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Flávio Bolsonaro procurou Vorcaro nos quatro dias antes da prisão

há 1 hora
4 min de leitura

O senador Flávio Bolsonaro tentou falar com Daniel Vorcaro nos quatro dias anteriores à prisão do então dono do Banco Master, em novembro de 2025. Registros extraídos pela Polícia Federal do celular de Vorcaro mostram mensagens e tentativas de ligação feitas pelo senador nos dias 13, 14, 15 e 16 de novembro. Vorcaro foi preso pela primeira vez em 17 de novembro, quando tentava embarcar em um voo particular no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo.


Flávio Bolsonaro ©Pedro França/Agência Senado
Flávio Bolsonaro ©Pedro França/Agência Senado

As informações foram divulgadas em 24 de setembro pelo jornalista Aguirre Talento, em reportagem publicada pelo O Estado de S. Paulo. Os registros mostram que Flávio procurou Vorcaro diariamente nos quatro dias que antecederam a prisão, em uma sequência de contatos que agora integra os elementos examinados pela investigação.


Em 13 de novembro de 2025, Flávio enviou ao banqueiro uma mensagem pela manhã: “Fala mermão! Bom dia! Pode atender?”. Vorcaro respondeu que retornaria em cerca de meia hora, mas não há registro de uma ligação posterior entre os dois naquele trecho recuperado pela investigação.


No dia seguinte, 14 de novembro, Flávio tentou ligar para Vorcaro às 12h36. A chamada não foi atendida. Em 15 de novembro, o banqueiro respondeu explicando que não havia conseguido atender porque estava em trânsito durante um voo: “fala irmão. Tava trânsito voo o tem”. Na sequência, Flávio escreveu: “pode atender?”, sem que apareça uma nova resposta no registro apresentado.


A última sequência ocorreu em 16 de novembro, um dia antes da prisão. Flávio tentou novamente falar por telefone às 10h34. Vorcaro respondeu que estava na igreja e escreveu: “fala irmãozinho, to na igreja, terminando te chamo”.


Na tarde daquele domingo, Flávio enviou duas mensagens de visualização única. O conteúdo das imagens não pôde ser recuperado no material divulgado, mas, às 15h46, o senador escreveu: “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!”. Vorcaro respondeu com outra mensagem de visualização única e Flávio encerrou a troca com “Amém!”.


A Polícia Federal teve acesso apenas aos três últimos meses das conversas entre Flávio e Vorcaro, embora os investigadores tenham identificado que a relação entre os dois começou em dezembro de 2024. Parte das mensagens anteriores havia sido apagada, o que limita o período do histórico recuperado pela investigação.


Os novos registros se somam às mensagens que já haviam vindo a público e às informações sobre a relação financeira entre o senador e Vorcaro. Flávio afirma que os contatos estavam relacionados ao financiamento privado do filme Dark Horse, produção sobre Jair Bolsonaro, seu pai, enquanto a investigação apura a origem, a finalidade e a aplicação dos recursos discutidos entre os envolvidos.


A CNN Brasil informou que, nos dias anteriores à sequência de contatos de 13 a 16 de novembro, as conversas também envolviam o financiamento do filme. Em 10 e 12 de novembro, Thiago Miranda havia enviado mensagens a Vorcaro sobre parcelas relacionadas à produção, sem receber resposta. No dia 11, Flávio encaminhou ao banqueiro um vídeo sobre Dark Horse.


Em 17 de novembro de 2025, Vorcaro foi preso pela Polícia Federal no âmbito da Operação Compliance Zero, quando tentava embarcar em um jato particular com destino ao exterior. A prisão ocorreu um dia depois da última sequência de mensagens entre ele e Flávio Bolsonaro registrada no material analisado pela PF.


A relação entre o senador e o banqueiro também voltou ao centro das atenções em 24 de setembro, após a divulgação de uma reportagem da revista piauí sobre uma viagem realizada por Flávio em janeiro de 2025. O senador viajou de Fort Lauderdale, na Flórida, para Brasília em 19 de janeiro, acompanhado da mulher, Fernanda Antunes Figueira Bolsonaro, das duas filhas e do advogado e empresário Willer Tomaz.


A aeronave utilizada era um Legacy 650, de prefixo PP-NLR. Segundo a piauí, uma empresa chamada Prime You, que tinha Vorcaro como um dos sócios, possuía um terço das cotas da aeronave na época da viagem, enquanto Willer Tomaz detinha outra cota. O avião foi posteriormente utilizado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes em agosto de 2025.


A participação da Prime You na aeronave havia sido adquirida no fim de 2024. Segundo informações levantadas pela piauí, Vorcaro foi sócio da empresa entre 2021 e setembro de 2025, enquanto a Prime You também operava o jato por meio da Prime Aviation Táxi Aéreo e Serviços. Um relatório da Polícia Federal apontou que cada uma das três cotas de 33,33% da aeronave estava avaliada em US$ 5,5 milhões em maio de 2025.


Willer Tomaz é advogado e empresário, amigo de Flávio Bolsonaro e também aparece em outras investigações. Ele foi preso no caso relacionado à JBS e é investigado no esquema de desvios envolvendo o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Tomaz confirmou à piauí ser proprietário de uma das três cotas do avião.


Tomaz também viajou com Flávio Bolsonaro para a África do Sul em 2025, em uma viagem de safári que contou ainda com a presença do senador Weverton Rocha (PDT-MA), que também é investigado no caso das fraudes previdenciárias.


Após a divulgação da viagem no jato, Flávio Bolsonaro afirmou que, na época, a aeronave pertencia a Willer Tomaz e publicou nas redes sociais: “Ainda bem que na época o avião era de Willer. Imagina se fosse agora, eu teria viajado no avião de Alexandre de Moraes”. A informação sobre a participação da empresa ligada a Vorcaro na propriedade da aeronave consta da reportagem da piauí.


A sequência de mensagens de novembro, a viagem de janeiro de 2025 e as informações sobre o financiamento do filme passaram a integrar o conjunto de elementos públicos sobre a relação entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, enquanto a Polícia Federal mantém sob investigação as operações financeiras relacionadas ao caso Master.

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