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Contratada do governo dos EUA empregou líder neonazista em missões oficiais

23 de fev.
2 min de leitura

Uma empresa de segurança contratada pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos empregou um dirigente supremacista branco em operações oficiais de combate a incêndios florestais. O caso envolve Ian Michael Elliott, liderança da organização neofascista Patriot Front, que participou de missões na costa oeste financiadas com recursos federais. As informações foram publicadas pelos jornalistas Wiley Cope e Sean Craig, do jornal britânico The Guardian. A Knight Division Tactical recebeu US$ 3,9 milhões em contratos públicos nos anos fiscais de 2024 e 2025 para prestar serviços ao Serviço Florestal estadunidense. A presença de Elliott foi comprovada por imagens divulgadas pela própria empresa e apagadas após questionamentos da imprensa.


Patriot Front ©CNN
Patriot Front ©CNN

Elliott, identificado como figura de alto escalão da Patriot Front, participou de “missões de ajuda humanitária” conduzidas pela Knight Division Tactical, incluindo operações em Eureka, na Califórnia, entre julho e outubro de 2025. Registros oficiais apontam dois contratos específicos no período: um de US$ 350.275,48, vigente de 17 de julho a 8 de agosto, e outro de US$ 681.230,50, executado entre 28 de agosto e 16 de outubro, ambos destinados a serviços de segurança. Em imagens publicadas no LinkedIn por um executivo da empresa, Elliott aparece uniformizado ao lado de outros agentes, tendo posteriormente elogiado a companhia com uma avaliação pública de “cinco estrelas”.


A Knight Division Tactical não respondeu aos pedidos de esclarecimento. Após contato do Guardian, a postagem com a imagem de Elliott foi removida. Em nota oficial, um porta-voz do Serviço Florestal declarou que empresas contratadas “gerenciam suas próprias contratações, verificações de antecedentes e supervisão de pessoal, independentemente da agência”, transferindo à terceirizada a responsabilidade por ter empregado um dirigente de uma organização neonazista.


A Patriot Front é conhecida por organizar marchas nacionalistas brancas militarizadas e difundir a ideologia da chamada “grande substituição”. Em 2023, cinco de seus integrantes foram condenados por planejar um ataque contra um evento do orgulho LGBTQIA+. Registros recentes mostram Elliott atuando como guarda-costas do fundador do grupo, Thomas Rousseau, e coordenando treinamentos paramilitares em um complexo de 49 hectares no Tennessee voltado à preparação para uma guerra racial. Ele também lidera a equipe Patria Gloria, voltada ao treinamento físico e de combate para militantes de extrema direita.


Para Jon Lewis, pesquisador do Programa sobre Extremismo da Universidade George Washington, a contratação não é um episódio isolado. Em declaração ao Guardian, ele afirmou: “Não é nenhuma surpresa que supremacistas brancos estejam sendo contratados por empresas terceirizadas do governo”. Lewis acrescentou que discursos racistas e xenófobos difundidos por setores políticos estadunidenses “encorajam grupos como a Patriot Front”, criando um ambiente institucional permissivo para sua atuação.


A Knight Division Tactical, registrada no estado de Wyoming em 2023 e com operações no Texas, promove recrutamento intensivo nas redes sociais, prometendo ganhos de até US$ 1.000 por dia e alegando operar como “empresa militar privada” com missões internacionais em países como Mongólia e Nigéria. A empresa também divulga conteúdos religiosos conservadores e vínculos com organizações tradicionalistas que defendem a “restauração da civilização europeia” e atacam feminismo e diversidade como “argumentos marxistas malignos”.


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