“Cessar-fogo” sob ocupação: Israel expande controle militar em Gaza enquanto número de mortos ultrapassa 72 mil
- www.jornalclandestino.org

- 2 de abr.
- 2 min de leitura
O exército de ocupação israelense intensificou a presença militar na Faixa de Gaza, desrespeitando o acordo de cessar-fogo em vigor desde 10 de outubro de 2015. Nas últimas semanas, dezenas de postos militares foram instalados ao longo da chamada “Linha Amarela”, consolidando uma nova divisão territorial dentro do enclave palestino. As operações incluem demolições em larga escala, ataques com tanques e disparos de munição real, inclusive em áreas classificadas como “seguras”.

Na prática, a chamada “Linha Amarela”, que se estende paralelamente à Rua Salah al-Din de norte a sul, deixou de ser uma zona temporária para se tornar uma fronteira militarizada permanente dentro da Faixa de Gaza. O exército de ocupação posicionou postos avançados em áreas elevadas com vista para o oeste, cercadas por zonas devastadas após a destruição sistemática de bairros residenciais e infraestrutura civil.
Relatos indicam que essas posições estão distribuídas em pontos estratégicos, incluindo Rafah, Khan Younis, Deir al-Balah, al-Bureij, al-Maghazi, Shuja'iyya e o norte da Faixa. Estruturas como torres de iluminação foram instaladas para manter vigilância contínua, tornando os postos visíveis mesmo à distância e consolidando um controle territorial permanente.
Paralelamente, escavadeiras seguem demolindo áreas já destruídas, ampliando o nível de devastação. Na noite anterior à publicação do relatório, operações de demolição foram acompanhadas por bombardeios de tanques e ataques quase diários contra civis, inclusive em zonas previamente designadas como seguras pelo próprio exército de ocupação.
As áreas controladas também estariam sendo utilizadas como base para operações indiretas, incluindo o apoio a milícias locais armadas, treinadas e supervisionadas pelo aparato de segurança israelense. Essas forças atuariam como extensões operacionais no território, aprofundando a fragmentação interna e o controle sobre a população palestina.
Desde o início do genocídio em 7 de outubro de 2023, o território — já sob bloqueio desde 2007 — teve praticamente todos os seus setores vitais destruídos, dificultando qualquer possibilidade de retorno da população deslocada. Hospitais, sistemas de abastecimento de água, redes elétricas e habitações foram sistematicamente atingidos, configurando um cenário de colapso humanitário prolongado.
Apesar da existência formal de um cessar-fogo, as violações são diárias, com ataques contínuos a diferentes regiões da Faixa de Gaza. O número de vítimas, segundo o Ministério da Saúde local, inclui milhares de desaparecidos ainda sob escombros.



































