Trump sugere que Ilhan Omar teria encenado ataque em Minneapolis
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- 28 de jan.
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A deputada federal Ilhan Omar (Democrata–Minnesota) foi atacada durante uma reunião pública com eleitores em Minneapolis na noite de terça-feira (27), após ser atingida por uma substância desconhecida lançada por um homem. Poucas horas depois, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sugeriu publicamente que a congressista poderia ter orquestrado o próprio incidente.
O ataque aconteceu enquanto Ilhan Omar discursava em um encontro com eleitores na cidade de Minneapolis, quando um homem se aproximou e lançou uma substância ainda não identificada, aparentemente por meio de uma seringa. Imagens do momento mostram a deputada sendo contida por seguranças logo após o impacto. A segurança do evento agiu rapidamente, imobilizou o agressor e evitou ferimentos mais graves.
Questionado sobre o episódio, o presidente Donald Trump afirmou não ter visto o vídeo do ataque e declarou que não pensava na congressista. Em seguida, sugeriu que Omar poderia ter consentido com a ação. As declarações foram feitas a jornalistas e repercutiram amplamente, por ocorrerem poucas horas depois de o presidente ter mencionado a deputada em um discurso político.
Durante um comício em Iowa, Trump voltou a criticar Omar ao abordar a política de imigração. O presidente defendeu a entrada legal de imigrantes no país e afirmou que eles deveriam demonstrar lealdade aos Estados Unidos, citando a deputada como exemplo negativo. Em seguida, fez comentários depreciativos sobre a Somália, país de origem de Omar, associando-o à instabilidade política e à pirataria.
Ilhan Omar nasceu em Mogadíscio, capital da Somália, e deixou o país ainda criança, em meio à guerra civil. Ela e a família passaram quatro anos em um campo de refugiados no Quênia antes de se estabelecerem nos Estados Unidos, em 1995. A deputada construiu sua trajetória política em Minnesota, estado que abriga a maior comunidade somali do país.
O presidente tem direcionado críticas frequentes a imigrantes somalis desde o ano passado, quando anunciou a intenção de encerrar o Status de Proteção Temporária concedido a cidadãos da Somália residentes em Minnesota, alegando fraudes generalizadas. As declarações têm sido contestadas por líderes comunitários e parlamentares democratas.

Pouco antes do ataque, Omar havia feito duras críticas à política migratória do governo federal. Em seu discurso, defendeu o fim do Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas (ICE) e pediu a renúncia ou o impeachment da secretária do Departamento de Segurança Interna (DHS), Kristi Noem. Após o incidente, a deputada chegou a reagir fisicamente contra o agressor antes de ele ser contido.
Ainda na noite de terça-feira, Omar afirmou em uma rede social que estava bem e que não se deixaria intimidar. Ela também retomou o discurso após uma breve pausa, dizendo ao público que havia aprendido, desde cedo, a enfrentar ameaças sem recuar.
Segundo o porta-voz da Polícia de Minneapolis, Trevor Folke, o suspeito foi preso e encaminhado à cadeia do condado, onde foi formalmente acusado de agressão de terceiro grau. A identidade do homem não foi divulgada pelas autoridades.
O episódio ocorre em meio a um aumento significativo de ameaças contra parlamentares nos Estados Unidos. Dados da Polícia do Capitólio indicam que o número de ocorrências investigadas subiu de 9.474 em 2024 para 14.938 em 2025. Na semana anterior, o deputado Maxwell Frost (Democrata–Flórida) relatou ter sido agredido por um homem que afirmou que ele seria deportado pelo presidente Trump, reforçando o clima de crescente tensão política e violência direcionada a representantes eleitos.











































