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Investigação suspeita de 'utilização indireta de recursos públicos' para financiar filme de Bolsonaro

A Polícia Civil de São Paulo realizou nesta segunda-feira (1º) operações de busca e apreensão contra três organizações controladas por Karina Ferreira da Gama, sócia da produtora responsável pelo filme "Dark Horse", produção que retrata a trajetória política de Jair Bolsonaro. A investigação tem como foco principal um contrato firmado entre a Prefeitura de São Paulo e o Instituto Conhecer Brasil (ICB), organização não governamental dirigida por Karina, para instalação de pontos de acesso à internet sem fio. Os investigadores apuram se recursos públicos recebidos pela entidade podem ter sido utilizados de forma indireta no financiamento da produção audiovisual.


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As medidas judiciais atingiram a empresa Go Up, o Instituto Conhecer Brasil (ICB) e a Go 7 Assessoria. Embora a investigação esteja concentrada no contrato relacionado à instalação de Wi-Fi, a produtora vinculada ao filme também foi incluída entre os alvos das buscas.


Segundo informações já divulgadas pelo g1, tanto o ICB quanto a empresa ligada à produção de "Dark Horse" mantêm registros formais no mesmo endereço localizado na Avenida Paulista. Entretanto, ambas passaram a operar fisicamente em imóveis situados na Rua Haddock Lobo, no bairro dos Jardins, sem que a alteração tivesse sido atualizada nos registros estaduais e federais.


A inclusão de todas as empresas controladas por Karina Ferreira da Gama decorre de decisão judicial que acolheu argumentos apresentados pela Polícia Civil sobre a necessidade de examinar os fluxos financeiros das organizações e apurar possíveis indícios de confusão patrimonial entre elas.


Em decisão obtida pela imprensa, a Justiça registra que, durante a vigência do contrato administrativo e dos repasses públicos destinados ao Instituto Conhecer Brasil, a investigada teria iniciado a produção do longa-metragem "Dark Horse". O documento menciona que o custo estimado da obra varia entre R$ 8 milhões e R$ 20 milhões.


O texto da decisão afirma: “Durante o período de vigência do contrato administrativo e dos repasses públicos milionários ao Instituto Conhecer Brasil, a investigada teria iniciado a produção de longa-metragem denominado ‘Dark Horse’, cujo custo estimado variaria entre R$ 8 milhões e R$ 20 milhões, havendo suspeitas de utilização indireta de recursos públicos oriundos do programa municipal para financiamento da produção audiovisual”.

De acordo com a Polícia Civil, os elementos reunidos até o momento apontam para a necessidade de aprofundar a apuração sobre possível desvio de finalidade na aplicação dos recursos públicos. Os investigadores também buscam esclarecer se existe relação entre o recebimento de verbas municipais pela organização e o início da produção cinematográfica.


A representação policial sustenta que há indícios de desvio de finalidade e de confusão patrimonial envolvendo Karina Ferreira da Gama e a empresa Go Up Entertainment Ltda., produtora cinematográfica sob seu controle. Os investigadores pretendem verificar se recursos vinculados ao contrato público podem ter sido empregados, ainda que de forma indireta, em atividades relacionadas ao filme.


A decisão judicial foi assinada pelo juiz Guilherme Eduardo Martins Kellner. No documento, o magistrado autorizou os agentes responsáveis pelas diligências a abrirem compartimentos fechados, incluindo cofres, armários, caixas, depósitos e gavetas trancadas, caso houvesse recusa à abertura voluntária pelos responsáveis pelos locais vistoriados.


O juiz também autorizou o acesso integral ao conteúdo de equipamentos eletrônicos eventualmente apreendidos durante a operação. A medida inclui extração e espelhamento de dados armazenados em celulares, computadores e outros dispositivos digitais.


A autorização judicial abrange comunicações telefônicas, mensagens trocadas por aplicativos, dados de geolocalização, registros de correio eletrônico e arquivos mantidos em serviços de armazenamento em nuvem vinculados aos aparelhos recolhidos durante as buscas.


As diligências integram a chamada Operação Wi-Fi, conduzida pela Polícia Civil de São Paulo para investigar possíveis irregularidades relacionadas ao contrato firmado entre a Prefeitura de São Paulo e o Instituto Conhecer Brasil.

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