Brasil e Índia firmam acordo de cooperação acadêmica no BRICS+
- www.jornalclandestino.org

- 12 de abr.
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Em 23 de fevereiro de 2026, instituições do Brasil e da Índia assinaram um memorando de entendimento para cooperação tecnológica no âmbito do BRICS+. O acordo envolve o Fórum para Tecnologia Estratégica do Brics+, o IBricS+ e a United Service Institution of India. O documento estabelece diretrizes para atuação conjunta em soberania digital, inteligência artificial e governança de dados. A iniciativa ocorre em meio à crescente disputa geopolítica por controle de infraestruturas digitais estratégicas. O memorando também prevê ações acadêmicas e institucionais voltadas ao fortalecimento do chamado Sul Global.
O acordo foi formalizado simultaneamente em Brasília e Nova Délhi e estabelece uma base de cooperação entre centros de pesquisa e instituições estratégicas dos dois países. O texto, obtido mediante requisição, aponta como objetivo central a ampliação do diálogo em áreas consideradas sensíveis para autonomia tecnológica, incluindo segurança cibernética, fluxos de dados e desenvolvimento de tecnologias críticas. A articulação ocorre em um cenário internacional marcado pela concentração dessas infraestruturas sob controle de potências centrais, especialmente estruturas associadas ao eixo estadunidense e seus aliados.
Entre os eixos prioritários definidos no memorando está a soberania tecnológica, entendida como a capacidade de os países controlarem seus próprios sistemas digitais, redes e dados conforme interesses nacionais. A cibersegurança aparece como elemento central desse processo, com foco na proteção contra acessos não autorizados, ataques e manipulação de informações que possam comprometer estabilidade institucional e econômica. O documento também inclui a governança de dados como área estratégica, envolvendo a criação de marcos regulatórios e operacionais para uso seguro e ético de informações digitais.
Outro ponto destacado é a chamada defesa cognitiva, conceito voltado à proteção contra operações de desinformação e influência informacional que impactam processos políticos e sociais. Esse eixo reflete a crescente centralidade do domínio informacional nas disputas contemporâneas, onde tecnologias digitais são utilizadas como instrumentos de poder e controle. O memorando ainda prevê cooperação em pesquisa sobre inteligência artificial, incluindo seu uso em contextos sensíveis como segurança e defesa, com menção a princípios de transparência, responsabilidade e respeito a direitos.
No campo prático, o acordo estabelece a participação conjunta em eventos internacionais, como fóruns e cúpulas sobre tecnologia e inteligência artificial, além da indicação de especialistas para apresentações e debates. Também estão previstas iniciativas de capacitação técnica, especialmente em coleta e análise de dados digitais, com o objetivo de ampliar a capacidade institucional das entidades envolvidas.
A cooperação inclui ainda intercâmbio acadêmico e produção conjunta de conhecimento, com a proposta de elaboração de uma monografia coletiva reunindo pesquisas das três instituições signatárias. O documento menciona a construção de uma agenda comum de pesquisa voltada à análise do uso da inteligência artificial em contextos de segurança, evidenciando o interesse em consolidar autonomia também nesse campo estratégico.
A assinatura do memorando ocorre no contexto da transição da presidência do BRICS+, que passou do Brasil em 2025 para a Índia em 2026. Esse movimento reforça a articulação entre dois dos principais integrantes do bloco, em um momento de expansão do BRICS+ e aumento de seu peso político e econômico. A ampliação do grupo, com a entrada de novos países, intensifica a necessidade de coordenação entre agendas diversas, ao mesmo tempo em que amplia a capacidade de atuação coletiva fora das estruturas tradicionais dominadas por potências ocidentais.
Nesse cenário, a cooperação entre Brasil e Índia ganha relevância estratégica, especialmente em áreas como inovação tecnológica, infraestrutura digital e sistemas financeiros alternativos. Ambos os países possuem experiências consolidadas em sistemas públicos de pagamento digital. No Brasil, o PIX, lançado pelo Banco Central em 2020, transformou o sistema financeiro ao permitir transferências instantâneas com baixo custo. Na Índia, o Unified Payments Interface (UPI) opera com lógica semelhante, funcionando como infraestrutura pública interoperável para transações digitais.
A convergência entre essas experiências reforça a possibilidade de construção de mecanismos financeiros próprios no interior do BRICS+, reduzindo a dependência de sistemas controlados por instituições ocidentais. Nesse contexto, o papel do New Development Bank aparece como central na articulação de alternativas financeiras e tecnológicas para os países do bloco.
O Fórum para Tecnologia Estratégica do Brics+, sediado em Brasília, atua na promoção de estudos sobre políticas públicas e soberania digital. O IBricS+ desenvolve pesquisas em governança internacional e cooperação econômica entre países emergentes. Já a United Service Institution of India, fundada no século XIX e baseada em Nova Délhi, é voltada a estudos estratégicos, segurança nacional e formação de especialistas em defesa, consolidando-se como um dos principais centros de pensamento estratégico da Índia.




































