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Trump ameaça “aniquilar” Irã durante discurso na ONU

há 8 minutos
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou “aniquilar” a República Islâmica do Irã caso não seja alcançado um acordo, durante discurso nesta terça-feira (22) na 81ª Assembleia Geral da ONU, em Nova York. Trump afirmou que precisa decidir entre negociar com Teerã ou destruir o país e voltou a dizer que espera um acordo após as eleições de meio de mandato estadunidenses, em novembro. A declaração ocorreu após quase sete meses de operações militares contra o Irã, que Trump justificou como uma ação para impedir que o país desenvolvesse armas nucleares.


Donald Trump discursa na ONU ©Reuters
Donald Trump discursa na ONU ©Reuters

“Tenho uma grande decisão a tomar: será feito um acordo com o Irã que lhes permita reconstruir e criar um país muito maior?”, afirmou Trump diante dos representantes dos Estados-membros da ONU.


Em seguida, o presidente estadunidense apresentou a alternativa militar em termos de destruição total da República Islâmica. “Ou devo aniquilar a República Islâmica rapidamente, sem nunca mais lhes dar a chance de matar e destruir pessoas e países? Devo expulsá-los para o inferno sem qualquer chance de sobrevivência?”, declarou.


Trump também reiterou sua previsão de que Teerã aceitaria negociar depois das eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, previstas para novembro. O presidente vinculou a perspectiva de um acordo ao calendário político estadunidense, enquanto seu Partido Republicano enfrenta a possibilidade de perder o controle do Congresso.


A fala ocorreu no mesmo discurso em que Trump procurou apresentar sua política externa como uma sequência de ações voltadas à imposição dos interesses de Washington. “Enquanto outros falavam de paz, eu construí a paz. Enquanto outros ignoravam as ameaças, eu as confrontava”, afirmou diante dos chefes de Estado e de governo reunidos em Nova York.


O discurso também foi utilizado para defender a atuação militar estadunidense e apresentar a força armada do país como instrumento para garantir seus interesses. Trump afirmou que os Estados Unidos possuem um “poder militar incomparável” e relacionou essa capacidade à atuação de Washington na América Latina.


Ao tratar de Cuba, Trump afirmou que a ilha “cairia” e declarou que a mudança política no país estaria ligada à pressão exercida por seu governo. Em outro momento do pronunciamento, classificou Cuba como um Estado fracassado e afirmou que a “liberdade” chegaria ao país. A delegação cubana deixou o plenário durante essas declarações, segundo a Reuters.


A política estadunidense para Cuba permanece vinculada ao embargo econômico mantido há mais de seis décadas. As declarações de Trump ocorreram no mesmo pronunciamento em que ele defendeu ações militares e econômicas contra governos latino-americanos, ampliando o espaço dedicado à política de Washington no continente.


Trump também anunciou um acordo envolvendo Estados Unidos, Dinamarca e Groenlândia para ampliar a presença militar estadunidense no território ártico. O acordo prevê a modernização e expansão das operações em instalações existentes e a criação de novas áreas militares, incluindo estruturas em Narsarsuaq e Mestersvig.


O entendimento ocorre depois de meses de pressão de Washington sobre a Groenlândia e de declarações de Trump sobre o interesse estadunidense no território. O acordo permite ampliar a presença militar dos Estados Unidos no Ártico e estabelece participação groenlandesa em atividades econômicas relacionadas às instalações.


A iniciativa também gerou tensões dentro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), em razão das disputas provocadas pelas posições de Trump sobre o território groenlandês e pela expansão da presença militar estadunidense no Ártico. O acordo assinado em Nova York foi apresentado pelos governos envolvidos como mecanismo de cooperação de segurança.


Grande parte do pronunciamento de Trump foi dedicada à apresentação de resultados que ele atribuiu ao próprio governo e à defesa da posição dos Estados Unidos como principal potência militar. O presidente também voltou a atacar instituições internacionais, incluindo as Nações Unidas e o Tribunal Penal Internacional.


Trump criticou o que chamou de organismos “globalistas” e pediu que outros países boicotassem o Tribunal Penal Internacional. Também questionou a atuação da própria ONU, enquanto o secretário-geral António Guterres utilizou a abertura da semana de discursos para defender a cooperação internacional e alertar sobre a expansão dos assentamentos israelenses na Cisjordânia ocupada.


Guterres alertou para o “espectro da limpeza étnica” associado à expansão dos assentamentos israelenses na Cisjordânia ocupada. Em seu último discurso na Assembleia Geral como secretário-geral, ele também defendeu mecanismos internacionais para regular a inteligência artificial, cobrou medidas contra as mudanças climáticas e pediu ações para conter a escalada de confrontos internacionais.


O discurso de Trump durou 37 minutos e ocorreu em um ambiente diplomático marcado pelas tensões em torno do Irã, da inteligência artificial e do papel das Nações Unidas. A intervenção deste ano foi menos marcada por episódios como os registrados no discurso de 2025, quando Trump atribuiu problemas técnicos durante sua chegada e apresentação a possíveis atos de sabotagem.


Na Assembleia Geral deste ano, Trump subiu a escada rolante ao lado de sua esposa, Melania Trump, sem interrupções e acompanhou o texto apresentado no teleprompter. A comparação com o pronunciamento anterior foi registrada pelo The New Arab ao descrever a mudança na condução do discurso.


Desde seu retorno à Presidência, Trump mantém ataques contra a ONU e contra António Guterres. A administração estadunidense também reduziu sua participação financeira em organismos internacionais e retirou-se de diferentes estruturas vinculadas ao sistema das Nações Unidas, em uma política que a Reuters relacionou às críticas de Trump contra a organização.


Além do discurso na Assembleia Geral, Trump manteve uma agenda de reuniões bilaterais em Nova York. Estavam previstos encontros com o primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, e a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi.


Trump também tinha prevista uma reunião com Delcy Rodríguez, presidente interina da Venezuela, durante sua passagem por Nova York. Rodríguez assumiu o governo venezuelano após a operação militar estadunidense de janeiro que resultou no sequestro de Nicolás Maduro e em sua transferência para os Estados Unidos.


A operação contra Maduro ocorreu em janeiro de 2026 e foi seguida por mudanças na estrutura de poder venezuelana. Segundo a Reuters, Trump declarou após a operação que os Estados Unidos exerceriam controle temporário sobre a Venezuela até uma transição que considerasse adequada, enquanto empresas estadunidenses participariam da recuperação da indústria petrolífera do país.


A reunião com Rodríguez ocorre enquanto representantes venezuelanos negociam em Nova York questões relacionadas à dívida, energia e mineração. A Reuters informou em 21 de setembro que a delegação venezuelana participava de conversas com instituições financeiras internacionais e empresas, em meio às mudanças na relação entre Caracas e Washington após a operação de janeiro.

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