Lula firma acordos com Alemanha e Espanha em minerais, IA e energia
- www.jornalclandestino.org

- 21 de abr.
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O presidente Lula afirmou que o Brasil não abrirá mão do controle sobre suas riquezas minerais ao firmar novos acordos internacionais com países europeus. A declaração foi feita durante agenda oficial na Alemanha e na Espanha, onde o governo brasileiro fechou parcerias estratégicas em setores como minerais críticos, inteligência artificial e transição energética. As negociações ocorrem em meio à entrada em vigor do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia, prevista para 1º de maio. O pacote de cooperação prevê impactos imediatos na redução de tarifas para centenas de produtos comercializados entre os blocos. As iniciativas reforçam a estratégia do governo brasileiro de ampliar inserção internacional sem abrir mão de controle soberano sobre recursos estratégicos.

Em discurso político-econômico alinhado à defesa da soberania nacional, Lula afirmou que “ninguém, a não ser o Brasil, será dono da nossa riqueza mineral”, ao destacar que o país está aberto a parcerias, mas não à transferência de controle sobre seus recursos estratégicos. Segundo ele, o processo de transformação produtiva e tecnológica deve ocorrer dentro do território brasileiro, com domínio nacional sobre cadeias de valor. A declaração foi feita em meio à intensificação de acordos com países europeus e à consolidação de uma agenda de cooperação que envolve energia, tecnologia e mineração.
Na Espanha, o principal acordo foi firmado na última sexta-feira (17), com a assinatura de um Memorando de Entendimento sobre Minerais Críticos. O pacto abrange toda a cadeia produtiva, incluindo exploração, refino, reciclagem e inovação tecnológica, com foco em garantir o fornecimento de insumos essenciais para baterias e sistemas de energia renovável. O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, afirmou que o acordo “abre novas oportunidades para o Brasil avançar na industrialização e no uso sustentável de seus recursos minerais”, reforçando a centralidade estratégica do setor mineral na nova fase de integração econômica.
Ainda em território espanhol, o presidente do governo, Pedro Sánchez, defendeu a aproximação entre os blocos ao afirmar que o Brasil demonstra ser possível combinar crescimento econômico com redução de desigualdades. Sánchez declarou: “Hoje, a Espanha não só está de acordo com este caminho. Quer ir junto e ajudar a ampliá-lo dos dois lados do Atlântico”, em referência à intensificação das relações entre América do Sul e Europa em um contexto de reorganização das cadeias globais de produção.
Na Alemanha, durante participação na Feira de Hanôver 2026 nesta segunda-feira (20), Lula apresentou a matriz elétrica brasileira como um diferencial competitivo internacional, destacando que cerca de 90% da energia do país é proveniente de fontes renováveis. O governo brasileiro buscou posicionar o país como futuro fornecedor global de combustíveis renováveis, especialmente etanol e biodiesel, voltados à descarbonização do setor de transportes europeu. “O Brasil fala que será uma potência mundial na transição energética e que será uma potência mundial na oferta de combustível renovável ao mundo. Nós não estamos falando pouca coisa”, afirmou o presidente durante o evento.
No mesmo espaço, Lula criticou mecanismos unilaterais adotados pela União Europeia que, segundo ele, desconsideram o baixo nível de emissões da produção brasileira, defendendo critérios de comparação mais equilibrados entre combustíveis e cadeias produtivas. A crítica se insere em um cenário mais amplo de disputa sobre regras ambientais no comércio internacional, frequentemente influenciadas por interesses industriais das economias centrais.
Também na Alemanha, o governo brasileiro assinou o Pacto de Inteligência Artificial em Hanôver, com foco no desenvolvimento conjunto de tecnologias industriais e aplicações em gestão pública. O acordo prevê cooperação em inovação tecnológica e integração industrial entre os dois países, ampliando a presença brasileira no setor de alta tecnologia.
Paralelamente, foi firmado acordo semelhante com a Espanha voltado à gestão pública e uso ético de inteligência artificial generativa. O projeto inclui diretrizes para implementação de sistemas de IA em serviços públicos, capacitação de servidores e aplicação da tecnologia na análise geológica para otimização de cadeias de suprimentos minerais. As iniciativas refletem a tentativa de integrar tecnologia avançada a políticas estatais sem aprofundar dependências externas em infraestrutura digital crítica.
Sobre a nova fase da relação bilateral com a Alemanha, Lula afirmou: “Depois da participação do Brasil nesta feira, a relação Alemanha e Brasil nunca mais será a mesma”, durante agenda oficial em Hanôver, ao lado de representantes do setor industrial europeu e autoridades governamentais.



































