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Governo Trump provoca aumento nas mortes em centros de detenção do ICE

O número de mortes em centros de detenção administrados pelo Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) mais que dobrou em relação à população detida desde o início da ampliação das políticas de deportação conduzidas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em janeiro de 2025. Dados analisados pela Reuters apontam que 50 pessoas morreram sob custódia das autoridades de imigração desde então. A elevação da mortalidade ocorre em meio ao aumento acelerado da população encarcerada pelo sistema migratório estadunidense e intensifica questionamentos sobre as condições de supervisão e atendimento médico nesses centros.


Alcatraz dos Jacarés. julho de 2025 | ARQUIVO
Alcatraz dos Jacarés. julho de 2025 | ARQUIVO

De acordo com a análise publicada pela Reuters, entre 2009 e 2024 os centros de detenção do ICE registraram, em média, uma morte para cada 3.848 pessoas detidas ao longo do ano. Após a ampliação das operações de deportação iniciada em janeiro de 2025, esse índice passou para uma morte a cada 1.630 detentos, conforme dados preliminares disponíveis até o início de junho.


A Reuters informa que as causas das 50 mortes são diversas e não permitem atribuir automaticamente responsabilidade direta por negligência ou abuso às administrações dos centros. Ainda assim, o crescimento da mortalidade acompanha uma expansão do número de pessoas mantidas sob custódia do sistema migratório estadunidense, que passou a operar com uma população superior à registrada nos anos anteriores.


Especialistas ouvidos pela Reuters afirmaram existir "sérias dúvidas" sobre a qualidade da supervisão e da assistência médica prestadas nas instalações do ICE, especialmente diante da rápida ampliação da população detida durante o governo Trump. Segundo a reportagem, o aumento da demanda por vagas ocorreu em ritmo superior à expansão da capacidade operacional das unidades.


Entre as 50 mortes registradas, 21 pessoas foram encontradas já sem vida ou inconscientes, circunstância que reduziu as possibilidades de qualquer intervenção médica. A Reuters relata que dez dessas mortes foram classificadas como suicídios, dado que expõe o quadro de saúde mental enfrentado por parte dos imigrantes submetidos ao regime de detenção.


A análise também identifica mortes provocadas por infartos e outras doenças cardiovasculares. Segundo a Reuters, esses casos levantam questionamentos sobre a eficácia das avaliações médicas realizadas na admissão dos detidos e sobre o acompanhamento de pessoas com doenças crônicas durante o período de custódia.


O crescimento da população mantida nos centros do ICE antecede o atual governo. Durante o último ano da administração do democrata Joe Biden, o número de pessoas detidas já havia alcançado aproximadamente 40 mil, patamar superior ao mínimo registrado em fevereiro de 2021, quando havia cerca de 14 mil detidos em razão do contexto da pandemia.


Ao assumir a presidência, Donald Trump recebeu um sistema que já operava com aproximadamente 40 mil pessoas sob custódia. A ampliação das operações de deportação promovida por seu governo levou esse contingente ao maior nível da série recente.


Segundo dados citados pela Reuters, a população detida pelo ICE atingiu cerca de 70 mil pessoas em janeiro de 2026. A reportagem relaciona esse crescimento à intensificação das operações de fiscalização migratória conduzidas em diferentes regiões do país.


Entre essas ações, as operações realizadas em Minneapolis provocaram repercussão nacional e contribuíram para a ampliação do número de prisões relacionadas à imigração em todo o território estadunidense, conforme descreve a Reuters.


Nos meses seguintes, o contingente de pessoas mantidas sob custódia apresentou redução parcial. Dados preliminares analisados pela Reuters indicam que, no início de junho de 2026, aproximadamente 57 mil pessoas permaneciam detidas nos centros administrados pelo ICE.

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