Tanque israelense avança contra forças de paz da ONU no Líbano
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- 13 de abr.
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Segundo comunicado oficial da UNIFIL, tropas israelenses utilizaram um tanque Merkava para avançar contra comboios da missão, em um contexto de crescente escalada militar na região sul do Líbano. Os incidentes ocorreram após as chamadas forças de “Defesa” de Israel bloquearem uma estrada estratégica utilizada pela missão para acessar suas posições. A operação compromete diretamente a capacidade de monitoramento da ONU em uma área já marcada por ocupação e deslocamento forçado de civis.
A UNIFIL ressaltou que, ao longo da semana anterior ao ataque, militares israelenses realizaram “disparos de advertência” que atingiram veículos claramente identificados da missão internacional. Além disso, as forças de ocupação intensificaram restrições logísticas, impedindo a livre circulação dos capacetes azuis em diferentes pontos do sul libanês. Em nota, a missão afirmou que essas ações violam diretamente a Resolução 1701 do Conselho de Segurança da ONU, adotada em 2006 após a retirada das tropas israelenses do Líbano sob pressão da resistência local.
“Estas ações são incompatíveis com as obrigações de Israel em virtude da resolução 1701 do Conselho de Segurança da ONU e com o requisito de garantir a segurança dos membros das forças de manutenção da paz, assim como sua liberdade de movimento em todo momento”, declarou a UNIFIL. A missão também advertiu que as restrições impostas por Tel Aviv “obstaculizam a capacidade” da força de relatar violações no terreno de maneira independente.
O ataque ocorre no contexto de uma ofensiva mais ampla, na qual Israel ocupa entre 8 e 10 quilômetros de profundidade no sul do Líbano, abrangendo cerca de 10% do território nacional, segundo reportes citados pela teleSUR. A estratégia inclui a criação de uma zona de ocupação até o rio Litani, com a expulsão sistemática de famílias e destruição de residências, replicando padrões já observados no genocídio contra a população palestina em Gaza e na Cisjordânia ocupada.
Dados do Ministério da Saúde do Líbano indicam que a campanha de bombardeios israelenses já deixou 2.055 mortos, incluindo 252 mulheres, 165 crianças e 87 profissionais de saúde, além de 6.588 feridos. Em 8 de abril, um único dia concentrou 357 mortos e 1.223 feridos, evidenciando a intensidade da ofensiva.
Os ataques contra a UNIFIL não são isolados. Em 29 de março, um projétil de 120 mm disparado por um tanque Merkava atingiu proximidades de uma posição da ONU em Adchit al-Qusayr, resultando na morte de um soldado indonésio e ferimentos em outros três integrantes da missão. A investigação confirmou a origem do disparo.
Em 7 de abril, militares israelenses detiveram por cerca de uma hora um suboficial espanhol integrante da missão, enquanto ele participava de um comboio logístico. A ministra da Defesa da Espanha, Margarita Robles, denunciou que soldados espanhóis sofreram violência física durante a ação, classificando o comportamento das tropas israelenses como “absolutamente hostil”.
Outros episódios foram registrados em janeiro de 2026, incluindo ataques a posições da ONU em Kfar Shuba, no dia 16, e a uma patrulha no Vale do Bekaa, em 23 de janeiro, ampliando o histórico de confrontos diretos entre forças israelenses e a missão internacional.
Apesar das agressões, a UNIFIL declarou que manterá sua presença no terreno e continuará reportando ao Conselho de Segurança da ONU as violações observadas, mesmo sob condições operacionais cada vez mais restritivas impostas pelas forças de ocupação.












































