Hospitais entram em colapso na Venezuela após terremotos
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- 30 de jun.
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O sistema de saúde da Venezuela opera sob pressão após os terremotos de magnitude 7,2 e 7,5 que atingiram o país na semana passada. Dados divulgados nesta terça-feira (30) pela Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que três hospitais sofreram colapso estrutural, enquanto outras seis unidades funcionam apenas parcialmente. Com milhares de feridos, danos à infraestrutura e redução das equipes médicas disponíveis, os hospitais restantes enfrentam superlotação e interrupções no atendimento.

Segundo o balanço oficial do governo venezuelano, os terremotos provocaram 1.719 mortes, deixaram 5.034 pessoas feridas e mais de 15 mil desalojadas. A destruição concentrou-se na faixa costeira do leste do país, atingindo áreas de Caracas e da cidade portuária de La Guaira. O Aeroporto Internacional de Maiquetía permanece fechado em consequência dos danos causados pelos abalos sísmicos.
A avaliação da OMS foi elaborada após inspeções realizadas em 21 unidades de saúde afetadas pelos terremotos. O levantamento indica que três hospitais apresentaram colapso estrutural, impedindo a continuidade dos serviços, enquanto outras seis unidades mantêm apenas parte de sua capacidade operacional. A concentração dos atendimentos nos hospitais remanescentes elevou a demanda além da capacidade instalada.
Em áreas atingidas pelo desastre, pacientes recebem atendimento em estruturas improvisadas montadas em estacionamentos devido à indisponibilidade de leitos e de instalações hospitalares. Em alguns pontos, corpos aguardam identificação em áreas externas das unidades de saúde diante da limitação da infraestrutura disponível.
"Os demais permanecem operacionais (mas) sob forte pressão", afirmou o porta-voz da OMS, Christian Lindmeier, durante entrevista coletiva realizada em Genebra. O representante acrescentou que "constatações preliminares revelam prestação de serviços caótica e fluxo de pacientes desorganizado, marcado por superlotação e aumento do acúmulo de cirurgias".
A redução do número de profissionais disponíveis ampliou as dificuldades enfrentadas pelo sistema de saúde. Em La Guaira, a ausência de obstetras e pediatras interrompeu o atendimento destinado a gestantes e recém-nascidos, segundo informações apresentadas pela OMS.
Além das consequências sobre a rede hospitalar, a organização alertou para as condições sanitárias nos acampamentos improvisados onde parte da população desalojada permanece abrigada. De acordo com a OMS, a cobertura vacinal insuficiente nas áreas afetadas aumenta o risco de disseminação de doenças como febre amarela e dengue entre os desabrigados.
As operações de busca e resgate entraram no sexto dia consecutivo, contando com reforço de equipes enviadas por missões internacionais para atuar nas regiões devastadas pelos terremotos. Enquanto as buscas continuam, a Organização Internacional para as Migrações (OIM) estima que o número total de pessoas afetadas possa ultrapassar 6 milhões.
As projeções da OIM também indicam que até 50 mil pessoas podem permanecer desaparecidas sob os escombros nas áreas atingidas pelos terremotos.












































