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Executivo chileno é preso no Brasil por racismo e homofobia em voo da Latam

A Polícia Federal prendeu o executivo chileno Germán Naranjo Maldini no Aeroporto Internacional de Guarulhos após acusações de injúria racial e homofobia contra tripulantes de um voo da Latam. O caso ocorreu em 10 de maio durante o voo LA8070, que fazia a rota São Paulo-Frankfurt com escala em Santiago. Vídeos gravados por passageiros registraram insultos racistas, ataques homofóbicos e a tentativa do empresário de abrir a porta da aeronave durante o trajeto.


Germán Naranjo Maldini, Aeroporto Internacional de Guarulhos
Germán Naranjo Maldini, Aeroporto Internacional de Guarulhos

A prisão ocorreu em 15 de maio, quando Maldini retornava da Europa ao Chile com escala no Brasil. A Polícia Federal informou que o executivo passou a ser monitorado após as denúncias apresentadas pelas vítimas na Delegacia da PF em Guarulhos. Com base nos vídeos, depoimentos e registros do voo, a corporação solicitou à Justiça Federal a prisão preventiva do empresário chileno.


Segundo a investigação, Germán Naranjo Maldini, gerente da empresa chilena de alimentos e biotecnologia marinha Landes, tentou abrir uma das portas da aeronave durante o voo internacional da Latam. Após ser contido por comissários de bordo, iniciou uma sequência de agressões verbais contra trabalhadores da tripulação.


As imagens registradas por outro passageiro mostram Maldini afirmando que ser gay “é um problema”. Em outro momento, chama um comissário de “macaco”, declara que “macacos ficam nas árvores” e faz sons imitando o animal. O vídeo também registra frases como “pele negra”, “cheiro de negro brasileiro” e “cheiro de brasileiro”. Quando uma comissária pede que ele se acalme, o empresário responde: “Uh, que medo”.


O caso expõe mais um episódio de violência racial contra trabalhadores latino-americanos em espaços controlados por grandes corporações do transporte aéreo internacional. O ataque ocorreu dentro de uma aeronave da Latam, companhia criada a partir da fusão entre a chilena LAN e a brasileira TAM, hoje uma das maiores operadoras aéreas da América Latina.


Após o pouso em Guarulhos, integrantes da tripulação registraram ocorrência junto à Polícia Federal. A corporação então utilizou sistemas de inteligência migratória para localizar Maldini durante o retorno ao Chile. A interceptação ocorreu no momento da conexão em território brasileiro.


Ainda em 15 de maio, o executivo participou de audiência de custódia e foi encaminhado ao Centro de Detenção Provisória de Guarulhos. Até a publicação da reportagem, ele permanecia preso à disposição da Justiça Federal.


A Latam divulgou nota afirmando condenar “energicamente qualquer prática discriminatória e violenta, incluindo crimes de racismo, xenofobia e homofobia”. A empresa informou que oferece apoio psicológico e assistência jurídica ao funcionário alvo das agressões.


A empresa chilena Landes declarou que a conduta do executivo seria “absolutamente incompatível” com os valores corporativos e com sua Política de Não Discriminação. A companhia afirmou ter tomado conhecimento da prisão pela imprensa e comunicou aos funcionários o afastamento “formal e preventivo” de Maldini enquanto realiza apuração interna.


A legislação brasileira passou por alteração em 2023, quando a injúria racial foi equiparada ao crime de racismo. A mudança tornou o crime imprescritível e inafiançável na esfera policial, com penas previstas entre dois e cinco anos de prisão, além de multa. No mesmo ano, o Supremo Tribunal Federal definiu que insultos homofóbicos também podem resultar em pena de prisão.


O episódio ocorre meses após outro caso envolvendo estrangeiros acusados de racismo no Brasil. A advogada argentina Agostina Páez foi processada após fazer gestos imitando um macaco contra funcionários de um bar no Rio de Janeiro. Ela permaneceu três meses em prisão domiciliar antes de receber autorização judicial para deixar o país mediante pagamento de fiança de cerca de US$ 20 mil.


As informações foram publicadas pelo Jornal GGN com base em dados da Polícia Federal, imagens gravadas por passageiros e reportagens de O Globo e Bio Bio Chile.

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