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Contratada do governo dos EUA empregou líder neonazista em missões oficiais

Uma empresa de segurança contratada pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos empregou um dirigente supremacista branco em operações oficiais de combate a incêndios florestais. O caso envolve Ian Michael Elliott, liderança da organização neofascista Patriot Front, que participou de missões na costa oeste financiadas com recursos federais. As informações foram publicadas pelos jornalistas Wiley Cope e Sean Craig, do jornal britânico The Guardian. A Knight Division Tactical recebeu US$ 3,9 milhões em contratos públicos nos anos fiscais de 2024 e 2025 para prestar serviços ao Serviço Florestal estadunidense. A presença de Elliott foi comprovada por imagens divulgadas pela própria empresa e apagadas após questionamentos da imprensa.


Patriot Front ©CNN
Patriot Front ©CNN

Elliott, identificado como figura de alto escalão da Patriot Front, participou de “missões de ajuda humanitária” conduzidas pela Knight Division Tactical, incluindo operações em Eureka, na Califórnia, entre julho e outubro de 2025. Registros oficiais apontam dois contratos específicos no período: um de US$ 350.275,48, vigente de 17 de julho a 8 de agosto, e outro de US$ 681.230,50, executado entre 28 de agosto e 16 de outubro, ambos destinados a serviços de segurança. Em imagens publicadas no LinkedIn por um executivo da empresa, Elliott aparece uniformizado ao lado de outros agentes, tendo posteriormente elogiado a companhia com uma avaliação pública de “cinco estrelas”.


A Knight Division Tactical não respondeu aos pedidos de esclarecimento. Após contato do Guardian, a postagem com a imagem de Elliott foi removida. Em nota oficial, um porta-voz do Serviço Florestal declarou que empresas contratadas “gerenciam suas próprias contratações, verificações de antecedentes e supervisão de pessoal, independentemente da agência”, transferindo à terceirizada a responsabilidade por ter empregado um dirigente de uma organização neonazista.


A Patriot Front é conhecida por organizar marchas nacionalistas brancas militarizadas e difundir a ideologia da chamada “grande substituição”. Em 2023, cinco de seus integrantes foram condenados por planejar um ataque contra um evento do orgulho LGBTQIA+. Registros recentes mostram Elliott atuando como guarda-costas do fundador do grupo, Thomas Rousseau, e coordenando treinamentos paramilitares em um complexo de 49 hectares no Tennessee voltado à preparação para uma guerra racial. Ele também lidera a equipe Patria Gloria, voltada ao treinamento físico e de combate para militantes de extrema direita.


Para Jon Lewis, pesquisador do Programa sobre Extremismo da Universidade George Washington, a contratação não é um episódio isolado. Em declaração ao Guardian, ele afirmou: “Não é nenhuma surpresa que supremacistas brancos estejam sendo contratados por empresas terceirizadas do governo”. Lewis acrescentou que discursos racistas e xenófobos difundidos por setores políticos estadunidenses “encorajam grupos como a Patriot Front”, criando um ambiente institucional permissivo para sua atuação.


A Knight Division Tactical, registrada no estado de Wyoming em 2023 e com operações no Texas, promove recrutamento intensivo nas redes sociais, prometendo ganhos de até US$ 1.000 por dia e alegando operar como “empresa militar privada” com missões internacionais em países como Mongólia e Nigéria. A empresa também divulga conteúdos religiosos conservadores e vínculos com organizações tradicionalistas que defendem a “restauração da civilização europeia” e atacam feminismo e diversidade como “argumentos marxistas malignos”.


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