Órgão do governo britânico rompe com X em meio a críticas sobre conteúdo extremista
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- 19 de jun.
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O gabinete de Richard Hermer, procurador-geral da Inglaterra e do País de Gales, determinou a suspensão de suas atividades na plataforma X, tornando-se o primeiro departamento do governo britânico a abandonar oficialmente a rede social pertencente ao empresário Elon Musk. A informação foi divulgada pelo jornal The Guardian em reportagem publicada na quinta-feira, 18 de junho de 2026.

A última publicação do gabinete ocorreu na sexta-feira anterior. Segundo informações obtidas pelo veículo britânico, funcionários receberam orientação para não utilizar mais a plataforma, exceto em situações relacionadas ao combate de conteúdos falsos ou enganosos disseminados dentro da própria rede.
A decisão representa uma ruptura com a posição mantida até agora pelo governo de Keir Starmer. Downing Street vinha sustentando a permanência de órgãos públicos no X sob o argumento de que a plataforma continuava sendo um canal de comunicação necessário para alcançar parcelas da população. A justificativa permaneceu mesmo após repetidas controvérsias envolvendo o proprietário da rede social, que já defendeu a substituição do governo britânico e enfrentou críticas por permitir a circulação de conteúdos associados a grupos de extrema-direita.
De acordo com a reportagem, Hermer tomou a decisão após os episódios de violência registrados em Southampton e Belfast durante o mês de junho. O procurador-geral considera que o X vem sendo utilizado para estimular divisões sociais e mobilizações direcionadas contra grupos específicos da população.
Em Southampton, onze policiais ficaram feridos durante confrontos desencadeados após a circulação de informações relacionadas ao caso de Henry Nowak. O adolescente foi algemado enquanto agonizava após sofrer um ataque com faca. O episódio ganhou repercussão depois que o autor do crime acionou a polícia e alegou ter sido vítima de um ataque racista promovido por Nowak.
Seis dias depois, Belfast registrou novos episódios de violência. As mobilizações ocorreram após grupos de extrema-direita convocarem manifestações em reação ao caso envolvendo um refugiado sudanês de 30 anos acusado de tentativa de homicídio em um ataque com faca.
A gravidade dos acontecimentos levou um parlamentar da Irlanda do Norte a classificar os ataques como um “pogrom”. Durante os distúrbios, residências pertencentes a integrantes de comunidades étnicas minoritárias foram atacadas. Profissionais da saúde também relataram ter sido interceptados durante deslocamentos para o trabalho e submetidos a questionamentos sobre sua origem.
Segundo a reportagem do Guardian, agitadores ligados à extrema-direita utilizaram o X para convocar manifestações em ambos os episódios. O jornal também destaca que parte desses grupos recebeu apoio ou visibilidade por meio de interações promovidas por Elon Musk na plataforma.
O debate sobre a atuação das redes sociais ganhou força dentro do governo britânico ao longo de 2026. No início do ano, o primeiro-ministro Keir Starmer chegou a ameaçar bloquear o funcionamento do X no Reino Unido após a circulação de imagens sexualizadas de mulheres e crianças produzidas pela ferramenta de inteligência artificial Grok. Após a ameaça, a empresa realizou alterações relacionadas ao conteúdo denunciado.
Mesmo assim, após os episódios de Belfast, Downing Street indicou que eventuais medidas regulatórias contra a plataforma seriam conduzidas pela Ofcom, órgão responsável pela regulação das comunicações no Reino Unido. O processo depende da análise dos relatórios periódicos de conformidade apresentados pelas empresas de tecnologia e não deverá produzir resultados antes de dois meses.
Paralelamente, o governo britânico trabalha em mudanças na Lei de Segurança Online. As alterações pretendem obrigar plataformas digitais a remover conteúdos considerados inflamatórios em períodos de crise social, tumultos ou episódios de violência coletiva. A previsão oficial é que essas modificações entrem em vigor apenas em meados de julho.
Na segunda-feira, o governo anunciou outra medida relacionada ao ambiente digital. Foi estabelecida a proibição do uso de diversas redes sociais por menores de 16 anos, ampliando restrições que haviam sido adotadas anteriormente pela Austrália.
Richard Hermer figura entre os integrantes do gabinete que defenderam a adoção de restrições mais rígidas para plataformas digitais e o estabelecimento de limites de acesso para adolescentes.
Durante discurso realizado nesta semana sobre a permanência do Reino Unido na Convenção Europeia dos Direitos Humanos, Hermer voltou a abordar o papel das redes sociais na política britânica. Ao criticar grupos econômicos ligados ao setor tecnológico, declarou: “Simplesmente não podemos deixar que um pequeno grupo de milionários financiados por criptomoedas se aproveite do debate sobre a CEDH ou da aproximação com a UE para semear ainda mais divisão neste país - não podemos permitir que eles criem barreiras entre as nossas comunidades”.
O Guardian informou ainda que uma versão anterior da reportagem publicada em 19 de junho descreveu incorretamente Richard Hermer como procurador-geral de todo o Reino Unido. O cargo exercido por ele abrange a Inglaterra e o País de Gales.












































