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Coreia do Norte acusa EUA e Coreia do Sul de preparar uso de armas de destruição em massa

há 1 hora
3 min de leitura

O Ministério da Defesa da Coreia do Norte acusou os Estados Unidos e a Coreia do Sul de preparar cenários para o uso de armas nucleares, químicas e biológicas contra Pyongyang. A acusação foi divulgada nesta quarta-feira (16) pela Agência Central de Notícias da Coreia (KCNA), em referência aos exercícios militares conjuntos realizados pelos dois países. Pyongyang afirmou que as atividades aumentam o risco de emprego de armas de destruição em massa na Península Coreana.


EUA realizam lançamento de teste do míssil Minuteman III ©DR
EUA realizam lançamento de teste do míssil Minuteman III ©DR

Em comunicado, o Ministério da Defesa afirmou que Washington e Seul estão utilizando a preparação para responder a possíveis ataques com armas de destruição em massa como justificativa para desenvolver capacidades militares voltadas contra a Coreia do Norte.


“Esta é uma declaração direta de confronto, visando o uso de armas nucleares, químicas e biológicas contra o nosso Estado em caso de guerra na Península Coreana e a aceleração dos preparativos para uma guerra real”, afirmou o órgão norte-coreano.

A declaração foi divulgada após uma reunião realizada em 10 de setembro pela Comissão EUA-Coreia do Sul sobre Resposta a Armas de Destruição em Massa. De acordo com Pyongyang, durante o encontro os dois países concordaram em ampliar o intercâmbio de informações, desenvolver capacidades de resposta conjunta e intensificar exercícios relacionados a esse tipo de ameaça.


O Ministério da Defesa norte-coreano afirmou que cenários envolvendo respostas ao emprego de armas de destruição em massa estão sendo praticados durante os exercícios militares conjuntos denominados Escudo da Liberdade. Para Pyongyang, a incorporação desses cenários às atividades militares amplia a possibilidade de preparação para operações envolvendo armas nucleares, químicas e biológicas.


O órgão também acusou os Estados Unidos de manter atividades militares e biológicas em instalações localizadas em diferentes regiões do mundo e de destinar recursos para o desenvolvimento, teste e utilização de armas químicas e biológicas.


Segundo a declaração norte-coreana, as advertências de Washington sobre os riscos relacionados às armas de destruição em massa de outros Estados são utilizadas como justificativa para o avanço das próprias capacidades militares estadunidenses. Pyongyang sustenta que a estrutura de exercícios e cooperação entre Washington e Seul deve ser analisada como parte da preparação militar na Península Coreana.


O Ministério da Defesa advertiu que as ações dos Estados Unidos e da Coreia do Sul serão incorporadas à avaliação das ameaças enfrentadas pela República Popular Democrática da Coreia. As Forças Armadas norte-coreanas, segundo o comunicado, continuarão acompanhando as atividades militares de Washington e de seus aliados.


Pyongyang também mencionou a legislação norte-coreana sobre a política das forças armadas nucleares estatais. A norma, aprovada em 2022, estabelece circunstâncias nas quais o país pode recorrer ao arsenal nuclear.


A legislação prevê o emprego de armas nucleares diante de um ataque contra a liderança do país ou contra o sistema de comando e controle das forças nucleares. O texto também contempla situações nas quais exista ameaça de utilização de armas nucleares ou de outras armas de destruição em massa contra a Coreia do Norte.


A mesma lei prevê o emprego das forças nucleares diante de uma ameaça de ataque contra instalações estratégicas consideradas importantes para o Estado. Em determinadas circunstâncias, o texto estabelece ainda a possibilidade de lançamento automático de um ataque nuclear, conforme um plano previamente aprovado, caso um ataque coloque em risco o sistema de controle das forças nucleares.


A disputa militar na Península Coreana ocorre em um cenário no qual os exercícios conjuntos entre Estados Unidos e Coreia do Sul são utilizados por Washington e Seul como parte de seus mecanismos de preparação militar, enquanto Pyongyang os considera uma ameaça à sua segurança. Em 10 de setembro, os dois países anunciaram medidas para ampliar o compartilhamento de informações sobre armas de destruição em massa, as capacidades de resposta conjunta e o treinamento de suas forças.


O comunicado norte-coreano coloca os exercícios Escudo da Liberdade no centro da acusação de que a preparação militar estadunidense e sul-coreana passou a incluir cenários de resposta envolvendo armas nucleares, químicas e biológicas, enquanto Pyongyang mantém sua legislação nuclear como mecanismo de resposta a ameaças dessa natureza.

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