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Lula mira Flávio Bolsonaro e expõe relação com Daniel Vorcaro

há 4 horas
3 min de leitura

O presidente Lula passou a atacar diretamente o candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, em meio à corrida eleitoral de 2026. “Flávio, onde está o dinheiro da corrupção do Master?”, questionou Lula ao mencionar a investigação envolvendo recursos solicitados pelo senador ao empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.


Presidente Lula
Presidente Lula

Lula passou a assumir pessoalmente parte dos ataques que, até então, eram feitos por aliados e pela propaganda eleitoral. Nesta semana, durante discursos e entrevistas, o presidente questionou diretamente o candidato do PL: “Flávio, onde está o dinheiro da corrupção do Master?”, frase divulgada no contexto das acusações e investigações envolvendo o Banco Master.


Nas redes sociais vinculadas ao PT, também começou a circular o slogan “quem vota em Flávio vota em Vorcaro”. A estratégia busca estabelecer uma associação política entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, que está no centro de investigações relacionadas ao Banco Master e aos recursos destinados ao projeto cinematográfico sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.


A ofensiva petista responde à estratégia dos apoiadores de Flávio Bolsonaro, que passaram a utilizar a mensagem “quem vota em Lula vota em Moraes”. A frase faz referência ao ministro Alexandre de Moraes e procura associar Lula às decisões e à atuação do magistrado no Supremo Tribunal Federal, embora Moraes tenha sido indicado ao STF em 2017 pelo então presidente Jair Bolsonaro.


Nos últimos dias, a direção da campanha de Lula discutiu diferentes alternativas para lidar com o espaço ocupado pela crise no STF. Uma das correntes defendia que o presidente se afastasse politicamente de Alexandre de Moraes diante das controvérsias envolvendo o ministro. Outra corrente defendia que Lula assumisse diretamente o confronto eleitoral com Flávio Bolsonaro e deslocasse a discussão para a investigação relacionada a Daniel Vorcaro.


A segunda estratégia prevaleceu. Integrantes da campanha passaram a considerar que o debate eleitoral havia ficado concentrado na crise do Supremo, enquanto Flávio Bolsonaro deixava de ocupar o centro das críticas relacionadas à investigação sobre os recursos destinados ao filme “Dark Horse”.


A avaliação apresentada por assessores do presidente é de que os apoiadores de Flávio Bolsonaro conseguiram estabelecer uma pauta favorável ao senador depois das manifestações de 7 de Setembro. Dentro dessa leitura, integrantes da campanha petista também passaram a atribuir parte da mudança do debate a decisões tomadas pelo ministro André Mendonça, indicado ao STF por Jair Bolsonaro.


Aliados de Lula afirmam que decisões de Mendonça contribuíram para ampliar a pressão política sobre Alexandre de Moraes e produziram efeitos favoráveis à candidatura de Flávio Bolsonaro. Mendonça rejeita qualquer atuação político-partidária e nega participação em articulações destinadas a favorecer candidatos.


Enquanto a disputa em torno do Supremo ocupava espaço na campanha, Lula passou a discutir internamente qual deveria ser sua posição pública diante de Alexandre de Moraes. O presidente declarou que qualquer integrante do STF que tenha cometido irregularidades deve responder por seus atos e afirmou que ministros da Corte não podem utilizar o cargo para obter enriquecimento pessoal.


Em 16 de setembro, Lula afirmou que “quem cometeu erro tem que pagar”, ao comentar a crise envolvendo o Supremo. Em outra declaração, o presidente disse que ninguém deve ocupar uma cadeira na Suprema Corte com o objetivo de “ficar rico”.


Para integrantes da campanha presidencial, a exposição do conflito entre Moraes e Mendonça acabou deslocando o foco de Flávio Bolsonaro. A avaliação interna passou a ser de que a campanha precisava recuperar a discussão sobre o candidato do PL e sobre sua relação com Daniel Vorcaro.


A nova orientação eleitoral estabelece a redução do protagonismo da crise do STF na comunicação da campanha de Lula e a concentração das críticas sobre Flávio Bolsonaro, sua relação com Daniel Vorcaro e a investigação em andamento no Supremo Tribunal Federal.


A campanha petista também pretende recolocar no centro da disputa os questionamentos sobre os recursos solicitados por Flávio Bolsonaro a Vorcaro para financiar “Dark Horse”, filme dedicado à trajetória política de Jair Bolsonaro, enquanto documentos analisados pela Polícia Federal passaram a integrar a investigação sobre os pagamentos relacionados ao projeto.


A mudança ocorre na reta final da disputa presidencial de 2026, com Lula concorrendo à reeleição pelo PT e Flávio Bolsonaro como candidato do PL à Presidência.

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