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PT alerta contra propostas de Flávio Bolsonaro em favor do armamentismo

A campanha do presidente Lula decidiu reativar o debate sobre armamento civil como eixo de confronto político contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A estratégia inclui resgatar imagens e episódios associados à cultura armamentista promovida por aliados do bolsonarismo. Dados oficiais indicam forte expansão do número de armas registradas no Brasil entre 2019 e 2022. O material será incorporado à comunicação eleitoral nas próximas semanas, segundo informação publicada em 22 de abril de 2026 pelo Portal Metrópoles. A ofensiva ocorre em meio à reorganização do discurso político para as eleições deste ano.


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A iniciativa do núcleo político ligado ao Palácio do Planalto prevê recuperar registros públicos de parlamentares e apoiadores que popularizaram o gesto das “arminhas” com as mãos, símbolo amplamente difundido durante o ciclo político do bolsonarismo. Um dos episódios centrais citados envolve a ex-deputada Carla Zambelli (PL-SP), que, na véspera do segundo turno das eleições presidenciais de 2022, foi filmada sacando uma arma e perseguindo um homem nas ruas de São Paulo, fato amplamente documentado à época.


Outro caso incluído na estratégia é o do ex-deputado federal Roberto Jefferson, que, também em 2022, reagiu com disparos de arma de fogo contra agentes da Polícia Federal que cumpriam ordem judicial em sua residência. O episódio resultou em danos a viaturas oficiais e reforçou a associação entre setores do bolsonarismo e a escalada de violência política armada.


A ofensiva comunicacional deve ganhar intensidade após o congresso do Partido dos Trabalhadores (PT), previsto para ocorrer em Brasília no fim de semana subsequente à publicação da informação. A expectativa interna é consolidar o tema do armamento como elemento central de disputa eleitoral, vinculando-o diretamente à atuação e ao histórico político de figuras como Flávio Bolsonaro.


Os dados que sustentam a estratégia foram obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação e analisados pelos institutos Sou da Paz e Igarapé, com divulgação pelo Brasil de Fato. Segundo o levantamento, foram registrados 1.354.751 novos armamentos no Brasil entre 2019 e 2022, período correspondente ao governo de Jair Bolsonaro.


O crescimento foi contínuo ao longo dos anos. Em 2019, primeiro ano da gestão, foram registrados 140.073 novos armamentos. Em 2020, o número subiu para 268.163. Em 2021, alcançou 393.136 registros. Já em 2022, último ano do mandato, houve o pico de 553.379 armas registradas.


Do total de registros em 2022, 431.137 estavam vinculados a colecionadores, atiradores desportivos e caçadores (CACs), categoria que foi amplamente beneficiada por flexibilizações normativas durante o período. Outros 122.242 registros foram destinados a defesa pessoal e demais categorias autorizadas.


A ampliação do acesso a armas resultou em um aumento expressivo do estoque total em circulação no país. Em 2018, antes do início do governo Bolsonaro, o Brasil contabilizava 1.320.582 armas registradas. Em 2022, esse número saltou para 2.965.439, mais que dobrando em quatro anos.


Esse crescimento ocorreu em um contexto de sucessivos decretos presidenciais que facilitaram a aquisição, posse e porte de armas, além de ampliarem limites de compra de munição e flexibilizarem regras para CACs. Essas medidas foram defendidas pelo governo à época como política de “autodefesa”, mas também criticadas por ampliarem o risco de violência armada.


A retomada desse debate pela campanha de Lula ocorre em um cenário de polarização política, no qual o tema do armamento volta a ocupar posição estratégica na disputa narrativa. Internamente, a avaliação é de que o histórico recente oferece material concreto para confrontar adversários e expor as consequências sociais e políticas da expansão do acesso a armas no país.

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