Relatório da ONU revela que oceanos estão mais elevados, aquecidos e poluídos
- www.jornalclandestino.org

- 12 de jun.
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A Organização das Nações Unidas divulgou em 8 de junho de 2026 a Terceira Avaliação Global dos Oceanos (WOA-3), documento que aponta a intensificação simultânea da elevação do nível do mar, do aquecimento das águas e da contaminação dos ecossistemas marinhos. O relatório reúne contribuições de mais de 550 cientistas de 86 países e analisa dados coletados entre 2018 e 2023. As conclusões foram apresentadas durante as atividades do Dia Mundial dos Oceanos e reforçam alertas sobre os impactos da crise climática e dos padrões de produção e consumo que pressionam os ecossistemas marinhos em escala planetária.

Segundo o relatório, os oceanos enfrentam transformações mensuráveis em diversos indicadores ambientais. O secretário-geral da ONU, António Guterres, declarou que os mares estão sob pressão e advertiu contra a ideia de tratá-los como recursos inesgotáveis. Em sua avaliação, os oceanos permanecem no centro dos sistemas climáticos, ecológicos e alimentares que sustentam bilhões de pessoas em diferentes regiões do planeta.
Entre os dados destacados pelo estudo está a aceleração da elevação do nível médio do mar. Em entrevista à ONU News, o professor brasileiro Ronaldo Christofoletti, um dos 25 autores da avaliação, afirmou que a taxa anual de aumento passou de cerca de 3,2 milímetros para 4,3 milímetros desde a publicação do relatório anterior, há quatro anos. O pesquisador ressaltou que o crescimento supera 50% no período analisado.
“O que o relatório confirma? O aumento do nível do mar, a taxa com que ele cresce por ano aumentou mais de 50% desde o último relatório, há quatro anos. Ela era em torno de 3,2 milímetros por ano. Agora está confirmado em 4,3 milímetros por ano. É o quanto esse mar atingir, ele vai atingir onde? ele vai ter o seu impacto onde? Principalmente nas zonas costeiras. Então se a gente olha a nossa costa, todas as nossas cidades costeiras. Quantas capitais nós não temos nestes 17 Estados costeiros com grande quantidade de população? E ela vai ser impactada”, declarou Christofoletti.
O pesquisador observou que o Brasil possui mais de 8 mil quilômetros de litoral e dezenas de centros urbanos localizados em áreas costeiras. Segundo ele, o aumento do degelo no Ártico e na Antártica adiciona volumes de água aos oceanos e altera a interação entre oceano e atmosfera, produzindo efeitos sobre o regime de chuvas e sobre a dinâmica das frentes frias que atingem o território brasileiro.
Outro ponto abordado pelo WOA-3 refere-se à expansão dos chamados poluentes emergentes. A pesquisadora portuguesa Maria João Bebianno, também autora do relatório, destacou o crescimento da concentração de antibióticos nos oceanos e os riscos associados ao desenvolvimento de bactérias resistentes em ambientes marinhos.
“Estamos a assistir a um aumento da concentração de antibióticos no oceano. Isto faz com que surjam espécies de bactérias e genes resistentes no mar, gerando uma situação muito semelhante à que enfrentamos hoje com as superinfecções nos hospitais. É alarmante. Precisamos de recuperar a saúde do oceano para, assim, recuperarmos a saúde humana”, afirmou.
A pesquisadora explicou que o relatório incorpora o conceito de “Uma Só Saúde”, abordagem que relaciona a saúde humana, animal e ambiental. A avaliação sustenta que alterações nos ecossistemas marinhos produzem efeitos diretos sobre a segurança alimentar, a saúde pública e as condições de vida das populações humanas.
Os dados reunidos pela ONU também registram um aumento expressivo dos impactos da poluição plástica sobre a biodiversidade marinha. Enquanto a avaliação anterior contabilizava aproximadamente 1,4 mil espécies afetadas por resíduos plásticos, a nova edição identifica 4.076 espécies submetidas a algum tipo de impacto relacionado a esse material.
Além da contaminação química e da presença crescente de resíduos sólidos, o documento identifica processos físicos associados ao aquecimento global. Entre eles estão a acidificação dos oceanos e a expansão térmica das águas, fenômeno que contribui para a elevação do nível do mar. O relatório também registra a redução da concentração de oxigênio nos ambientes marinhos, processo conhecido como desoxigenação.
A diminuição dos níveis de oxigênio afeta cadeias alimentares, habitats marinhos e ciclos biogeoquímicos. O estudo aponta que a disponibilidade desse elemento constitui uma condição necessária para a manutenção de diversas formas de vida e que sua redução altera o equilíbrio dos ecossistemas oceânicos.
António Guterres afirmou que os resultados do WOA-3 refletem os efeitos combinados da alteração climática, da perda de biodiversidade e da poluição. Para o secretário-geral da ONU, os oceanos continuam exercendo funções centrais na regulação climática, no abastecimento alimentar e na sustentação de atividades econômicas ligadas à pesca, ao transporte marítimo, ao turismo e à exploração tecnológica.
A publicação é apresentada pelas Nações Unidas como a avaliação mais abrangente já produzida sobre os oceanos. O documento reúne informações relacionadas à saúde humana, áreas marinhas protegidas, produção de alimentos, governança dos mares, turismo, pesquisa científica e desenvolvimento tecnológico.
Mais de 550 cientistas provenientes de 86 países participaram da elaboração do WOA-3, cujos dados concentram-se no período compreendido entre 2018 e 2023.











































