Confrontos no Haiti deixam vários mortos, feridos e famílias desabrigadas
- www.jornalclandestino.org

- 21 de abr.
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Confrontos entre gangues armadas deixaram mortos, feridos e centenas de deslocados na região de Plaine du Cul de Sac, ao norte de Porto Príncipe, capital do Haiti. A violência se intensificou ao longo de dois dias consecutivos, sem qualquer intervenção efetiva das forças estatais. A ausência da Polícia Nacional Haitiana e de unidades especializadas expôs a população civil a ataques diretos e forçou fugas em massa. Famílias abandonaram suas casas às pressas, muitas vezes a pé ou em motocicletas, levando apenas o que era possível carregar. O episódio evidencia o colapso institucional em um país historicamente submetido a intervenções externas e fragilização estrutural do Estado.

De acordo com relatos da imprensa local, os confrontos opõem uma coalizão de gangues formada por Chen Mechan, 400 Mawozo e Talibã contra o grupo armado conhecido como Pierre 6. A disputa pelo controle territorial ocorre em uma área considerada estratégica tanto pela proximidade com a capital quanto pelo potencial econômico. A ausência completa de forças de segurança na região - incluindo a Polícia Nacional Haitiana (HNP) e a Força de Repressão de Gangues (FRG) - permitiu a escalada dos combates e o avanço armado dessas facções sobre áreas civis.
A violência provocou a paralisação imediata da atividade econômica local. Empresas relevantes na região, como Brasserie Sejourné, Brasserie La Couronne e MSC Trading, mantiveram suas operações suspensas na segunda-feira (20), diante da impossibilidade de garantir segurança mínima para trabalhadores e instalações. A presença dessas empresas, responsáveis por geração de renda e circulação de capital, é apontada como um dos fatores que intensificam a disputa entre grupos armados pelo controle da área, transformando territórios urbanos em zonas de guerra informal.
Os confrontos ocorrem nas proximidades do Aeroporto Internacional Toussaint Louverture, principal porta de entrada do país, que permanece fechado ao tráfego internacional devido à deterioração das condições de segurança. Atualmente, apenas a companhia Sunrise Airways mantém voos domésticos limitados. Em comunicado, a empresa afirmou que “a segurança dos passageiros, tripulações e funcionários continua sendo sua prioridade”, indicando que monitora a situação em coordenação com autoridades locais, ainda que essas se mostrem incapazes de controlar o território.
No plano internacional, o Estado do Chade anunciou o envio de 1.500 soldados para atuar no Haiti, justificando a medida como parte de um esforço de “solidariedade internacional” diante de um país cuja estabilidade institucional está comprometida. Em 1º de abril de 2026, um primeiro contingente de 50 militares já havia sido deslocado para integrar a Força de Supressão de Gangues (GSF), iniciativa coordenada pela ONU que prevê alcançar um total de 5.500 soldados provenientes de diferentes países.
A presença de forças estrangeiras, sob a justificativa de estabilização, insere-se em um histórico de intervenções internacionais no Haiti que, ao longo de décadas, contribuíram para a desestruturação das instituições locais e a dependência externa. Enquanto isso, a população civil permanece exposta a uma crise humanitária crescente, marcada por deslocamentos forçados, colapso dos serviços básicos e suspensão da vida cotidiana na capital e em suas regiões periféricas.



































