Israel anuncia rompimento de relações com alto diplomata da UE devido a comentários sobre 'apartheid'
- www.jornalclandestino.org

- 19 de jun.
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O ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Saar, anunciou a suspensão de todos os contatos políticos com a chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, após a divulgação de informações segundo as quais ela teria comparado o tratamento imposto por Israel aos palestinos ao sistema de apartheid que vigorou na África do Sul. A decisão foi comunicada em meio ao aumento da pressão internacional sobre as políticas israelenses nos territórios palestinos ocupados e durante o genocídio em curso contra a população palestina. O episódio abriu uma nova crise entre Tel Aviv e Bruxelas, envolvendo acusações sobre violações do direito internacional e segregação racial.

A controvérsia teve início após o portal europeu Euractiv publicar, na semana anterior, uma reportagem baseada em relatos de diplomatas e funcionários envolvidos em reuniões realizadas em maio entre representantes da União Europeia e autoridades mexicanas. Segundo a publicação, Kaja Kallas teria estabelecido paralelos entre as políticas aplicadas por Israel em Gaza e na Cisjordânia ocupada e o sistema de segregação racial que governou a África do Sul até o início da década de 1990.
A reação israelense ocorreu em 18 de junho. Em publicação na rede X, Gideon Saar acusou Kallas de manter uma postura hostil contra Israel. “Há algum tempo que Kaja Kallas vem agindo de forma obsessiva e com flagrante injustiça contra o Estado de Israel”, escreveu o chanceler israelense. Saar afirmou ainda que a diplomata europeia não negou nem esclareceu as declarações atribuídas a ela e declarou que não teria “outra opção senão cortar todo contato” até que houvesse uma retratação do que classificou como uma “calúnia de sangue” contra Israel.
Kallas respondeu também por meio da plataforma X. Sem abordar diretamente as acusações relacionadas ao apartheid, a chefe da política externa da União Europeia afirmou que o bloco pretende manter relações com Israel apesar das divergências políticas. “Caro Gideon, como você sabe, a UE e Israel têm muito em comum. O diálogo é a base da diplomacia, especialmente quando surgem divergências”, escreveu.
Na mesma manifestação pública, Kallas reafirmou o apoio da União Europeia à chamada solução de dois Estados e reiterou a posição de Bruxelas de que os assentamentos israelenses na Cisjordânia ocupada são ilegais sob o direito internacional. Menos de uma hora após a publicação, Saar declarou que sua decisão permanecia inalterada, argumentando que a representante europeia não havia negado a comparação entre Israel e o regime de apartheid sul-africano.
O embate diplomático ocorre em um momento de ampliação das denúncias internacionais sobre as políticas israelenses nos territórios palestinos ocupados. Organizações internacionais, órgãos das Nações Unidas e instituições jurídicas vêm acumulando relatórios e pareceres apontando violações sistemáticas do direito internacional por parte de Israel.
Em janeiro de 2026, o Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos concluiu que Israel estava “violando o direito internacional”, incluindo normas que determinam aos Estados a obrigação de proibir e eliminar práticas de segregação racial e apartheid.
O relatório das Nações Unidas destacou que as autoridades israelenses submetem colonos israelenses e palestinos residentes na Cisjordânia ocupada a sistemas jurídicos distintos. Segundo o documento, essa estrutura produz tratamento desigual em áreas como liberdade de circulação, acesso à terra, recursos hídricos e direitos civis.
“As autoridades israelenses tratam os colonos israelenses e os palestinos residentes na Cisjordânia sob dois conjuntos distintos de leis e políticas, resultando em tratamento desigual em uma série de questões críticas, incluindo a circulação e o acesso a recursos como terra e água”, afirmou o relatório do Alto Comissariado.
O documento acrescentou que “os palestinos continuam a ser sujeitos à confiscação em larga escala de terras e à privação do acesso a recursos”, descrevendo práticas associadas à expansão dos assentamentos israelenses em território ocupado.
As conclusões das Nações Unidas reforçaram avaliações já apresentadas pelo Tribunal Internacional de Justiça. Em julho de 2024, o tribunal emitiu um parecer consultivo declarando ilegal a ocupação israelense dos territórios palestinos e registrando preocupações relacionadas à segregação racial e ao apartheid nos territórios ocupados.
A nova crise diplomática entre Israel e a União Europeia ocorre enquanto governos europeus enfrentam pressões internas e externas para revisar suas relações com Tel Aviv diante das denúncias relativas ao genocídio da população palestina, à expansão dos assentamentos na Cisjordânia ocupada e às conclusões emitidas por organismos internacionais sobre a situação dos direitos humanos sob ocupação israelense.











































