Estudantes da USP, Unicamp e Unesp ampliam greve por permanência estudantil
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- 18 de mai.
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Estudantes da USP, Unicamp e Unesp ampliaram a greve iniciada há mais de um mês contra cortes, terceirização e crise de permanência estudantil nas universidades públicas paulistas. A mobilização convocou uma marcha para 20 de maio até o Palácio dos Bandeirantes, sede do governo de Tarcísio de Freitas, para exigir ampliação do financiamento público e denunciar o avanço da precarização da educação estadual. O movimento também reagiu à repressão policial na USP e a projetos apresentados por parlamentares ligados ao MBL para punir estudantes envolvidos em ocupações universitárias.

A paralisação começou na Universidade de São Paulo e se expandiu para a Universidade Estadual de Campinas e para unidades da Universidade Estadual Paulista. As reivindicações centrais envolvem moradia estudantil, reajuste de bolsas de permanência, contratação de funcionários concursados, financiamento das universidades e combate à terceirização de serviços internos.
Na capital paulista, os estudantes organizam uma marcha para quarta-feira, 20 de maio, com concentração na Cidade Universitária da USP e caminhada até o Palácio dos Bandeirantes. O objetivo é pressionar o governo estadual e o Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas, o Cruesp, por aumento de investimentos e revisão da política orçamentária aplicada às três instituições.
Em entrevista ao Brasil de Fato, Pedro Chiquitti, estudante de História e diretor do Diretório Central dos Estudantes da USP, afirmou que a reitoria manteve postura unilateral durante as negociações abertas após o início da greve.
“Apesar de duas mesas de negociação, as decisões da reitoria têm sido bastante unilaterais”, declarou.
O impasse na USP se agravou após a operação da Polícia Militar realizada em 10 de maio para desocupar o prédio da reitoria. A ação terminou com quatro estudantes detidos e manifestantes feridos. Segundo Chiquitti, a administração da universidade permaneceu quinze dias sem responder formalmente aos pedidos apresentados pela assessoria jurídica dos estudantes.
“Até hoje, estamos há 15 dias sem nenhum tipo de comunicado da reitoria, mesmo tendo solicitado via assessoria jurídica e apelado para todos os meios formais”, afirmou.
Após pressão de docentes que assinaram cartas de apoio à greve, a USP anunciou em 13 de maio a criação de uma Comissão de Resolução de Conflitos para retomar negociações. O movimento estudantil declarou desconfiança sobre a medida e relacionou a iniciativa ao desgaste provocado pela operação policial e pela repercussão pública das detenções.
Os estudantes também denunciam ofensivas legislativas articuladas por deputados estaduais ligados ao Movimento Brasil Livre. O projeto apresentado prevê expulsão ou impedimento de matrícula para estudantes que participarem de ocupações em instituições públicas de ensino superior.
Na Unicamp, ao menos 20 cursos aderiram à greve. Entre os cursos paralisados estão História, Ciências Sociais, Filosofia, Artes Cênicas e setores das áreas de Saúde e Exatas. O movimento se concentra no campus de Barão Geraldo, em Campinas, onde estudantes denunciam superlotação da moradia universitária, problemas de manutenção e congelamento dos auxílios estudantis diante do aumento do custo de vida.
Segundo o comando de greve da universidade, a situação da moradia estudantil se tornou um dos principais fatores de adesão à paralisação. Os estudantes também criticam a substituição de trabalhadores concursados por empresas terceirizadas em setores como limpeza e Restaurante Universitário.
O movimento exige abertura de concursos públicos, ampliação das bolsas de auxílio-permanência e revisão das políticas de terceirização. Os estudantes afirmam que o modelo adotado pela administração transfere recursos públicos para empresas privadas e altera as condições de trabalho dentro da universidade.
A reitoria da Unicamp informou ao Brasil de Fato que não possui “balanço oficial” sobre os cursos paralisados, mas declarou que as atividades administrativas e de pesquisa seguem em funcionamento. A administração central também informou que haverá reunião em 18 de maio entre representantes da reitoria e lideranças estudantis.
A universidade anunciou a compra de um terreno de 44 mil metros quadrados em Barão Geraldo por R$ 20 milhões para expansão do programa de moradia estudantil. Segundo a reitoria, o projeto representa a maior ampliação da estrutura habitacional universitária da história da instituição.
Na Unesp, a greve atingiu campi de Bauru, Marília e o Instituto de Artes, na capital paulista. Os estudantes denunciam insuficiência dos auxílios estudantis diante do custo de vida nas cidades universitárias e relacionam o problema à política de financiamento aplicada pelo governo estadual.
Em Bauru, cursos da Faculdade de Arquitetura, Artes, Comunicação e Design e da Faculdade de Ciências interromperam atividades. Os estudantes afirmam que o valor do auxílio-aluguel não cobre despesas básicas de moradia, levando alunos a abandonar a graduação.
Em Marília, assembleias da Faculdade de Filosofia e Ciências passaram a discutir o impacto de cortes orçamentários sobre pesquisa e extensão universitária. No Instituto de Artes da Unesp, estudantes e parte dos docentes cobram reformas estruturais no prédio, denunciando infiltrações e ausência de equipamentos para aulas práticas.
Os comandos de greve das três universidades passaram a atuar de forma unificada para pressionar o Cruesp e reivindicar revisão do modelo de repasse do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços, principal fonte de financiamento das universidades estaduais paulistas. O movimento afirma que a expansão de vagas nas últimas décadas ocorreu sem aumento proporcional dos investimentos em permanência estudantil e infraestrutura.
Pedro Chiquitti afirmou ao Brasil de Fato que a greve assumiu dimensão política diante da política orçamentária do governo paulista.
“A greve toma contornos políticos na luta por orçamento e de enfrentamento direto ao processo de precarização levado a cabo pelo governo do estado”, declarou.
A Unesp informou que destinou R$ 110,7 milhões em 2026 para políticas de permanência estudantil. Segundo a universidade, 7.746 estudantes receberam algum tipo de auxílio em 2025, número correspondente a mais de 20% dos graduandos da instituição.
A universidade declarou que 17 unidades possuem restaurantes universitários e reconheceu a necessidade de ampliar recursos diante da repactuação tributária relacionada ao ICMS. A administração também informou que o orçamento de 2026 foi elaborado com déficit de R$ 189 milhões, coberto por superávit financeiro, com despesas previstas em R$ 4,98 bilhões e receitas de R$ 4,79 bilhões.
A reitoria da USP limitou-se a informar que seus posicionamentos estão registrados em notas oficiais publicadas no portal institucional. A universidade declarou que não faria novas manifestações sobre a greve.
Em comunicados divulgados após a operação policial de 10 de maio, a USP justificou a reintegração de posse da reitoria alegando necessidade de “garantir o livre acesso de pessoas ao edifício”. A administração também anunciou a criação de uma Comissão de Moderação e Diálogo Institucional para discutir reivindicações estudantis e tratar da “normalização da vida acadêmica”.
Em 14 de maio, o Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas divulgou nota pública “em defesa do pluralismo, diversidade de opiniões e do espírito democrático e republicano”. O documento repudiou episódios de violência registrados durante as mobilizações, mas não mencionou diretamente a atuação da Polícia Militar na operação realizada dentro da USP.



































