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Uma em cada cinco crianças em 21 países sofreu abuso sexual facilitado pela tecnologia

há 6 dias
3 min de leitura

Cerca de 20 milhões de crianças e adolescentes de 12 a 17 anos, um em cada cinco em 21 países, sofreram exploração sexual facilitada por tecnologias digitais. Os dados constam de relatório divulgado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) na quinta-feira. A organização alerta que o número real pode ser maior devido à subnotificação dos casos.


©PINTEREST
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Mais de 15 milhões de crianças foram expostas a conteúdo sexual indesejado, enquanto nove milhões receberam solicitações para participar de conversas de cunho sexual ou compartilhar imagens sexuais contra a própria vontade. Outros quatro milhões tiveram imagens de cunho sexual compartilhadas sem consentimento.


A diretora executiva do UNICEF, Catherine Russell, afirmou que os dados expõem uma realidade que atinge crianças nos mesmos ambientes digitais usados para estudar, brincar e manter contato com amigos. “Mais de 20 milhões de crianças nos países estudados foram expostas a conteúdo sexual explícito indesejado ou exploração online, muitas vezes nos espaços digitais onde aprendem, brincam e se conectam com amigos.”


As redes sociais concentraram quase 60% dos casos registrados na pesquisa. Facebook, Instagram, Snapchat, TikTok e WhatsApp aparecem entre as plataformas utilizadas por agressores, enquanto 14% dos casos ocorreram em jogos online.


O relatório aponta que recursos disponíveis nessas plataformas podem ser utilizados para estabelecer relações de confiança com crianças e facilitar a exploração. Em cerca de 38% dos casos, o primeiro contato com os agressores ocorreu pela internet, com evidências indicando o uso de mecanismos que permitem ocultar identidades.


Em Montenegro, mais de 80% dos casos relatados envolveram redes sociais. Nos 21 países analisados, 57% dos casos envolveram pessoas conhecidas pelas crianças, entre elas colegas, amigos e familiares.


A exploração sexual facilitada por tecnologia também foi associada a impactos sobre a saúde emocional, a percepção de segurança e a confiança em outras pessoas. Crianças entrevistadas relataram medo, vergonha, confusão e isolamento após experiências de abuso.


Uma jovem da República Dominicana relatou aos pesquisadores a divulgação não autorizada de imagens íntimas quando tinha 14 anos. “Não sabia como reagir… fiquei um pouco em choque”, afirmou.


A análise identificou que crianças submetidas à exploração sexual facilitada por tecnologia apresentaram probabilidade quatro vezes maior de relatar pensamentos ou comportamentos suicidas e automutilação. O grupo também apresentou níveis mais elevados de ansiedade.


No Paquistão, o risco de automutilação foi mais de sete vezes maior entre crianças que haviam sido submetidas à exploração sexual.


A pesquisa também identificou um nível de subnotificação que dificulta a dimensão dos casos. Mais de 40% das ocorrências de abuso facilitado por tecnologia não foram compartilhadas pelas vítimas com qualquer pessoa, enquanto menos de 1% chegaram a ser denunciadas às autoridades.


A principal razão apontada pelas crianças para não comunicar o abuso foi não saber a quem recorrer. Para Russell, a ausência de canais acessíveis de proteção mantém crianças sem assistência após experiências de violência sexual. “Essas experiências causam profundo sofrimento emocional e mental”, afirmou. “Muitas crianças sofrem em silêncio, sem saber a quem recorrer em busca de ajuda. Não podemos ignorar isso.”


O UNICEF defendeu mudanças nas plataformas digitais e nos mecanismos públicos de proteção. “Todos nós, incluindo governos e empresas de tecnologia, precisamos fazer mais para proteger as crianças online”, disse Russell.


A organização pediu que empresas de tecnologia adotem mecanismos de proteção voltados às crianças e aprimorem os sistemas destinados à denúncia de abusos. Também solicitou aos governos o fortalecimento dos mecanismos de responsabilização e fiscalização sobre as plataformas.


O relatório ainda apontou a necessidade de enfrentar normas de gênero que contribuem para a sexualização de meninas e para a estigmatização de sobreviventes de violência sexual, enquanto empresas e governos são chamados a ampliar os instrumentos de prevenção e resposta aos casos identificados.

 
 
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