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Petro acusa Israel de comprometer o software de contagem de votos na Colômbia

Gustavo Petro afirmou que há indícios de comprometimento do sistema utilizado na apuração preliminar das eleições presidenciais da Colômbia. O presidente colombiano declarou que alterações em servidores do registro eleitoral indicam interferência externa nos dados da votação. Diante da disputa apertada entre Abelardo de la Espriella e Iván Cepeda, Petro pediu auditoria, recontagem dos votos e cautela quanto à proclamação de qualquer vencedor.


Gustavo Petro. ©Colprensa
Gustavo Petro. ©Colprensa

O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, acusou Israel de comprometer o software empregado na contagem preliminar dos votos das eleições presidenciais realizadas no país. Em entrevista concedida no domingo, 21 de junho de 2026, Petro afirmou que já havia alertado sobre vulnerabilidades existentes no sistema utilizado pela autoridade eleitoral colombiana e voltou a exigir uma investigação técnica sobre o processo de apuração.


Segundo o presidente, o software desenvolvido pelos irmãos Bautista apresentava fragilidades conhecidas desde uma decisão emitida pelo Conselho de Estado em 2018. Petro declarou que, na ocasião, recomendou a substituição do sistema por um software público e solicitou uma auditoria especializada para avaliar sua segurança.


“Alertei que o software dos irmãos Bautista era vulnerável, de acordo com a decisão do Conselho de Estado de 2018, e que deveria ser substituído por um software público”, escreveu Petro em sua conta na rede social X em 21 de junho de 2026.


O presidente acrescentou que pediu uma auditoria especializada antes da realização do segundo turno eleitoral, mas afirmou que o responsável pelo registro nacional recusou a autorização necessária para a inspeção técnica. “Solicitei uma auditoria especializada e oportuna do software dos irmãos Bautista, mas o responsável pelo registro não a autorizou”, declarou.


Após a divulgação dos resultados preliminares, Petro afirmou que surgiram evidências de alterações nos endereços IP de diversos servidores vinculados ao registro nacional. Segundo ele, as mudanças permitiram que terceiros registrassem informações provenientes das seções eleitorais e dos centros de votação.


“Temos evidências de uma mudança nos endereços IP de vários servidores do registro nacional. Isso significa que o software foi comprometido e outros gravaram dados de seções eleitorais e centros de votação”, afirmou o presidente colombiano.


Petro sustentou que a capacidade técnica necessária para realizar esse tipo de operação estaria concentrada em um número reduzido de atores internacionais. Em sua avaliação, “a única entidade no mundo capaz de fazer isso” seria Israel.


Diante das suspeitas levantadas, o presidente solicitou que fosse encaminhada aos magistrados uma relação completa dos servidores que tiveram seus endereços alterados. O objetivo, segundo ele, é permitir a realização de uma auditoria especializada sobre o sistema eleitoral, procedimento que não ocorreu durante o processo de votação e apuração.


Além da auditoria, Petro defendeu a recontagem integral dos votos em todas as seções eleitorais do país. O presidente também pediu uma investigação técnica sobre possíveis falhas tanto no sistema informatizado de contagem quanto nas mesas eleitorais afetadas pelas irregularidades apontadas.


As declarações ocorreram em meio à divulgação da apuração preliminar do segundo turno presidencial. Com 99,99% das urnas contabilizadas, o candidato de direita Abelardo de la Espriella, do movimento Defensores da Pátria, aparecia à frente da disputa com 49,66% dos votos, correspondentes a 12.959.542 sufrágios.


O senador Iván Cepeda, candidato do Pacto Histórico e representante do campo político apoiado por Petro, registrava 48,70% dos votos, o equivalente a 12.708.712 sufrágios. A diferença entre os dois candidatos era de 250.830 votos segundo os dados preliminares divulgados pela autoridade eleitoral.


Em mensagem publicada nas redes sociais, Petro pediu cautela diante da divulgação dos resultados parciais. O presidente declarou que nenhum candidato deveria ser proclamado vencedor antes da conclusão da contagem oficial dos votos e solicitou que a população mantivesse a calma enquanto os procedimentos eleitorais fossem concluídos.


Abelardo de la Espriella, por sua vez, celebrou o resultado preliminar e publicou um vídeo agradecendo aos seus apoiadores. “Obrigado, Colômbia”, afirmou o candidato. No dia da votação, após votar em Barranquilla, declarou que esperava vencer a disputa presidencial. “Com a ajuda de Deus e o apoio de milhões de colombianos, vamos vencer esta batalha democrática”, disse.


Embora tenha reconhecido os números preliminares que favoreciam seu adversário, Iván Cepeda ressaltou que a contagem rápida não possui caráter vinculante. O senador anunciou que sua campanha apresentaria contestações referentes a aproximadamente 33 mil seções eleitorais distribuídas pelo território colombiano.


Após votar na zona sul de Bogotá, Cepeda afirmou que sua campanha acompanharia cada etapa do processo eleitoral. O candidato reiterou que governaria para todo o país caso fosse eleito presidente.


“Reconhecemos a contagem preliminar como dados que ainda não são oficiais ou vinculativos. Reconhecemos seu resultado inicial, mas devemos informar que nosso grupo de observadores está procedendo à contestação de 33.000 seções eleitorais em todo o país”, declarou Iván Cepeda.


A disputa presidencial ocorreu em um ambiente marcado por denúncias de ingerência externa. Antes do segundo turno, Petro advertiu o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra qualquer tentativa de intervenção no processo eleitoral colombiano. O presidente colombiano afirmou que qualquer interferência estrangeira representaria uma violação da Constituição do país, após Trump reiterar publicamente seu apoio a Abelardo de la Espriella.


O governo colombiano também reagiu a manifestações de apoio ao candidato de direita vindas da Argentina. Na sexta-feira anterior ao segundo turno, o Ministério das Relações Exteriores da Colômbia apresentou uma nota de protesto ao governo do presidente argentino Javier Milei. A chancelaria colombiana acusou Milei de interferir no processo eleitoral ao manifestar apoio a Abelardo de la Espriella apenas dois dias antes da realização da votação.

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