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Como os Emirados Árabes Unidos continuaram a apoiar as Forças de Apoio Rápido do Sudão

Nova investigação identifica campos de treinamento de combatentes das Forças de Apoio Rápido no território líbio. Fontes sudanesas, egípcias e líbias apontam participação de estruturas militares associadas ao Exército Nacional Líbio e apoio externo dos Emirados Árabes Unidos. Os Emirados Árabes Unidos e as RSF negam envolvimento nas operações.


Veículos do exército líbio participam dos exercícios militares "Dara' al-Karama 2", conduzidos pelo Exército Nacional Líbio, sob o comando de Khalifa Haftar, na região de Ras al-Alba, no sudeste da Líbia, em 16 de maio de 2026 | AFP
Veículos do exército líbio participam dos exercícios militares "Dara' al-Karama 2", conduzidos pelo Exército Nacional Líbio, sob o comando de Khalifa Haftar, na região de Ras al-Alba, no sudeste da Líbia, em 16 de maio de 2026 | AFP

A apuração conjunta de Lighthouse Reports, Sudan War Monitor e Evident identifica a presença de ao menos cinco instalações na Líbia utilizadas para treinamento, logística e abastecimento de combatentes das Forças de Apoio Rápido (RSF), organização sudanesa envolvida na guerra iniciada em abril de 2023 contra as Forças Armadas do Sudão. As estruturas estão localizadas em Seweidiya, perto de al-Kufra, Sabha, al-Jufra e no Campo 17, próximo a Benghazi, em áreas sob influência do Exército Nacional Líbio comandado por Khalifa Haftar.


Segundo a investigação, os campos operam com fornecimento de combustível, veículos e instrução militar. Um desertor identificado como Ahmed afirmou que os materiais recebidos chegam por via aérea e passam por pontos de distribuição no território líbio. “É a Emirates que está apoiando as RSF. Eles trazem os suprimentos do país deles de avião até aqui, e daqui nós os recebemos e os encaminhamos para o Sudão”, disse Ahmed aos investigadores. Ele declarou ainda que parte do material não apresenta identificação de origem, com exceção de veículos que exibem marcação “Fabricado nos Emirados”.


Ahmed afirmou ter passado por rotas que incluem Kufra e Benghazi até o Campo 17, onde, segundo ele, ocorre armazenamento de suprimentos e redistribuição para operações militares. Ele declarou também que o fluxo de apoio aéreo dos Emirados Árabes Unidos sustenta a capacidade operacional das RSF. “Se as RSF perdessem o apoio dos Emirados Árabes Unidos, se os Emirados Árabes Unidos parassem de apoiá-las, as RSF não seriam mais capazes de lutar”, disse.


Relatos coletados pela investigação indicam uso dos campos para treinamento em armamento pesado, incluindo metralhadoras DShK, lançadores RPG e sistemas de foguetes. Fontes militares mencionam também a presença de combatentes estrangeiros, incluindo mercenários colombianos vinculados à empresa Global Security Services Group, com sede nos Emirados Árabes Unidos.


Desde o início da guerra no Sudão, em abril de 2023, as RSF mantêm cooperação com forças associadas a Haftar no leste da Líbia, em uma rede de trânsito de armas que atravessa a região entre Líbia, Chade e Sudão. A investigação descreve a utilização de rotas terrestres e aéreas que conectam al-Kufra ao interior sudanês, incluindo Darfur, área sob controle das RSF.


O Ministério das Relações Exteriores dos Emirados Árabes Unidos declarou que o país “não forneceu e não está fornecendo apoio militar ou financeiro a nenhuma das partes em conflito no Sudão”. As RSF também negam receber apoio externo.


Fontes militares egípcias citadas na investigação relatam operações aéreas destinadas a interceptar comboios de armas das RSF a partir do território líbio, conduzidas por forças do Egito e da Turquia. Esses ataques levaram a mudanças nas rotas de transporte, com redirecionamento de voos para o aeroporto de Amdjarass, no leste do Chade.


Segundo essas fontes, o aeroporto de Amdjarass passou por ampliação com participação de empresas dos Emirados Árabes Unidos, incluindo instalação de estruturas para armazenamento e operação de aeronaves de carga. As fontes indicam a existência de instalações de coordenação logística dentro do terminal aéreo.


O comandante egípcio citado na investigação afirmou que imagens de inteligência registram expansão de infraestrutura no local, incluindo hangares e áreas para aeronaves de grande porte. Ele declarou: “Empresas dos Emirados Árabes Unidos realizaram extensas obras de construção e expansão no aeroporto de Amdjarass”.


O fluxo logístico descrito inclui passagem de armamentos pelo corredor entre o leste da Líbia e o Chade, com deslocamento até áreas de fronteira sudanesa em Adre e posterior entrada em Darfur. A investigação estima cerca de 200 mil mortes desde o início da guerra no Sudão.


Fontes do Middle East Eye relatam que o Egito apoia as Forças Armadas do Sudão enquanto o Exército Nacional Líbio mantém alinhamento com estruturas associadas às RSF. O documento indica ainda presença de centros de operação no aeroporto de Amdjarass utilizados para coordenação de rotas aéreas e logística militar.

 
 

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