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Comissão da ONU acusa forças estadunidenses de crimes de guerra em ataques contra escola e complexo esportivo no Irã

há 57 minutos
4 min de leitura

A Missão Internacional Independente de Apuração de Fatos das Nações Unidas concluiu que existem motivos razoáveis para responsabilizar forças estadunidenses por ataques contra uma escola primária e um complexo esportivo no Irã. Os dois episódios, registrados durante a agressão militar iniciada em 28 de fevereiro, foram classificados como crimes de guerra pela comissão de inquérito. O ataque à escola Shayare Tayebe, em Minab, provocou mais de 150 mortes, incluindo cerca de 120 crianças, segundo autoridades iranianas.


Conselho de Segurança da ONU ©UNNEWS
Conselho de Segurança da ONU ©UNNEWS

De acordo com uma reportagem da Reuters, o relatório da missão da ONU identificou elementos que vinculam as forças dos Estados Unidos aos ataques contra a escola em Minab, na província de Hormozgan, e o complexo esportivo localizado em Lamerd, na província de Fars. A investigação examinou as circunstâncias dos bombardeios e avaliou a natureza dos alvos, os danos provocados e as obrigações das forças militares envolvidas sob o direito internacional humanitário.


No caso da escola primária Shayare Tayebe, a missão apontou que as forças estadunidenses não atualizaram as informações sobre o estabelecimento em seus bancos de dados de alvos. Também não houve confirmação de que o edifício estivesse sendo utilizado como instalação militar ou que representasse um objetivo militar legítimo.


Para a comissão de inquérito, a ausência de atualização dos dados e de verificação do caráter militar do alvo não pode ser tratada como uma falha limitada à negligência operacional. A avaliação da ONU indicou que a conduta ultrapassou esse patamar, estabelecendo fundamentos para a responsabilização das forças estadunidenses pelo ataque.


As autoridades iranianas informaram que o bombardeio contra a escola feminina em Minab matou mais de 150 pessoas, entre elas aproximadamente 120 crianças. A dimensão das mortes evidencia o impacto do ataque sobre uma instituição destinada à educação e à proteção de estudantes, em um episódio que a missão das Nações Unidas classificou no âmbito dos crimes de guerra.


Em junho, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que “ninguém” havia atacado deliberadamente a escola feminina no Irã. A afirmação foi apresentada enquanto a Reuters já havia divulgado informações sobre uma investigação interna inicial estadunidense que apontava as próprias forças militares do país como responsáveis pelo ataque em Minab.


A divergência entre a declaração de Trump e os elementos identificados pela investigação da ONU coloca em questão a narrativa oficial estadunidense sobre o episódio. Enquanto o presidente negava a existência de um ataque deliberado, a missão internacional analisava a falta de atualização das informações sobre o alvo e a ausência de evidências que sustentassem seu uso militar.


Os investigadores das Nações Unidas determinaram que a escola era um alvo civil claramente identificável. A missão também informou não ter encontrado evidências de que o estabelecimento estivesse sendo utilizado para fins militares, afastando a justificativa de que o local poderia ter sido considerado uma instalação militar pelas forças atacantes.


A classificação do ataque como crime de guerra ocorre em um contexto de operações militares estadunidenses e israelenses contra o território iraniano. A investigação da ONU desloca a discussão da versão apresentada pelas autoridades responsáveis pelos bombardeios para a análise das obrigações de distinção entre alvos civis e militares, além da responsabilidade por danos causados à população.


A missão chegou a uma conclusão semelhante ao examinar o ataque contra o complexo esportivo de Lamerd. O episódio foi classificado como um ataque indiscriminado e um crime de guerra, com a avaliação de que a operação não respeitou a obrigação de distinguir entre objetivos militares e civis.


Segundo o relatório, o bombardeio contra o complexo esportivo provocou danos em edifícios residenciais próximos e em uma escola. O ataque deixou 22 vítimas civis, entre mortos e feridos, de acordo com as informações reunidas pela missão internacional de apuração de fatos.


O Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) havia declarado, na época do episódio, que suas forças não tinham atacado Lamerd, localizada na província de Fars, no sul do Irã, naquele dia. A posição do comando estadunidense contrasta com a conclusão apresentada pela comissão da ONU, que atribuiu ao ataque características de uma ação sem distinção adequada de alvos.


O relatório descreveu o episódio como um “ataque cego”, expressão utilizada para indicar uma operação que não diferencia de forma adequada os alvos militares dos objetos civis protegidos. A missão enfatizou que esse tipo de conduta constitui crime de guerra, considerando os danos provocados em áreas residenciais e nas proximidades de uma escola.


A comissão de inquérito deverá apresentar seu relatório ao Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas, em Genebra. A apresentação levará ao órgão da ONU as conclusões sobre os dois ataques, incluindo os elementos relacionados à identificação dos responsáveis, à natureza dos alvos e às consequências para a população civil iraniana.


O Conselho de Direitos Humanos da ONU já havia condenado por unanimidade o ataque estadunidense e israelense contra a escola primária em Minab, exigindo uma investigação imediata e a responsabilização pelos atos cometidos, conforme divulgado pela HispanTV. A nova avaliação da missão independente amplia o registro institucional das denúncias relacionadas às operações contra alvos civis iranianos.


Em 28 de fevereiro, os Estados Unidos e o regime israelense iniciaram uma agressão militar contra o Irã, em uma operação que, segundo as informações apresentadas no texto, resultou no martírio do Líder da Revolução Islâmica, o Aiatolá Seyed Ali Khamenei, além da morte de altos funcionários e de centenas de civis iranianos. Os ataques abriram uma nova etapa de confrontação militar na região, com consequências para a população e para as estruturas civis atingidas pelas operações.


Em resposta à agressão, o Irã lançou ataques retaliatórios no âmbito da operação Promessa Verdadeira 4, empregando mísseis e drones contra alvos israelenses nos territórios ocupados e contra bases e instalações militares dos Estados Unidos em diferentes pontos da região.

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