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Piora da emergência alimentar na Somália ameaça 6 milhões de pessoas

Seis milhões de pessoas enfrentarão níveis críticos de insegurança alimentar na Somália entre abril e junho de 2026, segundo dados divulgados em 20 de maio por agências da ONU. O número representa 31% da população do país e expõe o impacto combinado da seca, da retração do financiamento internacional e da desestruturação dos serviços públicos de saúde e nutrição. FAO, Unicef, Ocha e Programa Alimentar Mundial alertaram que o colapso da assistência humanitária amplia o risco de fome no sudeste somali.


Somália ©NATIONAL GEOGRAPHIC
Somália ©NATIONAL GEOGRAPHIC

O novo relatório do Sistema de Classificação Integrada da Fase de Segurança Alimentar, IPC, aponta que cerca de 1,9 milhão de pessoas já vivem em condição de emergência alimentar na Somália. O contingente triplicou em menos de um ano. O coordenador humanitário da ONU no país, George Conway, classificou o cenário como um “quadro alarmante e urgente”.


Os dados do IPC indicam que aproximadamente 2 milhões de crianças entre seis meses e cinco anos enfrentam subnutrição grave associada à ingestão insuficiente de calorias. Entre elas, 493 mil sofrem de desnutrição aguda grave, caracterizada por perda acelerada de peso e massa muscular. Segundo as agências da ONU, essas crianças apresentam risco de morte 12 vezes maior do que crianças nutridas.


O representante da FAO na Somália, Etienne Peterschmitt, afirmou que “o país está num ponto crítico”. Segundo ele, a deterioração da situação resulta da combinação entre seca, insegurança armada, retração da ajuda humanitária, aumento dos preços dos alimentos e impactos econômicos ligados à crise no Oriente Médio, região submetida à escalada militar conduzida por Israel e apoiada pelo aparato político e militar estadunidense.

A FAO advertiu que a possibilidade de fracasso da estação chuvosa poderá agravar o risco de fome no sudeste da Somália. A agência informou que 40% das crianças dessa região já apresentam quadro de desnutrição aguda. O aumento dos preços dos alimentos e a interrupção de programas de assistência ampliam a pressão sobre comunidades rurais e populações deslocadas.


As agências da ONU informaram que cerca de 90% da população somali recebe pouca ou nenhuma assistência humanitária. O dado reflete a redução do financiamento internacional destinado ao país em meio à reorientação de verbas por potências ocidentais para operações militares e disputas geopolíticas em outras regiões. A Somália permanece dependente de ajuda externa desde as intervenções internacionais iniciadas nos anos 1990, período marcado pela presença militar estrangeira e pela fragmentação do Estado somali após décadas de ingerência regional e internacional.


O relatório também aponta o fechamento de mais de 500 unidades de saúde e nutrição em todo o território somali. Segundo a ONU, a paralisação desses serviços dificulta o controle de surtos de doenças e amplia o risco de mortalidade infantil. Campos de deslocados internos em regiões como Jubaland registram aumento de crianças atendidas com sinais de subnutrição.


A FAO, o Ocha, o Unicef e o Programa Alimentar Mundial defenderam a ampliação imediata da assistência humanitária multissetorial. As agências afirmaram que o financiamento “sustentado e previsível” será necessário para impedir o aprofundamento da crise alimentar e sanitária no país africano.

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