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O bloqueio imposto pelos EUA a Cuba impede intervenções cirúrgicas em mais de 100 mil pacientes

Mais de 100 mil cubanos aguardam procedimentos cirúrgicos em meio às restrições impostas pelo bloqueio econômico mantido pelos Estados Unidos contra Cuba. Dados divulgados em 10 de junho pela vice-ministra da Saúde Pública, Carilda Peña, apontam impactos diretos sobre a capacidade do sistema de saúde de adquirir insumos, equipamentos e recursos necessários para tratamentos médicos. A situação também afeta serviços de hemodiálise e o funcionamento de unidades hospitalares em diferentes regiões do país.


Crédito: Médicos auxiliam em um parto na maternidade Ramón González Coro, Havana, Cuba. ©Ramón Espinosa/AP
Crédito: Médicos auxiliam em um parto na maternidade Ramón González Coro, Havana, Cuba. ©Ramón Espinosa/AP

Durante participação no programa Mesa Redonda, transmitido pela televisão cubana, Carilda Peña informou que, ao final da semana anterior, 95.555 pacientes permaneciam na fila por cirurgias gerais. Outros 5.152 aguardavam procedimentos oncológicos.


Segundo a vice-ministra, o sistema de saúde cubano continua realizando operações e tratamentos, mas enfrenta limitações relacionadas à obtenção de recursos médicos e tecnológicos.


“Não podemos dizer que estamos em zero, porque enormes esforços estão sendo feitos, mas todos esses pacientes estão aguardando cirurgia”, declarou.


Os números apresentados pelo Ministério da Saúde Pública revelam que mais de 100.700 pessoas dependem de intervenções médicas que ainda não puderam ser realizadas. Entre os pacientes estão pessoas que aguardam cirurgias para tratar doenças crônicas, condições oncológicas e outras enfermidades que exigem procedimentos hospitalares.


Carilda Peña afirmou que a impossibilidade de acesso aos tratamentos afeta diretamente a vida dos pacientes. Segundo ela, muitas pessoas convivem diariamente com a necessidade de uma intervenção médica sem que o sistema consiga responder à demanda acumulada.


A vice-ministra também destacou as dificuldades enfrentadas pelos serviços de hemodiálise, área que depende do fornecimento contínuo de materiais especializados, equipamentos, sistemas de purificação de água e manutenção técnica.


Atualmente, 2.888 cubanos recebem tratamento de hemodiálise. O procedimento é indispensável para pacientes com insuficiência renal e exige infraestrutura permanente para garantir seu funcionamento.


De acordo com Peña, a escassez de insumos levou as autoridades sanitárias a ampliar a reutilização de dialisadores, dispositivos empregados durante as sessões de hemodiálise. A medida busca manter a continuidade dos tratamentos diante das restrições de abastecimento.


A responsável pelo Ministério da Saúde Pública explicou que esse processo exige etapas adicionais de processamento, controle técnico e monitoramento especializado.


“Entre as medidas adotadas para garantir o tratamento está o aumento da reutilização de dialisadores”, afirmou a vice-ministra ao abordar as estratégias utilizadas para preservar o atendimento aos pacientes renais.


O cenário também afeta moradores de regiões afastadas dos centros de tratamento. Segundo Peña, parte dos pacientes precisa ser hospitalizada porque a falta de transporte dificulta os deslocamentos necessários para a realização das sessões de hemodiálise.


A situação ocorre em um contexto de limitações sobre importações de equipamentos médicos, peças de reposição, medicamentos e insumos hospitalares. As autoridades cubanas atribuem essas dificuldades ao bloqueio econômico, comercial e financeiro mantido por Washington contra a ilha há mais de seis décadas.


Durante a entrevista, a vice-ministra também relacionou os desafios enfrentados pelas unidades de saúde aos problemas de infraestrutura que afetam o funcionamento dos serviços médicos.


“Além das limitações no fornecimento, há os efeitos causados pelos cortes de energia e dificuldades no abastecimento de água e outros elementos essenciais para garantir o funcionamento das unidades de hemodiálise”, argumentou Peña.


As declarações foram divulgadas pela agência Prensa Latina em 10 de junho de 2026, a partir das informações apresentadas pela vice-ministra da Saúde Pública de Cuba durante sua participação no programa Mesa Redonda.

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