Irã suspende negociações e acusa EUA de sabotagem diplomática
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- 20 de abr.
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O governo do Irã anunciou nesta segunda-feira, 20 de abril, que não pretende participar de novas negociações com os Estados Unidos. A decisão foi comunicada pelo porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmail Baqai, durante coletiva de imprensa em Teerã. Segundo ele, não há qualquer planejamento para uma nova rodada de diálogo no momento. Baqai atribuiu a paralisação à “falta de seriedade” da diplomacia estadunidense.

“Até o momento, não temos nenhum plano para a próxima rodada de negociações, nem qualquer decisão foi tomada a esse respeito”, afirmou Baqai, ao reforçar que a posição iraniana responde a um histórico recente de ações consideradas hostis por parte de Washington. O porta-voz acusou diretamente o governo estadunidense de manter um discurso público favorável ao diálogo enquanto, na prática, adota medidas que minam qualquer processo diplomático consistente.
De acordo com Baqai, a ruptura de confiança não é episódica, mas resultado de uma sequência de episódios ocorridos ao longo de 2025 e início de 2026. “Em menos de nove meses, Washington atacou duas vezes a integridade do Irã, em meio a negociações, violando o direito internacional, causando o martírio de dignitários e cidadãos e danificando o patrimônio nacional”, declarou. A fala remete a operações militares conduzidas durante períodos de negociação, o que, segundo Teerã, caracteriza uma estratégia deliberada de pressão e coerção.
O diplomata afirmou ainda que o aparato estatal iraniano passou a monitorar com maior rigor qualquer tentativa de reaproximação diplomática. Segundo ele, a vigilância não é apenas uma resposta política, mas uma necessidade estratégica diante do que classificou como “conspirações inimigas” no campo diplomático. A posição indica uma mudança de postura em relação a ciclos anteriores de negociação, marcados por maior flexibilidade iraniana.
Outro ponto central da crítica iraniana diz respeito ao que Baqai classificou como violação de compromissos internacionais por parte dos Estados Unidos, incluindo acordos relacionados ao Líbano. Ele também denunciou a tentativa de imposição de um bloqueio marítimo contra o Irã, que culminou em um incidente envolvendo um navio comercial iraniano. Para Teerã, esse episódio constitui um “ato de agressão” direto, reforçando a leitura de que Washington utiliza instrumentos militares para impor sua agenda política.
“Os EUA, ao adotarem posições contraditórias e violarem repetidamente os termos do cessar-fogo, demonstram falta de compromisso com o processo diplomático”, afirmou Baqai, apontando uma contradição estrutural entre discurso e prática da política externa estadunidense.
No campo regional, o Irã responsabilizou diretamente os Estados Unidos e seus aliados pela deterioração da segurança no Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de transporte de petróleo do mundo. Baqai afirmou que, até 28 de fevereiro de 2026, a região “gozava de total segurança”, sugerindo que a escalada recente está diretamente ligada à intensificação das operações militares estrangeiras.
“Portanto, a comunidade internacional deve exigir que esses atores sejam responsabilizados pela desestabilização e impedir a inversão dos papéis de ‘agressor’ e ‘vítima’”, declarou.



































