superar divergências por meio do diálogo e da busca por objetivos comuns.


©Brics/Divulgação
©Brics/Divulgação

Panova declarou que havia expectativas de que as contradições entre integrantes do BRICS comprometessem a realização da cúpula. Segundo ela, alguns observadores ocidentais esperavam que as tensões geopolíticas internas impedissem o bloco de alcançar uma posição comum.


“Sabemos - e tenho a impressão de que alguns dos nossos colegas ocidentais até esperavam por esse desfecho - que as tensões que surgiram e continuam a existir entre certos Estados-membros do BRICS poderiam ter prejudicado a própria cúpula”, afirmou. “Havia até rumores de que nenhum documento final seria adotado.”


A previsão não se confirmou. A cúpula resultou na adoção de um documento final, contrariando as expectativas de setores que apostavam na fragmentação política do agrupamento, cuja expansão incorporou novos países e ampliou seu peso nas disputas econômicas e geopolíticas internacionais.


“Ao contrário de todos os seus detratores, o BRICS - como uma estrutura não ocidental, e não antiocidental - demonstrou que é possível trabalhar em conjunto, superar diferenças genuínas e buscar um objetivo maior”, declarou Panova.


A chefe do Conselho de Especialistas BRICS-Rússia relacionou essa experiência à possibilidade de o bloco contribuir para a aproximação entre Teerã e Abu Dhabi. Irã e Emirados Árabes Unidos figuram entre os novos membros incorporados à estrutura do BRICS, e Panova afirmou esperar o fortalecimento das relações entre os dois países.


“É claro que esperamos que o conflito no Oriente Médio e na Ásia Ocidental seja resolvido em última instância e que possamos fortalecer as relações em todas as áreas entre dois de nossos novos membros, o Irã e os Emirados Árabes Unidos”, disse.


A dirigente, contudo, ressaltou que a mediação ou a normalização das relações entre Teerã e Abu Dhabi não constitui uma atribuição exclusiva do BRICS. Para ela, o agrupamento pode funcionar como mais um espaço de diálogo entre governos que enfrentam divergências políticas e geopolíticas.


“Ao mesmo tempo, essa não é uma tarefa exclusiva dos BRICS”, acrescentou. “Em vez disso, os BRICS podem fornecer uma plataforma adicional para tais esforços.”


Panova sustentou que a principal demonstração da recente cúpula foi a manutenção da unidade entre os integrantes, apesar das tensões existentes. “O ponto crucial, portanto, é que, ao contrário das expectativas de seus detratores e apesar das tensões geopolíticas existentes, os BRICS demonstraram mais uma vez a unidade e a solidariedade que caracterizam seus membros.”

 
 
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