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3 de setembro de 2026

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Quem são as “Garotas do Topo da Colina” que ocupam a Cisjordânia?

Um grupo de jovens israelenses passou a ocupar colinas da Cisjordânia com estruturas rudimentares e atividades domésticas. As chamadas “Garotas do Topo da Colina” apresentam a ocupação como iniciativa familiar e social. A estratégia busca consolidar novos postos avançados e ampliar assentamentos israelenses.

Conhecidas como “Hilltop Girls”, essas mulheres abandonam a vida civil e a educação para viver em tendas instaladas no alto de colinas da Cisjordânia ocupada. O grupo promove uma estratégia descrita como “assentamento pacífico”, baseada em atividades como cozinhar, lavar e estender roupas, em vez de patrulhas armadas.

A iniciativa integra a corrente feminina da Juventude das Colinas, movimento sionista religioso radical surgido em 1998. Naquele ano, o então ministro das Relações Exteriores de Israel, Ariel Sharon, incentivou jovens colonos a ocupar colinas da Cisjordânia com o objetivo de impedir negociações sobre o status final do território.

A Juventude das Colinas ficou associada a ataques contra palestinos e à apropriação de terras. A vertente feminina sustenta uma visão territorial que apresenta um “Grande Israel” abrangendo a Palestina histórica e territórios que incluem Egito, Jordânia, Líbano, Síria, Iraque e a Península Arábica.

A estratégia das jovens depende de redes sociais para apresentar os postos avançados como comunidades voltadas à família. Vídeos publicados por contas ligadas aos postos procuram afastar a imagem associada aos colonos envolvidos em ataques contra palestinos e apresentar a ocupação por meio de cenas de rotina doméstica.

As colonas afirmam que não matam palestinos nem atacam proprietários de terras, mas realizam tarefas domésticas. A mudança de método, porém, não altera o objetivo territorial descrito pelo movimento: estabelecer comunidades judaicas em terras palestinas e ampliar a presença israelense na Cisjordânia ocupada.

Os postos avançados de Maoz Esther e Or Ahuvia, ao nordeste de Ramallah, são apresentados como exemplos dessa estratégia. Maoz Esther foi criado em 2006 como posto para jovens, demolido e reconstruído diversas vezes, até se expandir para uma área conhecida como “Colina das Meninas”.

Em 2025, Maoz Esther abrigava 17 famílias e mais de 50 crianças. O posto passou a superar, em número de moradores, o assentamento vizinho de Kochav HaShahar, que ocupa 950 dunams, equivalentes a cerca de 235 acres.

Or Ahuvia foi estabelecido em 2023, nas proximidades do assentamento de Ofra. O projeto prevê conectar mais de 20 postos avançados a Ofra, formando uma rede de comunidades que, segundo o plano descrito, poderia receber milhares de famílias.

A atuação policial contra esses postos não impediu sua expansão. A organização israelense de direitos humanos B'Tselem afirma que a maioria dos postos avançados recebe apoio do Estado e das forças militares israelenses e que estruturas demolidas são reconstruídas após a retirada da polícia.

Segundo a organização, os postos recebem água, eletricidade, estradas privadas e proteção militar por meio da Administração Civil Israelense. O texto também informa que o governo destina quase US$ 40 milhões em subsídios para alimentação e roupas destinados a integrantes da Juventude das Colinas.

A expansão também conta com medidas políticas. No início de 2025, o Knesset aprovou um projeto apresentado pelo lobby “Terra de Israel” para permitir que judeus comprem terras na Cisjordânia de forma livre, mantendo essas aquisições protegidas em caso de futuros acordos políticos.

Os ministros Bezalel Smotrich e Itamar Ben-Gvir apoiam os assentamentos. O ministro da Defesa, Israel Katz, declarou perante seu partido: “Cancelei, por iniciativa própria, todas as ordens administrativas contra os colonos na Cisjordânia”.

Entre janeiro de 2025 e maio de 2026, as Nações Unidas registraram pelo menos 2.806 ataques de colonos contra palestinos, média de cinco incidentes por dia. Os números abrangem um período em que a expansão dos postos avançados ocorreu junto à ocupação de áreas destinadas ao pastoreio palestino.

Elisha Yered, integrante de destaque da Juventude das Colinas, descreveu a estratégia do grupo em um podcast ao declarar: “Estamos muito orgulhosos de iniciar conflitos; até o exército está em conflito.”

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