Haiti atinge recorde de 1,5 milhão de deslocados com escalada da violência
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O Haiti alcançou a marca de 1,5 milhão de pessoas deslocadas internamente em consequência da violência armada, segundo relatório divulgado pela Organização Internacional para as Migrações (OIM) em 5 de junho. Mais da metade dessa população é composta por mulheres e meninas que abandonaram suas casas diante da expansão dos confrontos em diferentes regiões do país. A agência das Nações Unidas afirma que a crise humanitária entrou em uma nova etapa enquanto o deslocamento se espalha para áreas urbanas e rurais que até então permaneciam fora dos principais focos de violência.

Os dados apresentados pela OIM mostram um aumento contínuo do número de pessoas obrigadas a deixar suas residências em um país que enfrenta instabilidade política, colapso institucional e deterioração das condições econômicas. O relatório indica que sucessivas ondas de deslocamento forçado elevaram o total de pessoas vivendo fora de suas casas ao maior nível já registrado pela organização no Haiti.
O chefe da missão da OIM no país, Gregoire Goodstein, afirmou que “a crise de deslocamento entra agora numa fase ainda mais alarmante”. Segundo ele, a expansão da violência para novas localidades amplia o número de famílias afetadas e reduz as opções de refúgio disponíveis para a população.
A situação tornou-se mais grave após novos episódios de violência em Cité Soleil, considerada a maior favela da região metropolitana de Porto Príncipe. No mês anterior, a OIM informou que cerca de 18 mil pessoas foram obrigadas a abandonar suas residências devido aos confrontos registrados na área. Como resultado, o número de deslocados apenas na região da capital ultrapassou 300 mil pessoas.
Gregoire Goodstein declarou que “à medida que a violência se espalha para áreas antes consideradas seguras, cada vez mais pessoas são forçadas a fugir repetidamente, muitas vezes sem terem para onde ir”. A declaração foi divulgada junto ao relatório da agência humanitária.
Segundo a OIM, os ataques armados registrados nos últimos meses passaram a atingir comunidades que acolhem pessoas deslocadas, ampliando a pressão sobre estruturas já incapazes de atender à demanda crescente por moradia, alimentação, saúde e saneamento. O documento aponta que muitas famílias deslocadas são obrigadas a mudar de local diversas vezes diante da continuidade dos confrontos.
A crise atual ocorre em um país submetido há décadas a ciclos de intervenção externa, ocupações militares, ingerência política estrangeira e operações internacionais que não solucionaram os problemas estruturais relacionados à pobreza, à fragilidade institucional e à dependência econômica. A ocupação militar liderada pelas Nações Unidas entre 2004 e 2017, assim como sucessivas intervenções patrocinadas por potências estrangeiras, deixou um legado de instabilidade política que continua influenciando o cenário haitiano.
O relatório da OIM destaca que mais de 110 mil haitianos foram obrigados a retornar ao país desde o início de 2026. Entre os repatriados estão crianças, pessoas com deficiência, mulheres grávidas e famílias chefiadas por mulheres.
Segundo a agência, muitos desses cidadãos chegam ao Haiti sem recursos financeiros e encontram poucas possibilidades de assistência. Em diversos casos, o retorno ocorre para comunidades já afetadas pela violência armada ou para áreas sob influência de grupos armados, o que amplia sua vulnerabilidade.
A OIM também alertou para os riscos associados ao início da temporada de furacões no Atlântico. A combinação entre deslocamento em massa, destruição de infraestrutura e eventos climáticos pode agravar a situação de centenas de milhares de pessoas que vivem em abrigos improvisados ou em assentamentos temporários.
O relatório afirma que enchentes, tempestades tropicais e outros eventos meteorológicos podem provocar novos deslocamentos e ampliar a demanda por ajuda humanitária. A preocupação da agência concentra-se especialmente em regiões onde serviços públicos, habitações e estruturas de proteção civil apresentam limitações para responder a emergências simultâneas.
Em meio ao avanço da crise, a OIM informou que continua atuando em áreas afetadas pela violência por meio da distribuição de abrigos de emergência, atendimento médico, apoio psicossocial, serviços de água, saneamento e higiene, fornecimento de bens essenciais e assistência a comunidades deslocadas.
Fonte: Organização Internacional para as Migrações (OIM), ONU News, 5 de junho de 2026.



































