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Flávio Bolsonaro ataca o Intercept Brasil no STF e no TSE, após vazamento de áudio

O Intercept Brasil afirmou em 14 de maio que aliados de Flávio Bolsonaro acionaram o Supremo Tribunal Federal e o Tribunal Superior Eleitoral após a divulgação de reportagens sobre negociações entre o senador e o banqueiro Daniel Vorcaro. O deputado federal Helio Lopes (PL-RJ), aliado da família Bolsonaro, solicitou investigações sobre os “vazamentos seletivos” publicados pelo veículo e pediu apuração de “eventual responsabilidade criminal, funcional ou administrativa”. A iniciativa ocorreu um dia depois da publicação de uma investigação que expôs tratativas envolvendo R$ 134 milhões destinados à produção de um filme sobre Jair Bolsonaro.


Foto: Daniel RAMALHO / AFP via Getty Images
Foto: Daniel RAMALHO / AFP via Getty Images

Em comunicado assinado pelos jornalistas Andrew Fishman e Cecília Olliveira, o Intercept Brasil classificou a movimentação judicial como tentativa de censura contra o trabalho jornalístico e contra fontes envolvidas na apuração. O texto afirma que Helio Lopes encaminhou ofícios ao Supremo Tribunal Federal e ao Tribunal Superior Eleitoral na quinta-feira, 14 de maio, além de acionar o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, indicado ao STF por Jair Bolsonaro durante seu governo.


Segundo o Intercept, a ofensiva política e judicial ocorreu após a divulgação de uma investigação exclusiva sobre as relações entre Flávio Bolsonaro, senador pelo PL do Rio de Janeiro, e Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. A reportagem apontou que Flávio negociou com Vorcaro o montante de R$ 134 milhões para financiar a produção do filme “Dark Horse”, obra sobre Jair Bolsonaro.


O veículo afirmou que a tentativa de judicialização busca interromper a divulgação de novos conteúdos relacionados ao caso e intimidar pessoas que forneceram informações para a investigação. “Recorrer ao STF e ao TSE é uma estratégia para calar nossa investigação e assustar nossas fontes”, declarou o Intercept no comunicado publicado em 14 de maio.


A publicação também relacionou o episódio ao histórico de pressão política exercida contra veículos de imprensa que divulgam informações envolvendo figuras centrais do bolsonarismo e setores do capital financeiro ligados ao Estado brasileiro. O texto sustenta que a reação de aliados de Flávio Bolsonaro ocorreu após a repercussão das revelações sobre contratos milionários envolvendo o senador e Daniel Vorcaro.


Andrew Fishman e Cecília Olliveira afirmaram que o pedido apresentado por Helio Lopes representa “uma escalada” contra a liberdade de imprensa prevista na Constituição. “Trata-se de uma escalada extremamente grave e seria uma violação flagrante de nossos direitos constitucionais à liberdade de imprensa”, escreveu o veículo.


O comunicado informou que o Intercept pretende recorrer ao Supremo Tribunal Federal e ao Tribunal Superior Eleitoral para contestar qualquer medida que possa restringir a publicação das reportagens. O veículo declarou que pretende contratar advogados para defender tanto a atuação jornalística quanto o direito da população de acessar informações sobre autoridades públicas e suas relações com empresários envolvidos em investigações.


“Precisamos ir ao STF e ao TSE e defender o direito do público de os brasileiros saberem o que autoridades eleitas, como o senador Flávio Bolsonaro, fazem e dizem em particular quando se trata de contratos milionários com vigaristas que roubam dinheiro público”, afirmou o texto divulgado pelo Intercept.

A publicação também declarou que novas informações obtidas nos arquivos da investigação ainda não foram divulgadas e podem ser afetadas por eventual decisão judicial. “Se eles conseguirem uma ordem de censura, poderemos ser obrigados a interromper a divulgação do que estamos trabalhando no momento”, escreveram os jornalistas.


No comunicado, o Intercept Brasil solicitou apoio financeiro para custear despesas jurídicas e manter a continuidade das reportagens sobre o caso envolvendo Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro.

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