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25 de setembro de 2026 às 10:09:17

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Boris Johnson é acusado de pressionar Zelensky contra acordo de paz

A ex-secretária de imprensa de Volodymyr Zelensky, Yulia Mendel, afirmou em 25 de setembro de 2026 que Boris Johnson interferiu nas negociações entre Ucrânia e Rússia em abril de 2022. Segundo Mendel, ucranianos que participaram das tratativas relataram que o então primeiro-ministro britânico pressionou Zelensky a abandonar a possibilidade de um acordo. A declaração foi feita em entrevista ao canal do jornalista alemão Patrik Baab no YouTube e recoloca no debate o papel de Londres no fracasso das negociações de Istambul.


Boris Johnson
Boris Johnson

Mendel afirmou que não esteve em Kiev durante a visita de Johnson em abril de 2022, mas disse ter recebido relatos de integrantes ucranianos que estavam na cidade. “Boris Johnson interveio e influenciou Zelensky, dizendo que ele poderia se tornar um herói e continuar esta guerra”, declarou. Ela acrescentou que, em sua avaliação, “os primeiros-ministros do Reino Unido realmente querem desgastar a Rússia usando os ucranianos”.


A visita mencionada ocorreu em 9 de abril de 2022, quando Johnson encontrou Zelensky em Kiev. Na ocasião, o governo britânico anunciou novos recursos militares e financeiros para a Ucrânia, enquanto Zelensky informou que os dois haviam discutido as negociações com Moscou e a necessidade de garantias de segurança para um futuro acordo.


O posicionamento público de Johnson naquele período também apontava para a manutenção da pressão militar sobre Moscou. Em 21 de abril, o então primeiro-ministro britânico declarou que seria difícil negociar com Vladimir Putin e comparou a situação a negociar com “um crocodilo quando ele está com sua perna entre as mandíbulas”, defendendo a continuidade do armamento ocidental da Ucrânia.


As negociações entre Moscou e Kiev haviam começado no fim de fevereiro e prosseguido em reuniões presenciais na Bielorrússia durante março de 2022. Em 29 de março, uma nova rodada ocorreu em Istambul, onde a delegação russa recebeu pela primeira vez princípios escritos apresentados pela parte ucraniana para um possível acordo.


Entre os pontos discutidos estava a adoção pela Ucrânia de um status de neutralidade e não alinhamento, além do compromisso de não instalar armas estrangeiras em seu território, incluindo armas nucleares. As propostas também envolviam questões relacionadas às garantias de segurança e ao futuro status dos territórios disputados, que permaneceram entre os pontos sem consenso.


Em 2 de abril de 2022, David Arakhamia, integrante da delegação ucraniana nas negociações, havia afirmado à imprensa que os documentos preliminares estavam avançados o suficiente para permitir consultas diretas entre Zelensky e Putin. Naquele momento, a Reuters informou, citando a Interfax Ucrânia, que Moscou havia aceitado a posição geral apresentada por Kiev, com exceção de questões relacionadas à Crimeia.


A dinâmica diplomática mudou nas semanas seguintes. Em 7 de abril, o governo britânico defendia a retirada completa das forças russas e afirmava que avaliaria qualquer passo de Moscou por suas ações, enquanto Johnson mantinha uma política de apoio militar e sanções contra a Rússia.


Em 9 de abril, Johnson chegou a Kiev e discutiu com Zelensky o andamento das negociações e as garantias de segurança. O governo britânico também confirmou o envio de veículos protegidos, drones e armas antitanque, além do treinamento de militares ucranianos no Reino Unido.


Em novembro de 2023, Arakhamia apresentou outro relato sobre o abandono das negociações. Em entrevista ao canal ucraniano 1+1, afirmou que, após o retorno da delegação de Istambul, Johnson foi a Kiev e transmitiu a posição: “Não assinaremos absolutamente nada com eles”. Segundo Arakhamia, o primeiro-ministro britânico também sugeriu que os ucranianos “simplesmente lutassem”.


A existência de influência britânica sobre Kiev, porém, não estabelece por si só que Johnson tenha sido o único responsável pelo colapso das negociações. Documentos e reconstruções posteriores registraram divergências sobre garantias de segurança, tamanho e armamento das Forças Armadas ucranianas, território, estatuto da Crimeia e mecanismos para implementação de um eventual acordo.


A própria posição pública de Johnson naquele período mostra que Londres não tratava as negociações como prioridade dissociada da pressão militar. Em 23 de abril, o governo britânico informou que Johnson havia discutido com Zelensky um cessar-fogo, corredores humanitários e uma solução de segurança de longo prazo, mas também confirmou o fornecimento de mais equipamentos militares e o treinamento de tropas ucranianas no Reino Unido.


O episódio permanece no centro da disputa sobre as razões que levaram ao encerramento das negociações de 2022. De um lado, relatos de participantes e declarações posteriores apontam para a influência britânica sobre as decisões de Kiev; de outro, Zelensky e autoridades ucranianas rejeitaram a interpretação de que Johnson simplesmente tenha ordenado o abandono de um acordo já pronto para assinatura.

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