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Israel ameaça manter território sírio ocupado “para sempre”

há 59 minutos
4 min de leitura

O ministro israelense Israel Katz ameaçou nesta quarta-feira, 24 de setembro de 2026, manter permanentemente qualquer território sírio tomado por suas forças. A declaração ocorreu após o presidente da Síria, Ahmed al-Sharaa, exigir novamente a retirada israelense das áreas ocupadas após a queda de Bashar al-Assad. Katz afirmou que Israel responderá militarmente a qualquer ataque originado da Síria e que novas áreas ocupadas não serão devolvidas.


Um soldado israelense caminha perto da cerca que dá acesso à zona tampão patrulhada pela ONU, que separa as forças israelenses e sírias nas Colinas de Golã. ©Getty
Um soldado israelense caminha perto da cerca que dá acesso à zona tampão patrulhada pela ONU, que separa as forças israelenses e sírias nas Colinas de Golã. ©Getty

“Se nossas forças ou o território do Estado de Israel forem atacados a partir da Síria, não teremos outra escolha senão agir e responder. Qualquer área que conquistarmos desta vez permanecerá nossa para sempre, de acordo com as leis da guerra”, declarou Katz.


A ameaça ocorre quase dois anos depois de Israel aproveitar a queda do governo de Assad, em dezembro de 2024, para deslocar tropas para além das Colinas de Golã e atravessar a linha de desengajamento estabelecida pelo acordo de 1974 entre Israel e Síria.


As forças israelenses ocuparam a zona tampão monitorada pela Organização das Nações Unidas e posições no lado sírio do Monte Hermon, ampliando a presença militar israelense em território sírio e aproximando suas tropas de Damasco.


Israel sustenta que a permanência militar no sul da Síria responde a razões de segurança. O governo sírio afirma que não busca uma guerra com Israel e defende uma solução diplomática baseada na retirada das forças israelenses das áreas ocupadas.


Negociações entre Damasco e Tel Aviv, iniciadas em 2025, não produziram até agora um acordo para a retirada israelense. Katz declarou que Israel continuará adotando medidas militares para impedir que a Síria represente uma ameaça.


“Não permitiremos que a Síria se torne uma ameaça ao Estado de Israel e faremos tudo o que for necessário para impedir que isso aconteça”, afirmou o ministro.


Durante discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas nesta quarta-feira, Sharaa exigiu que as forças israelenses retornem às posições ocupadas antes de 8 de dezembro de 2024, quando o governo de Assad caiu e tropas israelenses atravessaram a linha de desengajamento.


Sharaa reafirmou a soberania síria sobre as Colinas de Golã e declarou que as medidas israelenses de anexação são “nulas e sem efeito”, citando a Resolução 497 do Conselho de Segurança da ONU.


A Resolução 497, aprovada em 1981, determinou que a decisão israelense de impor suas leis, jurisdição e administração às Colinas de Golã era nula e sem efeito jurídico internacional. A ONU continua classificando o território como sírio sob ocupação israelense.


Israel tomou as Colinas de Golã em 1967 e anunciou sua anexação unilateral em 1981. O Conselho de Segurança das Nações Unidas rejeitou a medida por meio da Resolução 497.


Em seu discurso, Sharaa também acusou Israel de realizar quase 500 ataques aéreos e de artilharia contra a Síria desde a queda de Assad, além de mais de 1.200 incursões e aproximadamente 300 prisões e detenções de cidadãos sírios.


O presidente sírio afirmou que essas operações ameaçam a estabilidade do país e contrariam a posição expressa por grande parte da comunidade internacional sobre a soberania territorial síria.


Sharaa também reafirmou o compromisso de Damasco com o Acordo de Desengajamento de 1974 e exigiu a retirada das forças israelenses das áreas ocupadas depois da queda de Assad.


O presidente sírio rejeitou ainda a tentativa de estabelecer, por meio da força militar, um novo fato consumado territorial. Para Damasco, a continuidade dos ataques e incursões israelenses amplia a instabilidade regional e impede a consolidação da soberania síria sobre seu território.


Katz respondeu afirmando que as Colinas de Golã ocupadas são “parte integrante e eterna de Israel” e descartou a retirada das forças israelenses do Monte Hermon e da zona tampão.


“Não nos retiraremos do Monte Hermon e da zona de segurança”, declarou Katz.


O ministro também acusou o governo de Assad de ter violado o acordo de 1974 ao transformar a Síria em “uma base iraniana e uma ameaça a Israel e suas fronteiras”.


Katz afirmou que as tropas israelenses permanecerão no Monte Hermon e na zona tampão ocupada enquanto existir, segundo sua formulação, uma “ameaça jihadista” ao longo da fronteira. Ele incluiu nessa categoria forças do governo sírio e outros grupos islamistas.


O Irã e forças aliadas participaram da guerra civil síria ao lado das forças de Assad, enquanto Israel realizou milhares de ataques contra alvos na Síria associados ao Irã e a forças aliadas de Damasco.


Depois da queda de Assad, grupos rebeldes liderados por islamistas, sob comando de Sharaa, assumiram o controle de Damasco e passaram a dirigir o novo governo sírio.


Mesmo diante da ocupação israelense, dos ataques e das incursões, Sharaa declarou repetidamente que a Síria não pretende entrar em confronto com os Estados vizinhos e que seu governo busca concentrar esforços na reconstrução do país após mais de uma década de destruição.


Nesta semana, o presidente sírio reiterou essa posição e afirmou que ainda existe espaço para uma “paz justa” capaz de proteger os direitos de todas as partes.


Israel mantém as Colinas de Golã sob ocupação e controla áreas sírias tomadas depois da queda de Assad. As forças israelenses também permanecem em território libanês, enquanto assentamentos e operações militares israelenses continuam na Cisjordânia ocupada.

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