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Cacique Raoni é internado novamente; liderança indígena está em UTI

O cacique Raoni Metuktire, liderança histórica do povo Kayapó, foi internado em uma Unidade de Terapia Intensiva do Hospital Dois Pinheiros, em Sinop, no Mato Grosso, após apresentar novo quadro de mal-estar clínico. A equipe médica informou que a internação ocorreu como medida preventiva depois de complicações relacionadas ao estado de saúde do líder indígena, de 94 anos. Raoni havia passado cinco dias internado no início de maio para tratamento de uma hérnia após sentir dores abdominais.


Cacique Raoni Metuktire | ARQUIVO
Cacique Raoni Metuktire | ARQUIVO

Segundo comunicado divulgado pelos médicos responsáveis, Raoni permanece em estado estável na UTI do Hospital Dois Pinheiros. A equipe informou que o líder indígena enfrenta “problemas adversos” relacionados ao seu quadro clínico e seguirá sob monitoramento hospitalar.


O cacique retornou ao hospital na quinta-feira, 14 de maio, após apresentar novo episódio de mal-estar. No início do mês, ele já havia sido hospitalizado na mesma unidade para tratar uma hérnia abdominal.


Os médicos informaram que Raoni possui histórico de doença pulmonar obstrutiva crônica e utiliza marcapasso como parte do tratamento cardíaco. A decisão pela internação em Unidade de Terapia Intensiva foi apresentada como procedimento preventivo diante de sua condição clínica e idade avançada.


Raoni Metuktire nasceu na aldeia de Kapot, no Mato Grosso, território localizado na região do Xingu. Integrante do povo Kayapó, cresceu em um contexto de pouco contato com não indígenas e relatou em diversas entrevistas que só teve contato com homens brancos por volta dos 20 anos de idade.


A trajetória política de Raoni ganhou projeção internacional durante a década de 1970, quando passou a denunciar os impactos da ditadura militar brasileira sobre os povos indígenas e a floresta amazônica. O cacique tornou-se uma das principais vozes indígenas contra a construção da rodovia Transamazônica, obra executada pelo regime militar dentro da política de ocupação territorial da Amazônia baseada em abertura de estradas, expansão da mineração e avanço de grandes projetos agropecuários sobre territórios indígenas.


Nas décadas seguintes, Raoni realizou viagens internacionais para denunciar o desmatamento, a expansão do agronegócio, os projetos de mineração e os ataques contra povos originários. O líder Kayapó participou de encontros com chefes de Estado, representantes religiosos e organismos internacionais para pressionar governos e denunciar a destruição de territórios indígenas na Amazônia.


O cacique também participou da cerimônia de posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em janeiro de 2023. Raoni integrou o grupo de representantes da sociedade brasileira que subiu a rampa do Palácio do Planalto durante a entrega da faixa presidencial em Brasília.


Nos últimos anos, Raoni voltou a denunciar a ampliação do garimpo ilegal, a violência contra povos indígenas e os impactos ambientais provocados pelo avanço de grandes empreendimentos econômicos sobre áreas da Amazônia. Durante a COP30, o líder indígena participou de debates sobre exploração de petróleo e gás na foz do Amazonas e voltou a defender proteção integral das terras indígenas e da floresta amazônica.

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