"Colômbia trabalhará com Israel como nunca antes." Afirma o novo presidente Espriella
- www.jornalclandestino.org

- 25 de jun.
- 3 min de leitura
O presidente eleito da Colômbia, Abelardo de la Espriella, anunciou que pretende restabelecer e ampliar as relações com Israel após assumir o cargo em agosto. A declaração marca uma ruptura com a política adotada pelo governo de Gustavo Petro, que rompeu relações diplomáticas com Tel Aviv em meio ao genocídio contra a população palestina em Gaza. De la Espriella também afirmou que buscará aprofundar a cooperação com os Estados Unidos e com Israel nas áreas militar e de segurança.

Em publicação na rede social X na quarta-feira, um dia após conversar por telefone com o ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Saar, De la Espriella declarou que “a Colômbia irá restaurar e fortalecer seu relacionamento com o Estado de Israel como nunca antes”. O presidente eleito acrescentou que pretende inaugurar uma nova etapa nas relações bilaterais entre Bogotá e Tel Aviv.
De la Espriella venceu o segundo turno das eleições presidenciais realizado no domingo ao derrotar o senador de esquerda Ivan Cepeda por uma margem inferior a um ponto percentual. A disputa encerrou um dos processos eleitorais mais polarizados da história recente do país e abriu caminho para uma mudança de orientação na política externa colombiana.
Durante a campanha, o presidente eleito apresentou como uma de suas principais propostas a reconstrução dos vínculos entre Bogotá, Washington e Tel Aviv. O advogado milionário, que construiu sua carreira defendendo clientes envolvidos em casos de narcotráfico e fraudes financeiras, também prometeu ampliar a cooperação militar com os governos estadunidense e israelense.
A vitória de De la Espriella representa uma inflexão em relação à política conduzida por Gustavo Petro, primeiro presidente de esquerda da história da Colômbia. Desde o início do genocídio israelense contra a população palestina em Gaza, Petro tornou-se um dos principais críticos de Tel Aviv na América Latina e promoveu uma série de medidas contra o governo israelense.
Sob sua administração, a Colômbia rompeu relações diplomáticas com Israel, suspendeu a compra de armamentos israelenses e interrompeu exportações de carvão para o país. Antes dessas medidas, Israel figurava entre os principais fornecedores de equipamentos militares para as forças armadas colombianas e mantinha cooperação em áreas de inteligência e segurança.
De la Espriella declarou que pretende revogar essas decisões após assumir a presidência. Entre seus compromissos de campanha está a formação de uma aliança militar mais estreita com Washington e Tel Aviv, ampliando a participação desses governos em operações de segurança conduzidas pelo Estado colombiano.
A ascensão do presidente eleito ocorreu com apoio político da Casa Branca. Sem experiência anterior em cargos públicos, ele assumirá a presidência em agosto, sucedendo Gustavo Petro em um momento marcado pelo aumento da violência armada em diversas regiões do país.
A Colômbia enfrenta os índices de violência mais elevados da última década, com atuação de grupos guerrilheiros, organizações paramilitares e redes ligadas ao narcotráfico em diferentes departamentos do território nacional. Ao longo da campanha, De la Espriella prometeu responder a essa situação por meio de operações militares e medidas repressivas.
Em entrevista à agência AFP durante o período eleitoral, ele afirmou que buscaria apoio dos Estados Unidos e de Israel para realizar bombardeios contra grupos guerrilheiros colombianos. A proposta integrou o conjunto de medidas apresentadas por sua campanha para enfrentar a crise de segurança.
Especialistas ouvidos pela AFP questionaram a viabilidade operacional e política de parte dessas promessas, apontando obstáculos institucionais, financeiros e diplomáticos para sua implementação.
O novo presidente também assumirá o governo de um país dividido eleitoralmente. A esquerda colombiana obteve quase metade dos votos válidos no segundo turno e dirigentes políticos ligados ao campo progressista já indicaram a possibilidade de mobilizações contra medidas adotadas pela futura administração.
Na quarta-feira, Ivan Cepeda reconheceu oficialmente sua derrota na disputa presidencial. Em declaração pública, afirmou que divergências políticas devem ser enfrentadas por meio do respeito e do diálogo, embora tenha acusado seu adversário de compra de votos durante o processo eleitoral.
O senador também advertiu que se oporá a qualquer tentativa de concentração de poder pelo novo governo. “Recorreremos, se necessário, à resistência e à desobediência civil pacífica”, declarou Cepeda.











































