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Pezeshkian denuncia ataques dos EUA e de Israel contra escolas iranianas na ONU

há 46 minutos
3 min de leitura

O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, denunciou nesta quarta-feira (23) na Assembleia Geral da ONU ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o território iraniano. Pezeshkian afirmou que escolas, universidades, hospitais, centros de saúde e infraestrutura foram atingidos durante as operações iniciadas no final de fevereiro. O presidente iraniano também defendeu o direito do país à tecnologia nuclear para fins pacíficos e afirmou que Teerã não pretende desenvolver armas nucleares.


Presidente do Irã, Masoud Pezeshkian ©Angela Weiss/AFP
Presidente do Irã, Masoud Pezeshkian ©Angela Weiss/AFP

Em seu primeiro discurso na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) desde o início das operações estadunidenses e israelenses contra o Irã, Pezeshkian rejeitou a caracterização feita pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre o país. “O presidente dos EUA [Donald Trump] nos descreveu como terroristas. Nós fomos vítimas de terrorismo”, declarou.


O presidente iraniano afirmou que forças estadunidenses “bombardearam uma escola” e que “crianças morreram sob bombas disparadas usadas pelos EUA e por Israel”. A denúncia foi apresentada por Pezeshkian ao plenário da ONU enquanto representantes dos Estados Unidos deixaram a sessão.


Pezeshkian declarou que o Irã respondeu às operações contra seu território, mas afirmou que a resposta não teve como alvo populações civis. “Não baixou a cabeça e respondeu, mas não atacou populações civis”, disse o presidente iraniano.


Na sequência, Pezeshkian acusou os Estados Unidos e Israel de terem atingido instalações civis e de terem realizado operações em territórios vizinhos. “Eles invadiram os territórios vizinhos e atacaram nossas universidades, nossos centros de saúde, nossas escolas, nossos hospitais, nossa infraestrutura, tudo isso contra o direito internacional”, afirmou.


O presidente iraniano também abordou o Estreito de Ormuz, via marítima por onde circula parte do comércio internacional de energia. Pezeshkian afirmou que Teerã não aceitará que outros países utilizem a hidrovia para obter acesso e interesses econômicos enquanto, ao mesmo tempo, utilizam a mesma rota para pressionar o Irã.


“Não vamos permitir que alguns tenham livre acesso e obtenham seus interesses em uma hidrovia, enquanto, ao mesmo tempo, usem essa hidrovia para impor agressões contra nós, para nos impor insegurança e para proibir o acesso às nossas próprias hidrovias”, declarou.

A questão palestina também ocupou parte do discurso. Pezeshkian descreveu o genocídio contra a população palestina como “uma ferida aberta na consciência da comunidade internacional” e “um símbolo do fracasso dos mecanismos internacionais em impedir o sofrimento dos civis”.


“Não podemos falar de paz ignorando a Palestina. Uma paz duradoura no Oriente Médio é impossível sem justiça para a Palestina”, afirmou o presidente iraniano.

Pezeshkian reiterou ainda a posição apresentada por Teerã sobre o programa nuclear iraniano. Segundo o presidente, o Irã não pretende desenvolver armas nucleares, mas considera inerente ao país o direito de utilizar tecnologia nuclear para fins pacíficos.


“Não vamos baixar a cabeça nem renunciar ao direito que nos é inerente. Deixamos isso bem claro: não às armas nucleares e não às limitações à tecnologia nuclear para fins pacíficos”, declarou.


O presidente iraniano também afirmou que Teerã não pretende utilizar seu poder para estabelecer uma política de hegemonia sobre outros países. “Não buscamos nossa segurança na insegurança dos outros”, disse.


Ao tratar da capacidade de defesa iraniana, Pezeshkian afirmou que os sistemas militares do país foram estruturados para responder a ataques contra cidades iranianas. “Foram construídos de forma que ninguém possa pensar que bombardear cidades iranianas ficará sem resposta”, declarou.


O presidente iraniano também respondeu ao discurso realizado por Donald Trump na ONU na terça-feira (22), quando o presidente dos Estados Unidos ameaçou “aniquilar o Irã para o inferno”. Para Pezeshkian, as declarações feitas por Trump contradizem os princípios estabelecidos pela Carta das Nações Unidas.


“Tudo o que foi dito […] vai contra a própria essência” da Carta da ONU, afirmou Pezeshkian. O presidente iraniano acrescentou que a pressão estadunidense não produzirá a submissão de Teerã.


“Ele [Trump] deve saber que a resistência do povo iraniano só aumentará diante das sanções, do aumento da pressão e do aumento da intimidação”, declarou.

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