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ONU alerta para avanço acelerado do Ebola na República Democrática do Congo

há 6 dias
3 min de leitura

O surto de Ebola na República Democrática do Congo registra crescimento de casos em ritmo superior à capacidade de resposta humanitária disponível. O coordenador de ajuda de emergência da ONU, Tom Fletcher, alertou na terça-feira que a resposta precisa ser ampliada para conter a transmissão. A operação enfrenta um déficit de financiamento de US$ 1,1 bilhão.


República Democrática do Congo
República Democrática do Congo

Nos primeiros 100 dias do surto de Ebola Bundibugyo na República Democrática do Congo, declarado em 15 de maio, foram registrados 5.515 casos e 2.642 mortes. No mesmo período, durante a epidemia de Ebola na África Ocidental entre 2014 e 2016, a Organização Mundial da Saúde (OMS) havia confirmado 635 casos e 399 mortes na Guiné, Libéria e Serra Leoa.


Na segunda-feira, autoridades locais contabilizavam 6.100 casos confirmados e 2.950 mortes na República Democrática do Congo. A província de Ituri concentrava mais de 5 mil casos, colocando a região no centro da resposta ao surto.


“A resposta está crescendo e foi ampliada, mas o vírus está se espalhando mais rápido”, afirmou Tom Fletcher. “E a menos que ampliemos nossa capacidade urgentemente, mais vidas serão perdidas e a ameaça aumentará.”


O cenário levou a ONU a pedir uma mobilização internacional para ampliar os recursos destinados à contenção do Ebola. A organização mantém operações de assistência e preparação, mas a insuficiência de US$ 1,1 bilhão coloca limites sobre a capacidade de responder ao avanço da epidemia.


Fletcher citou Uganda como referência para as medidas de contenção adotadas durante o surto registrado no país. A OMS declarou na semana passada o fim da epidemia de Ebola em Uganda, após a conclusão de um período de 42 dias sem novos casos.


De acordo com a OMS África, Uganda conteve a transmissão por meio da identificação e confirmação de casos, rastreamento de contatos, isolamento, atendimento clínico, prevenção e controle de infecções, participação das comunidades e reforço da vigilância epidemiológica.


A Organização Internacional para as Migrações (OIM) também participa da resposta regional. Segundo o porta-voz da ONU, Stéphane Dujarric, a agência realizou quase 23 milhões de exames de saúde na República Democrática do Congo e em países vizinhos para acompanhar movimentos populacionais, identificar possíveis casos e reduzir o risco de transmissão através das fronteiras.


Como parte da resposta, Fletcher destinou mais de US$ 57 milhões do Fundo Central de Resposta a Emergências da ONU para ações contra o Ebola e medidas de preparação na República Democrática do Congo e nos países vizinhos.


A operação ocorre em meio a uma crise humanitária que atinge o país, com maior pressão no leste da República Democrática do Congo. O conflito entre forças governamentais e combatentes do M23, grupo apoiado por Ruanda, provocou deslocamentos populacionais e dificultou o acesso das equipes humanitárias às comunidades que precisam de assistência.


“Não se trata apenas de uma emergência de saúde”, declarou Fletcher. “É também uma emergência humanitária que se soma a muitas outras emergências humanitárias já existentes.”


A Missão de Estabilização da Organização das Nações Unidas na República Democrática do Congo (MONUSCO) também atua em áreas afetadas pela violência. A missão respondeu a confrontos envolvendo as Forças Armadas da República Democrática do Congo, soldados ugandeses e integrantes suspeitos das Forças Democráticas Aliadas, grupo insurgente afiliado ao Estado Islâmico que atua no leste do país.


A região onde esses confrontos ocorrem está entre as áreas atingidas pelo surto de Ebola. A presença de grupos armados e os deslocamentos de comunidades interferem no acesso das equipes de saúde e assistência às populações afetadas.


Segundo Stéphane Dujarric, a MONUSCO também está ampliando programas que já permitiram a mais de 60 mil pessoas acessar terras agrícolas e escolas com segurança no território de Djugu. As ações incluem medidas de proteção e apoio às condições necessárias para o retorno de famílias deslocadas às suas comunidades.


Fletcher pediu aos governos que garantam o acesso dos trabalhadores humanitários às populações afetadas e mantenham a contenção do surto como prioridade na agenda internacional. Para o coordenador da ONU, impedir a expansão do vírus depende da ampliação dos recursos e da manutenção de uma operação coordenada entre os países envolvidos.


Ele afirmou que o fechamento da lacuna financeira e o controle da epidemia exigirão compromisso político e coordenação internacional. “Temos a experiência, as ferramentas e pessoas extraordinárias arriscando suas vidas para deter esta epidemia. O que precisamos agora é de vontade política, acesso e recursos”, disse Fletcher. “Já vencemos o Ebola antes e podemos fazer isso de novo.”

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