Milei mantém apoio a chefe de gabinete em meio a denúncias de corrupção
- www.jornalclandestino.org

- 19 de jun.
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O governo de Javier Milei enfrenta uma escalada de pressões políticas para afastar o chefe de Gabinete, Guillermo Adorni, em meio a denúncias de corrupção e enriquecimento ilícito. Lideranças da oposição e setores aliados ao próprio governo articulam medidas no Congresso para convocá-lo e discutir sua destituição. Mesmo diante da crise, Milei mantém apoio ao funcionário e o inclui em compromissos oficiais previstos para os próximos dias.

A permanência de Guillermo Adorni no centro do governo argentino transformou-se em um dos principais focos de tensão política da administração de Javier Milei. Acusado de enriquecimento ilícito, evasão fiscal, falso testemunho perante o Congresso e omissão de informações em declarações patrimoniais, o chefe de Gabinete segue respaldado pelo presidente e por sua irmã, Karina Milei, apesar do desgaste provocado pelo caso conhecido na imprensa local como “Adornigate”.
O episódio passou a gerar atritos não apenas com a oposição parlamentar, mas também com setores que até recentemente sustentavam o governo. Integrantes do Partido Republicano (PRO), principal aliado da administração libertária, passaram a defender publicamente a saída do funcionário, considerado uma das figuras centrais da estrutura governamental.
Segundo denúncias que circulam no ambiente político argentino, Adorni teria registrado crescimento patrimonial acelerado após assumir funções no governo em dezembro de 2023. Antes de ingressar na administração federal, era descrito como integrante da classe média baixa. As acusações apontam que a acumulação de patrimônio em dólares ocorreu a partir dos primeiros meses de 2024, fato que motivou investigações e questionamentos sobre a origem dos recursos.
A manutenção de Adorni no cargo alimenta especulações dentro da própria imprensa argentina. Comentários publicados por veículos locais questionam se o chefe de Gabinete possui informações consideradas sensíveis para o núcleo presidencial e que poderiam explicar a resistência dos irmãos Milei em afastá-lo.
No Congresso Nacional, a crise alcançou novo patamar após reunião realizada na noite de quarta-feira entre líderes de blocos do Senado. Os parlamentares concordaram em convocar uma sessão especial para o próximo dia 25 de junho. A pauta inclui a possibilidade de interpelar formalmente o chefe de Gabinete e discutir um projeto de resolução apresentado pela oposição para aprovar uma moção de censura destinada a removê-lo do cargo.
A pressão também passou a partir de setores alinhados ao governo. Patricia Bullrich, dirigente vinculada ao campo governista, exigiu que Milei promovesse a demissão de Adorni antes que o Parlamento adotasse medidas para afastá-lo. O posicionamento ampliou a percepção de isolamento político do funcionário dentro da base que sustenta o Executivo.
Enquanto o debate avança no Legislativo, surgiram informações de que Karina Milei buscaria uma alternativa diplomática para retirar Adorni do centro da crise. Entre as hipóteses mencionadas está a indicação para uma embaixada argentina. Entretanto, juristas citados pela imprensa local argumentam que a existência de uma investigação criminal impediria sua saída do país e poderia resultar em medidas judiciais caso tentasse deixar o território argentino.
Apesar da sucessão de denúncias e do avanço das articulações parlamentares, Javier Milei mantém sua agenda sem alterações. O presidente permanece na residência oficial da Quinta de Olivos organizando compromissos internacionais. Segundo a programação divulgada, ele viajará para Madri em 24 de junho, participará posteriormente da cúpula do Mercosul no Paraguai e estará nos Estados Unidos em 4 de julho para participar das comemorações do Dia da Independência estadunidense.
O presidente também confirmou a presença de Guillermo Adorni na cerimônia oficial do Dia da Bandeira, marcada para este sábado na cidade de Rosário. A decisão provocou reações imediatas no cenário político local.
Após o anúncio, a vereadora Ana Laura Martínez, dirigente do PRO em Rosário, divulgou uma carta aberta dirigida ao presidente argentino. No documento, pediu que Milei reconsiderasse a participação de Adorni no evento nacional. Segundo a parlamentar, a presença do chefe de Gabinete na cerimônia representaria um constrangimento institucional diante das acusações que pesam contra ele.












































