top of page

MODO DE NAVEGAÇÃO

Quatro meses após o ataque com mísseis estadunidenses contra a Escola Primária Shajareh Tayyebeh, em Minab, no Irã, a Anistia Internacional voltou a exigir transparência sobre a operação que matou mais de 150 pessoas, entre elas 120 crianças. A organização afirma que o governo dos Estados Unidos e o Pentágono ainda não apresentaram explicações sobre a escolha do alvo nem divulgaram os resultados da investigação anunciada em março. O caso tornou-se alvo de questionamentos no Congresso estadunidense e de denúncias sobre possível uso de inteligência artificial em processos de seleção de alvos militares.


Crédito: AFP via Getty Images
Crédito: AFP via Getty Images

Em declaração divulgada nesta semana, Amanda Klasing, diretora nacional de Relações Governamentais e Advocacia da Anistia Internacional EUA, afirmou que as famílias das vítimas continuam sem respostas desde o ataque ocorrido em 28 de fevereiro de 2026, durante a campanha aérea conduzida pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irã.


"Já se passaram quatro meses desde o ataque aéreo mais letal dos EUA contra civis em tempos recentes, e ainda não estamos mais perto de obter respostas das autoridades americanas sobre por que isso aconteceu e quem foi o responsável. Por que está demorando tanto? O público e as famílias das vítimas precisam de transparência e responsabilização, e as famílias precisam da verdade, justiça e reparação", declarou Klasing.

A dirigente da Anistia também criticou as versões apresentadas por autoridades estadunidenses desde o episódio. Segundo ela, "o presidente Trump fez declarações contraditórias, o Pentágono está obstruindo o Congresso, e os legisladores e o público estão cada vez mais frustrados com a resposta automática da secretária Hegseth e de outros de que o incidente ainda está sob investigação".


De acordo com a organização, não há controvérsia sobre a autoria da operação militar. "O que sabemos com certeza é o seguinte: as forças armadas dos EUA foram responsáveis pela morte de mais de 150 pessoas em um ataque com mísseis Tomahawk de precisão contra uma escola repleta de crianças", afirmou Klasing.


A Anistia Internacional sustenta que o edifício atingido funcionava como escola há anos e que essa informação poderia ter sido verificada antes do lançamento dos mísseis. A organização argumenta que, se entidades de imprensa e organizações independentes conseguiram identificar rapidamente a natureza civil da instalação após o ataque, o aparato de inteligência militar estadunidense também possuía capacidade para obter a mesma informação antes da operação.


"Não há dúvida de que os EUA deveriam saber que o prédio era uma escola, e não um alvo militar", declarou Klasing. Ela acrescentou que a existência da escola era pública e conhecida na região, o que, segundo sua avaliação, deveria ter impedido qualquer autorização para o bombardeio.


Outro ponto levantado pela organização envolve o possível emprego de sistemas de inteligência artificial durante o processo de seleção de alvos. O tema ganhou repercussão após declarações de Dario Amodei, diretor-executivo da empresa Anthropic, desenvolvedora do sistema Claude.


Segundo Klasing, ainda não existe esclarecimento sobre a participação efetiva da ferramenta na operação. Ela observou que Amodei declarou à Bloomberg não saber se o software foi utilizado no processo que levou ao ataque contra Minab. Ao mesmo tempo, o executivo afirmou que a responsabilidade pelas decisões finais permaneceu nas mãos de militares.


A dirigente da Anistia argumentou que, independentemente da utilização ou não de inteligência artificial, a responsabilidade permanece com as autoridades que autorizaram a operação. Para a organização, o episódio evidencia falhas na identificação do alvo e na adoção de medidas destinadas a evitar mortes de civis.


O ataque à escola ocorreu durante a campanha aérea conduzida pelos Estados Unidos e Israel entre 28 de fevereiro e 7 de abril de 2026. Dados oficiais iranianos citados pela Anistia Internacional apontam que os bombardeios deixaram pelo menos 2.362 civis mortos, incluindo 383 crianças, além de 32.314 feridos. As autoridades também registraram danos em instalações civis e infraestrutura pública.


Desde o dia do ataque em Minab, parlamentares estadunidenses e organizações de direitos humanos vêm exigindo a divulgação dos relatórios produzidos pelo Departamento de Guerra dos Estados Unidos. Em 10 de março, um porta-voz da Casa Branca confirmou que investigações estavam em andamento e prometeu a publicação de um relatório completo.


Na semana passada, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o episódio permanecia sob investigação e declarou que o ataque não foi intencional, encaminhando questionamentos à Secretária de Guerra Pete Hegseth.


A demora na divulgação dos resultados provocou reações no Senado estadunidense. O Comitê de Serviços Armados aprovou uma versão da Lei de Autorização de Defesa Nacional que restringe recursos destinados a viagens oficiais de Pete Hegseth até que sejam entregues ao Congresso os relatórios sobre o ataque à escola de Minab, além de investigações relacionadas a outros casos de mortes de civis no Iêmen e da divulgação integral de vídeos de operações militares realizadas no Caribe e no Pacífico Oriental.


A Anistia Internacional defende que a investigação examine a coleta de inteligência, as avaliações prévias ao ataque, o processo de seleção de alvos, as medidas adotadas para proteção de civis e qualquer participação de sistemas de inteligência artificial. A organização também exige responsabilização criminal caso sejam encontradas evidências suficientes contra indivíduos envolvidos na operação.


"Precisamos de respostas agora. Os militares já tiveram quatro meses para explicar o que aconteceu. O Pentágono deve concluir urgentemente sua investigação e divulgar publicamente as conclusões", afirmou Klasing.


A dirigente acrescentou que o Departamento de Guerra deve restabelecer programas voltados à mitigação de danos civis em operações militares e assegurar o cumprimento do direito internacional humanitário, inclusive em operações que utilizem inteligência artificial.


"Qualquer coisa inferior a isso equivaleria a encobrir uma grave violação do direito internacional humanitário e a trair as vítimas e os sobreviventes deste ataque horrível", declarou Amanda Klasing.

apoie a ampliação do nosso trabalho

Valoriza o que estamos fazendo? Considere apoiar a ampliação do nosso trabalho com uma contribuição.

Frequência

1 vez

Mensal

Anual

Valor

R$ 10

R$ 20

R$ 30

R$ 40

R$ 50

R$ 100

R$ 200

Outro

editora
clandestino

Ao adquirir um de nossos arquivos, você contribui para a expansão de nosso trabalho.

MAIS VENDIDOS

  • LOGO CLD_00000

25 de junho de 2026

Anistia Internacional: Quatro meses após o horrível ataque aéreo à escola de Minab, responsabilização ainda não foi tomada

bottom of page