Crise no Oriente Médio agrava fome nos países mais vulneráveis
- www.jornalclandestino.org

- 11 de jun.
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Milhões de pessoas em países da África e da Ásia enfrentam agravamento da insegurança alimentar em decorrência da crise que atravessa o Oriente Médio e dos impactos provocados sobre os mercados internacionais de energia e alimentos. Um relatório divulgado em 9 de junho de 2026 pelo Programa Alimentar Mundial (PAM/WFP) aponta que a alta dos preços do petróleo, as perturbações comerciais e a redução da capacidade de resposta humanitária estão empurrando populações para a fome aguda. Os dados indicam que previsões feitas pela agência das Nações Unidas em março começam a se materializar nos países mais expostos às oscilações da economia global.

No documento intitulado “Segurança alimentar sob pressão: Como a crise no Oriente Médio está a impactar países vulneráveis”, o PAM analisa os efeitos da crise internacional sobre a Somália, o Afeganistão e o Sri Lanka. O relatório demonstra que os efeitos econômicos das tensões no Oriente Médio ultrapassam as fronteiras da região e atingem países cuja dependência de importações de alimentos, combustíveis e fertilizantes os torna vulneráveis a choques externos.
Segundo o PAM, mais de 6 milhões de pessoas nesses três países já enfrentam dificuldades para atender necessidades alimentares básicas. A Somália concentra 2,5 milhões de pessoas nessa situação. O Afeganistão registra 2,3 milhões. No Sri Lanka, o número alcança 1,3 milhão.
O relatório associa o avanço da fome à combinação entre aumento dos preços dos combustíveis, encarecimento dos alimentos, perda de renda das famílias e interrupções em cadeias comerciais internacionais. Em economias marcadas por dependência de importações e limitações estruturais, essas pressões ampliam o risco de insegurança alimentar e reduzem a capacidade de sobrevivência dos setores de menor renda.
A análise foi divulgada em um momento em que o Oriente Médio permanece no centro de disputas militares e bloqueios que afetam rotas comerciais e mercados energéticos globais. O PAM destaca que os custos do petróleo exercem influência direta sobre o transporte de mercadorias, a produção agrícola, os preços dos fertilizantes e a distribuição de ajuda humanitária.
O diretor do Serviço de Análise de Segurança Alimentar e Nutrição do PAM, Jean-Martin Bauer, afirmou que os números registrados confirmam projeções elaboradas pela agência no início de 2026. Em março, o organismo havia alertado que até 45 milhões de pessoas poderiam ingressar em situação de insegurança alimentar aguda caso a crise regional persistisse.
Ao comentar os dados atualizados, Bauer declarou que “a crise poderia empurrar milhões de pessoas adicionais para a fome. Agora estamos a vê-lo acontecer em tempo real”. O representante do PAM acrescentou que “em muitos casos, as famílias mais pobres do mundo, longe do epicentro da crise, são as mais afetadas”.
Segundo o relatório, novos grupos populacionais estão ingressando em situações de insegurança alimentar. Entre eles aparecem moradores de áreas urbanas com baixa renda e comunidades rurais submetidas à exclusão econômica. O documento cita os pastores somalis como um dos segmentos atingidos pela deterioração das condições econômicas.
O PAM aponta que países submetidos a conflitos armados, eventos climáticos, endividamento, dependência de importações e fragilidade econômica apresentam maior exposição aos efeitos da crise internacional. A combinação desses fatores reduz a capacidade dos governos de absorver aumentos de preços e garantir abastecimento alimentar.
A agência das Nações Unidas também alerta para os impactos sobre o próprio sistema humanitário internacional. O aumento dos custos operacionais, associado à redução dos recursos disponíveis, afeta programas de assistência em diferentes regiões do mundo.
De acordo com as estimativas do PAM, em 2026 a organização atenderá 1,5 milhão de pessoas a menos do que previa inicialmente. A redução ocorre em um cenário de crescimento das necessidades humanitárias e aumento do número de pessoas dependentes de ajuda alimentar.
Jean-Martin Bauer afirmou que os efeitos econômicos da crise não desaparecerão mesmo em caso de interrupção imediata das hostilidades no Oriente Médio. Segundo ele, “mesmo que o conflito terminasse hoje, já foram causados danos irreversíveis e o impacto nos preços, nos meios de subsistência e nas operações humanitárias continuará a fazer-se sentir durante muito tempo”.
O relatório informa que a continuidade da crise ameaça comprometer a assistência alimentar destinada a mais de 9 milhões de pessoas nos próximos meses. O PAM alerta que a combinação entre aumento dos preços, redução de financiamento humanitário e deterioração das condições econômicas poderá empurrar parcelas adicionais da população para situações de fome aguda em países que já enfrentam dificuldades para garantir alimentação básica a milhões de habitantes.












































