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De Gaza ao Líbano, agências relatam trauma infantil diário

O Fundo das Nações Unidas para a Infância afirma que a violência em Gaza e no Líbano mantém crianças em situação de morte, deslocamento e adoecimento. A agência registra que o chamado cessar-fogo não interrompeu ataques nem a produção de vítimas civis. O Escritório de Coordenação de Assuntos Humanitários da ONU afirma que poucos dias de guerra geram meses ou anos de operações no terreno.


Unicef/Fouad Choufany ONU diz que dois dias deste tipo de guerra traduzem-se em meses, por vezes anos, de operações humanitárias no terreno
Unicef/Fouad Choufany ONU diz que dois dias deste tipo de guerra traduzem-se em meses, por vezes anos, de operações humanitárias no terreno

O Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, divulgou em 19 de junho de 2026 que o cenário em Gaza e no Líbano mantém crianças expostas a morte, ferimentos e deslocamento forçado. O porta-voz da agência, James Elder, afirmou que 265 crianças palestinas foram mortas nos últimos oito meses, desde a pausa nos combates anunciada em outubro de 2025, o que corresponde a média de uma por dia. O mesmo período registra 400 crianças feridas, com lesões permanentes em parte dos casos.


O Unicef afirma que crianças são atingidas em casas, escolas, abrigos, áreas de lazer, com uso de bombardeios, disparos e drones armados. O órgão declara que o termo cessar-fogo não corresponde à situação no território e que o quadro representa uma “ilusão cruel e mortal”, segundo a formulação divulgada pela agência. James Elder afirma: “o debate não deve ser mais sobre a qualidade do cessar-fogo, mas sobre a credibilidade de chamá-lo por esse nome”.

O relatório indica que 1,9 milhão de pessoas foram deslocadas na Faixa de Gaza desde os ataques de 7 de outubro de 2023, com parte da população deslocada mais de uma vez. O documento registra 1,2 milhão de famílias sem moradia após destruição de habitações. A Organização Mundial da Saúde informa colapso do sistema hospitalar no território. O Unicef estima que até 1,1 milhão de crianças estão em risco de doenças em contexto de falta de água potável.


O subsecretário-geral da ONU para Assuntos Humanitários, Tom Fletcher, afirmou ao Conselho de Segurança que a população palestina permanece sem acesso a segurança, abrigo, água, saúde e educação. O Escritório de Coordenação de Assuntos Humanitários da ONU, Ocha, por meio do porta-voz Jens Laerke, declarou que “é infinitamente mais fácil e rápido ferir pessoas e infligir danos do que restaurar os meios de subsistência, devolvê-las às suas casas e alimentá-las. Apenas um ou dois dias deste tipo de guerra traduzem-se em meses, por vezes anos, de operações humanitárias no terreno”.


No Líbano, o Unicef registra mais de 770 mil crianças com estresse psicológico associado à exposição contínua a violência, perdas familiares e deslocamentos. O órgão descreve dificuldades de sono, alimentação e interação social em meio à falta de água e aumento de infecções de pele em áreas de deslocados.


O relatório menciona escalada de violência no sul do Líbano entre forças israelenses e o grupo Hezbollah. Ataques aéreos recentes deixaram pelo menos 18 mortos, segundo dados apresentados pela ONU. O Unicef indica que o impacto sobre crianças no território libanês se mantém após repetidas ondas de deslocamento.


O documento também registra que após os ataques de 7 de outubro de 2023 liderados pelo Hamas contra Israel, foram contabilizados 1,9 milhão de deslocados em Gaza e 1,2 milhão de famílias sem habitação, em cenário de interrupção de serviços básicos e colapso hospitalar segundo a Organização Mundial da Saúde.

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